terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Viva la muerte"

in DN, 23/02/10, por Manuel António Pina

Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".

O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...

Projecto do PS dá às profissões artísticas taxa geral de descontos para a Segurança Social

O projecto de lei que reconhece um novo regime de regulação das profissões artísticas, no qual se encontra um sistema próprio de Segurança Social, da autoria da deputada independente Inês de Medeiros e de outros deputados do PS, é hoje entregue na Mesa da Assembleia da República.

Foi, aliás, por causa de o diploma só entrar hoje na Mesa da AR que Inês de Medeiros recusou o convite que lhe foi dirigido por Nuno Carinhas, director do Teatro de São João, para participar ontem num debate no Porto, onde deveria apresentar o projecto de lei. Inês de Medeiros explicou ao PÚBLICO que, como é da praxe parlamentar, "não podia ir apresentar fora um projecto que ainda não tinha sido entregue no Parlamento". No debate esteve presente a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Inês de Medeiros confirmou que o projecto de lei, da sua responsabilidade, fixa um novo sistema que permite aos criadores, mas também aos profissionais do sector das artes e espectáculos, descontar para a Segurança Social. Esta alteração ao Estatuto dos Artistas permite responder à especificidade profissional de "cerca de 15 mil pessoas que estão a recibo verde" e ao mesmo tempo fixar um número mais exacto dos profissionais do sector.

As alterações à lei introduzem um novo tipo de contrato, específico para o sector das artes, que é aplicável a técnicos e a criadores, incluindo actores, autores, músicos ou artistas plásticos. O contrato permite a actividade múltipla e não exclusiva, explica Inês de Medeiros. Assim, um actor pode ter um contrato com uma companhia e um outro para fazer locução de filmes, como um artista plástico pode ter um contrato com uma galeria, mas também, por exemplo, um outro com um editor para quem faz ilustração de livros.

A deputada salienta ainda que a existência deste tipo de contrato tem como objectivo responder às especificidades do sector e também à sua diversidade, garantindo assim a expressão da existência do vínculo laboral típico do sector. Mas não exclui que os criadores assinem também contratos autorais.

Com estes novos contratos, "que podem ser por duas horas ou três meses", num limite máximo de 8 anos, após os quais há que celebrar um contrato sem termo, os trabalhadores do sector, sejam artistas ou técnicos, podem inscrever-se na Segurança Social depois ter terem atingido "um mínimo de 450 dias durante um máximo de 36 meses", como acontece no regime geral. Assim, "acaba-se com a obrigatoriedade de pagamento do actual recibo verde", os trabalhadores pagarão Segurança Social, à taxa normal de 11 por cento, exclusivamente quando trabalharem. E terão direitos idênticos aos do regime geral como subsídio de desemprego, licença e subsídios de maternidade, baixa médica, prestações por de velhice e prestação por morte, explicou ainda a deputada.

Aos empregadores caberá pagar 24 por cento de contribuição para a Segurança Social, segundo a nova lei. Só que tendo em conta que isto pode criar dificuldades num sector que já é financeiramente penalizado, Inês de Medeiros explica que houve a preocupação de salvaguardar a posição dos empregadores. Assim, "esta taxa começa por ser mais baixa e será progressiva, como no desporto". Além disso, está previsto que o Ministério da Cultura passe a assumir, na sua política de subsídios para o sector, que estes contemplam o pagamento de 85 por cento da Segurança Social.

Ou seja, explica Inês de Medeiros, "um produtor que apresenta as contas de um espectáculo para justificar um subsídio tem que apresentar as provas de que 85 por cento dos trabalhadores a que recorreu foi mediante contrato". E frisa: "É uma forma de fomentar o recurso aos contratos."

Cinquenta anos de devoção ao teatro evocados através de medalha

in JN 23/02/10

O actor Júlio Cardoso, que comemorou, no ano passado 50 anos de carreira, foi, ontem, condecorado com a medalha de mérito distrital, no Governo Civil do Porto, com o galardão a ser entregue pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

O juiz conselheiro Octávio Ferreira foi o primeiro a discursar e relembrou o "forte passado de intervenção cívica" do actor. Fez uma breve retrospectiva da sua carreira, relembrou o seu começo no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, mencionou o papel importante que Júlio Cardoso teve quando o Coliseu correu o risco de ser comprado por um grupo religioso e acabou a intervenção relembrando que a carreira do actor traduz-se em "50 anos de entrega total ao teatro. "Sinto-me como uma particulazinha pequenina neste vasto universo de pessoas que fazem da cultura e criatividade o seu principal nutriente". Foi assim que Júlio Cardoso iniciou o seu discurso. "Por que é que o Porto tem de conjugar os verbos no passado?", perguntou. " Jamais devemos esquecer a história, contudo, deve servir para seguirmos em frente". O actor demonstrou o seu desalento pelo facto de a cidade não saber aproveitar ao máximo a riqueza cultural que tem. Chegou mesmo a acrescentar que "poucas cidades da Europa têm esta riqueza cultural". Relembrou, ainda, a discussão sobre a legislação das televisões portuguesas e referiu o facto de Portugal ser o único país com todas as cadeias de televisão sediadas em Lisboa. "O que fizeram à NTV?", perguntou. Relembrou também o actual estado decadente da Orquestra Sinfónica do Porto, entre muitos outros problemas. Porém, o actor relembrou que a cidade "tem um acervo único, singular e raro". A cerimónia terminou com o discurso da ministra, que relembrou "a fonte de inspiração que Júlio Cardoso representa".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AR: Diploma de regime laboral de artistas é entregue amanhã

in Diário Digital 22/02/10

O PS vai entregar na terça-feira, dia 23 de Fevereiro, na Assembleia da República (AR), um diploma sobre o regime laboral nas artes e espetáculos, que propõe contratos de trabalho mais flexíveis, para reduzir a existência de recibos verdes.
O diploma dos socialistas, que, genericamente, define o Estatuto do Artista, prevê que os apoios do Estado estejam «condicionados a que haja 85% de contratos», para que se diminua o recurso aos recibos verdes, explicou a deputada socialista independente Inês de Medeiros.

O documento do PS vem complementar a legislação de 2008 (a Lei 4/2008 aprovada na anterior legislatura), que diz respeito ao «regime dos contratos de trabalho dos profissionais de espetáculos», regulamentando questões como a segurança social e a certificação profissional.

Canavilhas debate estatuto do artista

in DN 22/02/10

A ministra da Cultura estará hoje presente num encontro informal no Porto, que junta várias instituições culturais portuguesas e que visa debater o estatuto do artista. Em cima da mesa estarão também as formas de contratação dos trabalhadores das artes no âmbito do novo código de contratação pública.

A apresentação de propostas para a alteração legislativa do estatuto do artista é, no entanto, o principal objectivo deste encontro, promovido pelo Teatro Nacional de São João (TNSJ) e no qual estarão presentes a Fundação Casa da Música, Centro Cultural de Belém, o teatro Dona Maria II, entre outros.

Em declarações à Lusa, Francisca Carneiro Fernandes, presidente do conselho de administração do TNSJ, considera que "a presença de Gabriela Canavilhas dá a nota de que há receptividade e interesse em recolher o ponto de vista dos agentes que estão a sentir os problemas no terreno".

Esta agente cultural disse ainda "ter esperança de conseguir propor soluções", uma vez que o Governo tem dito que está a querer mudar a lei".

Pré-Fantasporto abre com efeitos especiais

in JN 22/02/10

Festival de cinema dá particular destaque à robótica

Efeitos especiais e robótica são os temas em destaque entre hoje e quinta-feira, no teatro Rivoli, nas primeiras projecções associadas ao Festival Internacional de Cinema do Porto. A abertura oficial está marcada para sexta-feira, com o filme "Solomon Kane".

O pré-Fantas abre mais logo com "Re-animator", uma adaptação para cinema que Stuart Gordon fez do clássico "Herbert West-Reanimator", escrito por H. P. Lovecraft nos anos 20. O filme data de 1985 e conta a história de um estudante de Medicina que se envolve em estranhas experiências de reanimação de tecidos.

"Re-animator" passa no grande auditório do Rivoli às 21.30 horas, em versão original inglesa. Mas a sessão é dupla, por isso segue-se "Braindead", de Peter Jackson, filme premiado no Fantasporto em 1993 e um dos filmes mais marcantes do cinema de terror. Os efeitos especiais voltam ao festival através de dois workshops: na quarta-feira com Colin Arthur e na quinta com David Martí.

Mas é na robótica que a organização do Fantasporto - este ano a celebrar a 30.ª edição - mais aposta a nível de programação paralela, através de demonstrações (inclusivamente na rua e também na sessão oficial de abertura), conferências e filmes, como "Robocop" (hoje, no pequeno auditório, às 21.45) ou "Tetsuo 2" (a exibir amanhã, às 21.30, no grande auditório). Peter Corke e Aníbal Ollero são os convidados das conferências sobre robótica que se realizam, respectivamente, quinta e sexta-feira. De hoje até domingo, haverá demonstrações no terceiro piso do Rivoli.

O edifício do teatro municipal estará este ano completamente ocupado com as actividades do Fantas, visto que não foi possível garantir a tenda gigante que habitualmente era instalada na vizinha Praça D. João I. Na noite de sexta-feira, o movimento irá intensificar-se por ocasião da abertura do festival, às 20.30 horas. Será projectado o filme "Solomon Kane", com realização de Michael J. Bassett e produção de Samuel Hadida, dois dos convidados deste ano.

Da 30.ª edição do Fantasporto destacam-se ainda a homenagem ao cineasta Luís Galvão Teles e a retrospectiva do cinema francês. O festival termina a 7 de Março.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Estreia da Peça "Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico"


in Literatura Very Light por Nuno Gervásio

Foi ontem a antestreia da peça “Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico” no Instituto Franco-Português. Só hoje respiro mais fundo. Só agora, depois do stress e da adrenalina consigo dizer umas palavras sobre esta peça e o meu papel nela.

Tudo partiu de um honroso convite da nova companhia Royal Teatro Livre por iniciativa da minha querida amiga e actriz Maria Eduarda Dias, que acreditou que eu seria capaz de pegar no texto do autor francês Philippe Minyana e escrever esta peça. Uma peça de um puzzle de duas peças que se entrelaçam e completam. O desafio foi criar as pontes entre a personagem da mãe (Debora) que existia apenas na voz da filha (Elizabeth) e dar-lhe o corpo, a existência que faltava. São os sonhos e ambições (falhadas) na vida na mãe e os sonhos e ambições da filha o que as une. É o desejo se ser algo mais do que aquilo que se é, é a liberdade e necessidade de evasão que atravessa as suas vidas, que se cruzam anseios e frustrações, e que no fundo acabam por ser o espelho uma da outra. E foram estas hiperligações de sentimentos e esperanças que me pediram que encaixasse, que desse coesão na linguagem e na abordagem e que no final o ciclo se completasse. Não sei se o consegui na plenitude, espero que tenham a curiosidade de assistir à peça e a ousadia de me transmitirem a vosso percepção. Seja ela qual for.

Esta foi a minha primeira experiência de escrita mais densa e mais a sério para teatro. Fiquei com o bichinho da escrita para palco e com vontade de voltar a ele rapidamente. O teatro tem uma amplitude mágica que não tem equivalente em mais nenhuma arte. Se pensarmos bem aquilo que agora se começa fazer em cinema, a grande moda dos filmes em 3D, não é mais do que aquilo que no teatro já se faz há centenas e centenas de anos. Ah, pois é.

Para terminar, tenho de deixar aqui os meus parabéns e agradecimentos à encenadora Luísa Ortigoso que fez um trabalho maravilhoso e que ajudou a Maria a encontrar a voz da Debora dentro de si.

E claro, louvar a Maria Eduarda Dias pelo seu magnífico trabalho, pelo(s) desempenho(s) brilhante(s), pela forma como valorizou, acrescentou e deu vida às palavras que apenas pus no papel. E sobretudo acarinhá-la pela coragem e pela força para carregar com estas duas mulheres às costas nos últimos tempos. A avaliar pela monumental transfiguração da Maria (que até levou algumas pessoas a pensar que era outra actriz), carregar com o peso da Débora não pode ser tarefa fácil.


Elizabeth e As Águas Verdes do Pacífico

De 9 a 21 de Fevereiro / 4ª a sábado / 21h30 / Instituto Franco-Português


Ficha Artística:

Encenação: Luísa Ortigoso
Interpretação: Maria Eduarda Dias
Tradução e adaptação: Maria Eduarda Dias
Autores: Philippe Minyana e Nuno Gervásio
Desenho de Luz: Vasco Letria
Figurinos: Ana Brum
Produção: Royal Teatro Livre

Dia 11 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro
Dia 13 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Associação Amigas do Peito
Dia 20 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Aministia Internacional - Direitos das Mulheres.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Companhias e criadores unem-se contra “falta de política cultural municipal” no Porto

in Público 08/02/10

Pelo menos 15 companhias e criadores da área do teatro, dança e cinema do Porto decidiram alugar uma sala para apresentar espectáculos regularmente, numa resposta à falta de “uma política cultural municipal”.

“Há um desinvestimento muito grande da Câmara do Porto nas infraestruturas da cidade, em salas médias, para companhias que ainda se estão a afirmar ou que não são subsidiadas”, observou, em declarações à Lusa, Ivo Bastos, da companhia de teatro Palmilha Dentada, um dos mentores da ideia.

Assim, o movimento, que reúne várias companhias e artistas em nome individual e que recebeu a designação de “Variação da Cultura”, alugou a Sala - Estúdio Latino, do Teatro Sá da Bandeira onde, a partir de quinta-feira, começa a apresentar uma programação “continuada e diversificada”.

O aluguer é, para já, apenas por seis meses, porque foi esse o período para o qual foi possível “assegurar a programação”, mas também porque o projecto terá de passar por um “período de experimentação”, embora a vontade seja “para continuar”, refere Ivo Bastos.

“Queremos mostrar que esta cidade merece um tratamento um bocadinho melhor do que está a ter, ao nível da cultura, porque desapareceu a intenção de fazer cultura na cidade”, observa.

Em comunicado enviado à Lusa, o colectivo “Variação da Cultura” considera “insustentável” que, numa cidade com quatro escolas de teatro, não exista “capacidade de acolhimento aos jovens grupos que naturalmente se vão formando”.

O grupo refere, ainda, que “numa cidade que se pretende cosmopolita e dinâmica, é incompreensível não existirem infraestruturas capazes de acolher projectos de média dimensão, com as valências técnicas necessárias a um bom acolhimento de público”.

Nos próximos meses, as noites de quarta a domingo da Sala - Estúdio Latino vão ser ocupadas com espectáculos de teatro: quinta-feira é o dia um da programação, que começa com a reposição de “Norma”, da Palmilha Dentada. Está, ainda, prevista, a estreia de “O Escadote”, da companhia Tenda de Saias, de “Não”, de Hélder Guimarães e de “Rädda”, do colectivo Segunda Vez.

A programação inclui, também, as reposições de “Noites Brancas”, da companhia Chão Concreto e de “Confissões de um Carrasco Na Hora de ir para a Cama”, do Mau Artista.

As tardes serão ocupadas com espectáculos para crianças (durante a semana para escolas, e aos sábados e domingos para o público em geral). Já agendadas estão as peças “Xata”, da Tenda de Saias, “João Sem Medo”, da Confraria das Estórias, “Gil Vicente”, do Mau Artista, e “Caça Palavras”, do Teatro do Frio.

As terças-feiras, de Março a Maio, vão ser dedicadas a ciclos temáticos (de cinema ou dança), seguidos de conversas.

A organização estima que, ao longo dos seis meses da programação, “serão realizadas 220 sessões de 24 programas de 15 companhias e criadores diferentes, envolvendo 87 profissionais do espectáculo”, esperando “15 mil espectadores”.

Vera Castro, autora de imagens fortes

in Público 08/02/10

Na dança, no teatro, nas artes plásticas, na ópera – e nos figurinos, nos cenários, na pintura. Vera Castro, que morreu na madrugada de hoje de doença oncológica aos 63 anos, tocou várias disciplinas e leccionou na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). A artista evoca sentimentos fortes, da “inveja” amigável ao “peso” de fatos e recordações de perda.

De Olga Roriz a Ricardo Pais, passando por João Lourenço, José Wallenstein, Né Barros, Jorge Listopad, Filipe La Féria, Cucha Carvalheiro ou Rui Lopes Graça, Vera Castro trabalhou com os mais conhecidos encenadores, coreógrafos e compositores na cenografia e figurinos. Em 1993, o seu trabalho na peça "Estrelas da Manhã" mereceu-lhe o Prémio da Crítica de Cenografia.

“Com pena minha só trabalhou comigo como figurinista e não como cenógrafa”, confessa Ricardo Pais ao PÚBLICO, no Teatro D. Maria II e no Teatro Nacional São Carlos. Gostou de trabalhar com alguém fácil no trato e com um gosto próximo do seu. E lembra: “Sempre me fez inveja o trabalho que fez para a Olga Roriz. Os figurinos de "Isolda" [1990, Ballet Gulbenkian, em memória de Madalena de Azeredo Perdigão] são inesquecíveis”. “A amizade que nos uniu desde o primeiro dia de regresso a Portugal após o 25 de Abril é tão grande quanto a admiração que tenho hoje por ela”, rematou o encenador.

Hoje, o Ministério da Cultura manifestou a sua “maior consternação pelo falecimento da artista plástica Vera Castro, cuja actividade criativa foi amplamente reconhecida pelos mais prestigiados profissionais na área da dança, do teatro e da ópera em Portugal”, destacando a sua actividade na docência, “no âmbito da qual muito contribuiu para a qualificação de novos profissionais das artes”.

Olga Roriz, amiga de Vera Castro há cerca de três décadas, sente ainda o peso dos figurinos de "Isolda". “Foi o nosso momento de união profissional, foram aqueles belíssimos fatos – ainda hoje me falam ‘daquela peça com os fatos vermelhos’”, recorda a coreógrafa. Sendo sobretudo figurinista de teatro, Vera Castro vestiu Isolda de forma “mais preciosa”, comenta Olga Roriz. A peça regressou na temporada 2008/9, desta feita ao Teatro Camões, pela mão da Companhia Nacional de Bailado, e para isso a coreógrafa andou, com Vera Castro, à procura dos fatos desaparecidos e a recolher outros para os repôr em cena. “Se tivesse trabalhado com outro figurinista, ir retirar o peso dos fatos, a dificuldade que era dançar com eles. Pesavam quilos, eram uma sensação de segunda pele e uma mais-valia à coreografia. Eram quase armaduras, dancei com eles e impunham-se na coreografia e na personagem”, enfatiza.

Reformada desde 2007 da ESTC, que ontem assinalava a “grande perda para a cultura em Portugal” que representa a morte de Vera Castro, a profissional esteve internada no Instituto Português de Oncologia (IPO), em Lisboa, durante uma semana. Vera Castro nasceu em Angola em 1946 e desenvolveu também trabalho como pintora – o seu trabalho está na colecção do Ministério da Cultura e em colecções particulares, tendo exposto, entre outros espaços culturais, na Casa da Cerca, em Almada (2002), e na Galeria do Teatro Municipal de Almada (2007).

O funeral de Vera Castro sai amanhã da Basílica da Estrela o Alto de São João, onde o corpo será cremado pelas 11h.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Teatro Nacional São João sofre cortes programáticos

in Diário Digital 07/02/10

Cortes na programação e suspensão da internacionalização do Teatro Nacional São João são algumas das consequências resultantes do valor da indemnização compensatória prevista no Orçamento do Estado para 2010, alertou a presidente do conselho de administração.
Francisca Carneiro Fernandes disse à Lusa que apesar de ter «esperança» que esta questão da indemnização compensatória se subverta, tudo indica que aquilo que o Teatro Nacional São João (TNSJ) irá receber pelo Orçamento do Estado para 2010 seja igual ao valor do ano passado (que já se repete desde 2007): 4,9 milhões de euros.

«Isto representa estar a gerir e a programar numa situação de subfinanciamento completo, ou seja, o montante de orçamento - a que acrescem as receitas próprias que conseguimos angariar e o mecenato - não é suficiente para as despesas mínimas e para o serviço público que gostaríamos e estamos obrigados a prestar», explicou a presidente do conselho de administração.

O facto do TNSJ ter acolhido, ao longo dos anos, mais estruturas - neste momento são quatro edifícios, entre os quais o próprio São João, o Teatro Carlos Alberto, o Mosteiro de São Bento da Vitória e um quarto espaço para adereços e figurinos - e ter um valor de orçamento equivalente àquele que tinha quando era apenas uma casa faz com «haja bastante menos dinheiro para programar e para promover o que se está a programar».

«Não há cortes, o que não há é o crescimento do orçamento correspondente ao crescimento de estruturas e ao mérito que eu acho que é reconhecido relativamente a nós», afirmou a responsável.

Para Francisca Carneiro Fernandes os cortes programáticos que o director artístico, Nuno Carinhas, se viu obrigado a fazer e o facto da internacionalização estar praticamente cancelada, «é um retrocesso sério, que tem consequências sérias», não sabendo a responsável se depois será possível «recuperar os passos para trás».

Novo projecto quer aliar cultura e turismo em Lisboa

in Diário Digital 07/02/10

A criação de um plano estratégico que alie a cultura e o turismo, com a participação ativa de museus, monumentos e outros espaços culturais, é o objetivo de um projeto que vai ser apresentado terça feira, em Lisboa.
Iniciativa conjunta do comité português do Conselho Internacional de Museus (ICOM PT), Museu Colecção Berardo e a INDUSCRIA_Plataforma Para a Indústrias Criativas, o encontro, que decorrerá a 09 de fevereiro no Museu Colecção Berardo, é composto por uma reunião de trabalho e uma conferência aberta ao público.

A génese desta iniciativa deu-se no ano passado, quando, em maio, diretores de vários museus e monumentos da zona de Belém/Ajuda, se reuniram para discutir os problemas e soluções daquelas instituições, com o objetivo último de trabalhar e desenvolver iniciativas em rede.

Luís Serpa, o mentor da Plataforma Para as Indústrias Criativas, que acompanhou o encontro dos diretores do Museu Berardo, Museu da Electricidade, Museu dos Coches, Mosteiro dos Jerónimos e Museu de Arqueologia, entre outros, disse à Lusa que apresentou então uma proposta para estender a ideia a outras áreas de Lisboa.

«A ideia é considerar Belém/Ajuda como um projeto âncora mas, ao mesmo tempo, criar um itinerário mais amplo, num eixo que vá de Algés até ao Terreiro do Paço, e se prolongue até ao Parque das Nações, e até incluir outros percursos», neste novo mapa da cidade, idealizado para juntar sinergias da cultura e do turismo.

Luís Serpa ressalvou que o processo em curso «não é para criar um plano de ação, mas dar um contributo às entidades oficiais, tendo em conta os vários planos estratégicos já existentes», nomeadamente o recente plano para o sector dos museus nacionais apresentado pelo Ministério da Cultura.

Na opinião do responsável, «na relação entre museus e indústrias criativas continua a haver uma tensão entre tradição e inovação. Os museus têm os conteúdos, mas estão um bocado passivos, e poderiam ser mais ativos».

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Canavilhas escolhe dez personalidades para o Conselho Nacional de Cultura

in Público 03/02/10

O ensaísta Eduardo Lourenço, o arquitecto Siza Vieira, o encenador Ricardo Pais e o economista Augusto Mateus são algumas das dez personalidades escolhidas pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, para integrar o Conselho Nacional de Cultura (CNC), um órgão que será agora activado.

O Ministério da Cultura anunciou ontem em comunicado a activação do CNC, órgão consultivo do ministério e dos seus organismos e serviços. Criado inicialmente em 1996 quando Manuel Maria Carrilho foi ministro da Cultura (e já nessa altura integrava Eduardo Lourenço), o CNC surgiu novamente numa versão mais alargada em 2006, mas nesse modelo permaneceu até agora sem ser activado. O conselho integra “um vasto leque de figuras de várias associações e instituições”, para além das dez personalidades “designadas por nomeação e escolha pessoal da ministra”. Para além das já citadas, este grupo inclui o musicólogo Rui Vieira Nery, o programador Jorge Salavisa, a escritora Inês Pedrosa, a jornalista Paula Moura Pinheiro, o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro e o crítico de cinema João Lopes. No âmbito do CNA serão criadas duas novas secções especializadas: artes e tauromaquia.

Ricardo Pais disse ao PÚBLICO que julga que a ministra “pretende utilizar as dez personalidades como um órgão consultivo mais personalizado, ao qual pode recorrer de forma mais formal ou mais informal”. O encenador diz não ter dúvidas que “juntas [as dez personalidades] poderão discutir algumas coisas com muita maturidade” e, além disso, “ser ouvidas individualmente em relação a questões específicas das suas áreas”. Tenciona “ter uma participação muito crítica, até porque tenho uma enorme experiência como director de instituições públicas durante muitos anos”.

Inês Pedrosa também considera a activação do CNC uma medida importante, que, aliás, defendera no manifesto Por Uma Cultura para o Século XXI, que assinou, ao lado de muitas outras figuras da cultura, no ano passado. “Aceitei porque acho que é sempre melhor ouvir as pessoas do que não as ouvir, e tenho toda a boa vontade em contribuir para isso”.

Para além das dez personalidades, o CNC é composto pelos membros do Governo com competências na área, os presidentes das secções especializadas, um representante do Centro Português de Fundações, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, do Conselho Nacional de Reitores das Universidades Portuguesas, do Conselho Nacional de Consumo e da Conferência Episcopal Portuguesa. Pode reunir em plenário ou em secções especializadas.

Um exemplo muito concreto das funções do CNC: o órgão deve dar pareceres sobre as candidaturas de museus à Rede Nacional de Museus. Pertencer a esta rede é uma condição essencial para um museu poder, por exemplo, candidatar-se a fundos europeus. Sem o parecer – situação que existia até agora – os museus ficavam impedidos de recorrer a esse tipo de financiamento.

Rembrandt e Goya na Gulbenkian

in DN 03/02/10

Obras raras de Rembrandt e de Goya vão estar entre as 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII da exposição A Natureza Morta na Pintura Europeia, que inaugura no dia 12 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A primeira mostra internacional dedicada a este tema em Portugal será apresentada em duas partes: a primeira até 2 de Maio e a segunda, com a produção dos séculos XIX e XX, entre 21 de Outubro e 8 de Janeiro de 2012.

Na primeira exposição, intitulada A Perspectiva das Coisas: a Natureza Morta na Europa, séculos XVII a XX, serão também exibidas obras de Chardin, Fede Galizia, Juan Fernandéz, El Labrador, Paolo Porpora, Juan de Zurbarán e Juan Sánchez Cotán. As obras, segundo a Fundação, "de invulgar qualidade", provêm de colecções privadas e museus, como a National Gallery (de Washington), o Metropolitan Museum (Nova Iorque), o Louvre (Paris), o Prado (Madrid), o Rijksmuseum (Amesterdão), o Mauritshuis (Haia), a National Gallery (Londres). A exposição é comissariada por Peter Cherry, especialista em natureza morta espanhola e italiana.

Almada abre os palcos às artes teatrais

in DN 03/02/10

Este mês, teatro muda-se para o outro lado do Tejo, onde 19 peças sobem à cena.

A partir de sexta-feira e até dia 27, a margem sul do Tejo abre palcos nas ruas, nos auditórios e nas salas de espectáculos para a 14.ª Mostra de Teatro de Almada. Entre companhias profissionais e amadoras, há 19 peças, entre elas dez estreias absolutas.

O evento abre, na sexta-feira, com os espectáculos Peça para Dois, de Tennessee Williams, encenada pela Barraca, e Thetron , pela Artelier, uma companhia de teatro de rua cujo trabalho se enraíza na pesquisa etnográfica.

A mostra, organizada pela Câmara Municipal de Almada, aposta este ano num programa que põe em cena várias criações originais, bem como obras de autores clássicos e contemporâneos, como Adília Lopes, Clarice Lispector, Jean-Luc Lagarce, Manuel António Pina, Fausto Paravidino, Gil Vicente, Molière e Federico García Lorca.

As novas abordagens teatrais, o cruzamento com outras linguagens artísticas é outro dos focos desta mostra, na qual se podem ver os trabalhos Son(h)o, e Vende--se País Solarengo com Vista para o Mar, pelo Ninho de Víboras, ou Avesso, criada pelo colectivo Menina dos Meus Olhos, que cruza a dança com teatro.

A par com os projectos mais vanguardistas surgem repertórios mais clássicos como o caso da Companhia de Teatro de Almada onde Teresa Gafeira encena O Barbeiro de Sevilha, a partir da obra de Rossini.

Já o grupo O Grito coloca em cena A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, enquanto o Teatro da Academia dá voz a Gil Vicente e ao seu Auto da Barca do Inferno.

Esta parceria entre a autarquia de Almada e os grupos teatrais do concelho tem como objectivo promover e divulgar a diversificada produção teatral realizada em Almada. Os espectáculos realizar--se-ão nos seguintes espaços: Teatro Municipal de Almada, Auditório Municipal Fernando Lopes- -Graça, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas, FCT - UNL e Auditório da Pluricoop.

Também na sexta-feira, o Teatro Municipal de Almada dá início ao ciclo comemorativo do bicentenário do nascimento de Chopin e Schumann, com uma récita do pianista António Maria Cartaxo, que inclui obras de Beethoven, Chopin, Scriabin e Schumann. O programa do ciclo, que se estende até Junho, inclui um concerto de Schumann pela Orquestra Divino Sospiro, um recital de piano de Jorge Moyano e um concerto do Quarteto com Piano de Moscovo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

«Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico» estreia dia 9

in Diário Digital 02/02/10

«Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico», de Philippe Minyana e Nuno Gervásio, vai estrear no próximo dia 9, pelas 21:30, no Instituto Franco-Português, em Lisboa. A peça ficará em cena até dia 21, de quarta a sábado, sempre no mesmo horário.

A obra, uma junção de dois monólogos, conta a história de duas mulheres, «tipicamente portuguesas, nascidas sob o fatalismo que assombra esta cultura», que lutam contra o conformismo, confundindo, «sem se questionar, o que elas são e o que as rodeia», avança a produção.

A Mãe, que em tempos sonhou, mas perdeu a capacidade de sonhar, tem uma vida oca, «longe de se parecer com os artidos das revistas cor-de-rosa que ela lê e analisa». E Elizabeth, que sonha com a coroa de Miss, arquitecta planos no seu quarto para poder evadir-se. «Enquanto a Mãe já não espera que nada mude, Elizabeth traz em si um laivo de frescura que nos faz desejar que todos os seus projectos se croncretizem», continua o comunicado.

«É a palavra em fusão, um emaranhado de questões existenciais subtis, escondidas na futilidade das histórias contadas, numa urgência extremamente forte, quase vital. (…) Duas histórias humanas, reais, que se completam. Um retrato fiel de uma sociedade, de duas gerações. Uma luta contra o deixe-se estar, a outra é uma ode aos sonhos e à esperança», ressalva a produção, da Royal Teatro Live.

Com encenação de Luísa Ortigoso, a peça «é sobre a vida humana como matéria-prima do teatro». Protagonizada por Maria Eduarda Dias, também responsável pela tradução e adaptação, «Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico» pretende levar o público a criar opiniões e consciência, assim como a reconhecer-se no que se passa em cena. «Estas duas personagens são parte de nós, são família, são vizinhas», diz a sinopse.

Com o apoio do Instituto Franco-Português e do Centro Nacional de Cultura, a peça conta ainda com figurinos de Ana Brum, sendo que o desenho de luz é da responsabilidade de Vasco Letria.

Sócrates lançou obra do Museu dos Coches, "sinal claro de investimento na Cultura"

in Público 02/02/10

Não se tratou exactamente do lançamento de uma pedra, mas antes do revelar de um tijolo - mas isso não impediu que a cerimónia anunciada como o lançamento da primeira pedra do novo Museu dos Coches, ontem, na Avenida da Índia, em Belém, fosse transformada pelo Governo num acontecimento no qual o primeiro-ministro, José Sócrates, fez questão de estar presente.

Depois de um atraso de vários meses - devido à dificuldade na transferência de serviços ligados ao ex-Instituto Português de Arqueologia que funcionavam no local, as antigas Oficinas Gerais de Material do Exército (OGME) - o projecto do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha deverá finalmente arrancar.

Quando a obra estiver concluída, o que, segundo a directora do Museu dos Coches, Silvana Bessone, deverá acontecer no final de 2011, o museu mais visitado do país passará a ter dois pólos em Belém: nas instalações históricas, o antigo picadeiro, ficará um núcleo de oito coches do século XVIII; no novo edifício projectado por Mendes da Rocha ficarão perto de 80 coches. Em Vila Viçosa continuará a existir um terceiro pólo, com 44 veículos "mais ligados ao meio rural".

O programa museológico prevê ainda que o novo edifício inclua oficinas para a conservação e restauro de veículos hipomóveis. A ideia, explicou a directora, é que o museu seja "gerador de desenvolvimento económico", e possa assegurar a manutenção tanto dos próprios coches como de veículos de outros países. "Tendo nós a colecção de coches mais importante do mundo, somos muitas vezes contactados para saber se podemos fazer restauro, mas até agora nunca tivemos oficinas". Para os visitantes, haverá dois percursos de visita de diferente duração "para melhor responder às necessidades manifestadas pelos operadores turísticos".

Tirando estes esclarecimentos, a cerimónia de ontem num dos vários edifícios ainda em pé nas antigas OGME, não trouxe mais novidades sobre o projecto arquitectónico ou o conteúdo do novo museu. Coincidindo com os 100 dias do Governo Sócrates, serviu sobretudo para lançar uma obra que, disse o primeiro-ministro, é um "sinal claro de investimento numa área cultural e museológica", um "investimento na arquitectura" ("sempre tive a mania de que percebia alguma coisa de arquitectura", confessou) e um sinal de que "Lisboa não desiste da sua ambição cosmopolita e universal".

Mendes da Rocha, também presente, reforçou a ideia de que o museu será elevado do chão, criando por baixo um espaço de passagem, para "não ser um transtorno no passeio a pé". António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa - que se tinha oposto a um silo automóvel junto ao rio, previsto no projecto inicial e do qual Mendes da Rocha acabou por abdicar - não poupou elogios ao arquitecto brasileiro. E sublinhou que este projecto faz parte do objectivo de ter obras de arquitectos dos cinco continentes na zona ribeirinha. "Falta-nos a Oceânia", disse. "Arranjaremos um projecto para convidar um arquitecto da Oceânia", prometeu-lhe Sócrates de seguida.

A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, aproveitaram a ocasião para sublinhar "a lógica de cumplicidade" entre o Turismo e a Cultura - uma lógica que passa por um forte apoio financeiro do Turismo a projectos culturais, entre os quais o Museu dos Coches (financiado com 31 milhões de euros provenientes da concessão do Casino). "A Cultura deve muito ao Turismo", reconheceu Canavilhas. "Mas é um empréstimo", acrescentou, dando a entender que este é um investimento que trará também benefícios ao sector turístico.

Sócrates: Revisão do estatuto do artista vai avançar em breve

in Diário Digital 02/02/10

O primeiro-ministro afirmou hoje que o PS apresentará brevemente um projecto de revisão do estatuto do artista, com incidência na proteção social, e reconheceu «deficiências» do seu primeiro Governo na execução dos fundos comunitários da agricultura.

As posições de José Sócrates foram assumidas num encontro com cem jovens de diversas áreas da sociedade portuguesa, no Parque das Nações - iniciativa integrada no programa que assinala cem dias de executivo minoritário socialista.

Durante a sessão, que durou quase duas horas, uma das poucas queixas partiu de um jovem escritor, que lamentou os mecanismos de proteção social aplicados aos artistas, o que levou o primeiro-ministro a responder que a deputada socialista independente Inês Medeiros, também vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, está já a preparar um projecto de lei sobre esse tema.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Construção do novo Museu dos Coches começa segunda-feira

in Público 29/01/10

A primeira pedra do novo Museu Nacional dos Coches, na Avenida da Índia, em Belém, vai ser lançada na segunda-feira às 15h30, numa cerimónia onde estará a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, anunciou hoje o Ministério da Cultura. O arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, autor do projecto, também estará presente.

Depois de vários atrasos ligados à transferência de serviços, algumas das colecções de arqueologia que se encontravam nas antigas instalações das Oficinas Gerais de Material do Exército, na Avenida da Índia, estavam ontem a ser transferidas para o Museu Nacional de Arqueologia (MNA), nos Jerónimos. O director do MNA, Luís Raposo, disse ao PÚBLICO que aceitou receber as colecções com relevância nacional, que serão agora integradas no acervo do museu.

Também alguns serviços, como o Centro de Investigação Paleo-Ecologia Humana e Arqueo-Ciências (CIPA) passarão a funcionar, provisoriamente, nas instalações do MNA. A Biblioteca de Arqueologia tinha já sido transferida para o Palácio da Ajuda.

Nenhum dos serviços ligados à Arqueologia foi instalado na Cordoaria Nacional, como chegou a estar previsto. O protocolo estabelecido entre o Ministério da Cultura e o da Marinha, que previa que esta cedesse a Cordoaria para os serviços de arqueologia ligados ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) em troca da devolução da chamada Torre Oca (actualmente usada pelo MNA) ao Museu da Marinha, acabou por não ser aplicado.

CultRede apresentada hoje em Leiria

in Diário Digital 29/01/10

A CultRede, rede que pretende aumentar a oferta cultural em 18 concelhos do país, contando com uma verba de 1,9 milhões de euros, é hoje apresentada no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

O vereador com o pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, entidade que lidera o projecto, explicou que a CultRede quer «descentralizar, diversificar e qualificar a oferta cultural, e facilitar o acesso das populações à criação e fruição culturais».

«O que se deseja é criar uma dinâmica em rede para que os concelhos envolvidos proporcionem espectáculos a preços mais acessíveis às populações», acrescentou Gonçalo Lopes, salientando as sinergias obtidas através da CultRede ao nível da divulgação ou dos custos para os municípios.

Prémio para televisão regressa pela mão da RTP

in DN 29/01/10

Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, RTP apresenta hoje os Prémios Autores, que incluem a categoria Televisão.

A RTP apresenta hoje o Prémio Autores 2010, que inclui a categoria Televisão, cinco anos após a tentativa frustrada da Associação Portuguesa de Produtores Independentes de Televisão para criar um prémio para o sector, e depois de a SIC ter retirado esta disciplina dos seus Globos de Ouro por causa da polémica na atribuição dos prémios nesta categoria.

Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), a iniciativa vai premiar nove disciplinas de criação artística: Cinema, Rádio, Dança, Música, Literatura, Teatro, Televisão, Artes Visuais e Publicidade. Para cada categoria foi nomeado um júri com elementos ligados a cada uma das disciplinas liderado por um presidente que tem voto de qualidade.

Jorge Leitão Barros, crítico de cinema, que presidiu ao júri da categoria Cinema e integrou o da Televisão, afirmou ontem ao DN que "a escolha dos nomeados não foi difícil em nenhuma das categorias, mas foi mais fácil no cinema". "A maior oferta no caso da televisão tornou as escolhas menos óbvias", justificou. No primeiro caso, existem três categorias: Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Actor. No segundo, serão atribuídos prémios ao Melhor Programa de Informação, de Ficção e de Entretenimento.

Eugénia Vasques, presidente do júri que decidiu as nomeações na categoria de Teatro, adiantou ao DN que "apesar das propostas dos elementos do júri terem sido muito diversificadas, não foi complicado chegar a um consenso". E uma pequena incursão nas redes sociais revela alguns dos nomeados. Tânia Alves, Custódia Galego e Sílvia Filipe são as nomeadas para Melhor Actriz. Virgílio Castelo, Gonçalo Waddington e Henrique Feist são os nomes apontados para Melhor Actor. José Manuel Castanheira é um dos nomeados para a Melhor Cenografia.

Mas, quanto a vencedores, Jorge Leitão Ramos assegura que nem os membros do júri sabem. "A votação final foi feita em envelopes fechados que estão guardados na SPA", explica.

Esta iniciativa "é uma forma de dar visibilidade aos autores e sensibilizar as pessoas para o quanto os autores são prejudicados pelos downloads ilegais", afirmou ao DN João Lourenço, administrador da SPA que está encarregado da gala. A SPA é responsável pela atribuição do Prémio Vida e Obra e Melhor Trabalho Autárquico na área da Cultura. A gala vai ser transmitida em directo pela RTP, a partir do Centro Cultural de Belém, no dia 8 de Fevereiro.

Um palco só para Olga Roriz

in DN 29/01/10

Aos 54 anos, a bailarina volta a protagonizar um solo. 'Electra' estreia-se quinta-feira no Teatro Camões, Lisboa.

"A minha necessidade de fazer solos é constante", diz a coreógrafa e bailarina Olga Roriz. "Mesmo quando estou a trabalhar intensamente noutras coreografias com a companhia, os solos ficam à espera de um espaço, de um tempo, de uma ideia, mas estão sempre atentos." Assim que viu a sua oportunidade, apareceu Electra . Foi surgindo como uma sombra. Apoderou-se dela. Até à explosão do palco. O espectáculo - que integra as Comemorações do Centenário da República - estreia-se quinta-feira no Teatro Camões, em Lisboa, onde fica em cena até domingo. Aqui, Olga Roriz tem, novamente, o palco por sua conta.

Quando, há dez anos, estreou, nas ruínas de Montemor-o-Velho, Os Olhos de Gulay Cabbar , a dúvida já se impunha: para uma bailarina a idade é um limite ou um desafio? Nem um nem outro, parece dizer Olga Roriz. "É óbvio que há uma dureza física. Há coisas que já não consigo fazer. Mas também há uma maior maturidade, sei exactamente aquilo que quero e posso fazer. Como bailarina-coreógrafa trabalho ergonomicamente, já não me proponho fazer aquilo que é impossível. Trabalho com o material que tenho."

Olga Roriz não se imagina a parar de dançar. "Sou uma bailarina acima de tudo e ainda há muitas coisas para dizer e para mostrar." Além disso, há o prazer. E deste prazer não se abdica: "Gosto muito de estar no palco. Gosto da exposição. São momentos muito especiais." Como coreógrafa, precisa também destes solos onde, trabalhando sozinha no estúdio, se sente a rejuvenescer: "O meu corpo fica alerta, vivo, faz-me descobrir imensas coisas e isso nota-se quando, depois, vou trabalhar com outros corpos."

"Electra surgiu-me como surgiram as Troianas, Pedro e Inês ou Isolda. São histórias de pessoas que têm a ver com o nosso imaginário", explica a coreógrafa. A sua primeira impressão foi que estava perante uma personagem "complexa, rica e solitária". "A história de Electra só me interessa como ponto de partida. O amor do pai, o ódio à mãe. Ela tem uma imagem muito forte."

Na mitologia grega, Electra, filha de Agamemnon e da rainha Clitemnestra, é uma mulher determinada que, revoltada pela morte do pai (às mãos de Egisto, amante de Clitemnestra), decide vingar-se e convence o irmão, Orestes, a matar a mãe. Na psicanálise, o complexo de Electra é a versão feminina do complexo de Édipo, designando o desejo da filha pelo pai. Mais do que isto descobriu Olga Roriz ao longo da sua intensa pesquisa. "Li todas as Electras e tudo o que havia sobre a Electra. Vi tudo." Electra foi personagem em tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides e, ao longo dos tempos, a sua história tem inspirado os autores mais diversos, de T. S. Elliot a Jean Paul Sartre ou Marguerite Yourcenar. Fizeram-se peças, óperas e filmes (veja-se, por exemplo, como o mito é actualizado Mal Nascida, o último filme de João Canijo).

De tudo o que leu, Olga Roriz sentiu-se mais tocada por duas versões: a do norte-americano Eugene O'Neil em Morning Becomes Electra (1931) e a Electra do francês Jean Giraudoux (1937). De O'Neill guardou sobretudo "o lado espacial, aquele palácio de onde ela não sai, como se estivesse presa", enquanto Giraudoux lhe mostrou "o lado mais feminista" de Electra, "uma mulher muito forte e reivindicativa, com muita personalidade".

Seguiu-se então um trabalho mais de dramaturgia, feito a meias com Paulo Reis, seu antigo colaborador. "Fomos dissecando aquela mulher, escrevendo frases, sensações, pontos de partida para reflexões, motes para improvisações." É preciso saber tudo, pensar em tudo, para depois tudo esquecer no momento da criação - é mais ou menos assim o método de Olga Roriz. "Quando vou para estúdio, abro o caderno e fecho-o logo a seguir. Naquele momento, isto já tem que estar cá dentro", conta.

A personagem surge de dentro para fora. Por isso, não se espere encontrar Electra em Electra. É uma aproximação muito própria. Olga Roriz entra e sai da personagem, aproxima-se e afasta-se. "É uma construção arriscada, vai ser um embate para o público", prevê a coreógrafa. Electra aparece, senta-se, lamenta-se, não faz nada, deixa-se estar, espera. Espera muito. "É incansável nesta espera pelos seus objectivos", diz Olga Roriz. "É a minha Electra."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orçamento da Cultura cresce 12,8 por cento, para 236,3 milhões de euros

in Público 27/01/10

O Ministério da Cultura vê o seu orçamento para 2010 crescer em 12,8 por cento em relação à estimativa de execução do ano passado para um total de 236,3 milhões de euros. A despesa consolidada em 2009 foi de 209,5 milhões de euros.

No final da última legislatura, o primeiro-ministro, José Sócrates, assumiu como erro ter investido pouco na Cultura. Apesar disso a cultura representa só 0,4% das despesas da administração central (em 2009 esse número era 0,3 por cento) e os gastos com a Cultura para 2010 correspondem a 0,1 por cento do PIB.

Os serviços e fundos autónomos tutelados pela Cultura absorvem uma dotação de 89,6 milhões de euros, o que representa uma subida de 0,6% em relação ao ano anterior.

Este aumento é devido sobretudo à actividade do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e do Instituto dos Museus e da Conservação. Do conjunto dos projectos de investimento de montante superior a 5 milhões de euros destacam-se os referentes ao apoio às artes e à Casa da Música.

Os três eixos prioritários do Ministério da Cultura continuam a ser a Língua, o Património e as Artes e as Indústrias Criativas e Culturais.

No plano orçamental o objectivo é promover “o rigor na gestão e o aumento das parcerias e do funcionamento em rede com instituições públicas e privadas”. E o Ministério da Cultura assume como eixo fundamental da estratégia cultural “uma política da língua, uniformizada e eficaz” promovendo a “progressiva validação prática do acordo ortográfico e da sua generalizada opção”.
Vão ser lançadas as bases de um programa de rede de bibliotecas públicas (numa colaboração da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas com a Biblioteca Nacional e do Livro de Cabo Verde e o Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa de Moçambique), realizar-se várias feiras do livro nos países da CPLP e será também lançado o Projecto Língua, Música, Teatro, Literatura e Culinária em articulação com o Brasil.

No património assumirá grande destaque o Programa Estratégico Rede de Cidades e Mosteiros Portugueses — Património da Humanidade (2009-2012), desenvolvido pelo IGESPAR, em parceria com os municípios de Lisboa, Alcobaça, Batalha e Tomar.

Será ainda revisto o funcionamento do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual e reforçada a actuação do Instituto de Cinema e Audiovisual. A Cinemateca lançará o projecto de uma base de dados que permitirá aceder através do seu website a conteúdos como a filmografia portuguesa, a biblioteca e o arquivo fotográfico, a objectos museográficos e objectos digitais.

Em causa está a necessidade de dotar os artistas do espectáculo do mesmo tipo de protecção social de que usufrui qualquer outro trabalhador por conta

in Público 27/01/10

Carlos Costa, actor da companhia de teatro Visões Úteis e dirigente da associação Plateia, congratula-se com a anunciada intenção do Partido Socialista de introduzir alterações na lei que rege os contratos de trabalho dos profissionais das artes do espectáculo, mas avisa que uma lei, mesmo sendo boa, não serve de muito se não funcionar na prática.

Em causa está a necessidade de dotar os artistas do espectáculo do mesmo tipo de protecção social de que usufrui qualquer outro trabalhador por conta de outrem.

A lei de 2008, criada quando Isabel Pires de Lima foi ministra da Cultura, já introduziu um regime de contratos sem termo, que procura ter em conta a especificidade do sector, cujos profissionais trabalham quase sempre de forma intermitente e, muitas vezes, para diversas entidades empregadoras. No entanto, na sua esmagadora maioria, estes trabalhadores continuam a ser pagos mediante recibos verdes, como se fossem profissionais liberais a receber por uma prestação de serviço ocasional, e não podem meter baixa por doença ou beneficiar de subsídio de desemprego.

A Plateia, em conjunto com a GDA (organização que gere os direitos conexos de artistas e intérpretes) e a Faculdade de Direito da Universidade do Porto, elaborou um estudo, enviado ao anterior Governo socialista, que analisa a situação no terreno e compara as soluções jurídicas que outros países encontraram para resolver o problema.

Para Carlos Costa, "há quatro condições fundamentais" que têm de ser asseguradas para que a futura lei seja simultaneamente justa e eficaz. "É preciso conhecer bem o que se passa no terreno, aprender com as experiências estrangeiras, propor soluções que sejam comportáveis pelo Estado, num momento em que a pressão social é toda no sentido de se reduzir a despesa, e garantir que os serviços públicos terão capacidade de aplicar a lei".

Regularização da dívida é o objectivo da única lista concorrente ao Cineclube do Porto

in Público 27/01/10

A única lista que formalizou a sua candidatura à direcção do Cineclube do Porto (CCP), cujo prazo de entrega terminou anteontem à noite, tem como prioridade a regularização da dívida de 50 mil euros ao Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

O cabeça de lista que concorre à presidência do Cineclube do Porto, José António Cunha, referiu ao PÚBLICO que, numa reunião entre a direcção demissionária e o ICA, onde um dos membros da lista candidata esteve presente na condição de consultor jurídico, foram apresentadas várias alternativas para chegar a um possível acordo.

Para regularizar a dívida, a direcção ainda em funções propôs-se canalizar o subsídio do ICA atribuído à reabilitação da sala da sede do CCP, na Rua do Rosário, para o restauro de uma sala de outro edifício, que ainda está por definir. Como a actual sala se encontra num estado de degradação que levaria a obras mais profundas, que seriam da responsabilidade do senhorio, o candidato não exclui mesmo a hipótese de transferir a sede para um outro local. A outra opção passa pela devolução integral dos cerca de 30 mil euros que receberam do ICA e que ainda estão depositados numa conta bancária.

Recorde-se que os 50 mil euros que o ICA reclama são o acumulado com juros de mora, já que a segunda parcela do subsídio foi cancelada por falta da apresentação dos comprovativos da obra.

De acordo com o director do Departamento de Cinema e Audiovisual do ICA, Hugo Lourenço, o cineclube concorreu a uma linha de apoio muito específica com o fim de reabilitar uma das salas da sede do cineclube. Apesar de afirmar que o ICA está disponível para solucionar o problema, ressalva que esta é uma questão complexa, tendo em conta a natureza do subsídio e por se tratar de financiamento público. Para além disso, o instituto já tinha solicitado às Finanças a execução da dívida.

Hugo Lourenço afirma que a solução, seja ela qual for, terá de ser enquadrada com o que a lei determina, razão pela qual o ICA remeteu a análise das propostas apresentadas pelo cineclube para os juristas do organismo, cujo parecer ainda não é conhecido.

As eleições para a direcção do Cineclube do Porto estão marcadas para o próximo dia 6 de Fevereiro.

Para este ciclo, intitulado “Poesia e Música - Tardes no Jardim de Inverno”, o São Luiz desafiou cinco actores a pensarem os poetas com quem desenvolv

in Público 27/01/10

As palavras dos poetas Alberto Lacerda, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Sophia de Mello Breyner Andresen e Herberto Helder serão recordadas a partir de 6 de Fevereiro no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa.

Para este ciclo, intitulado “Poesia e Música - Tardes no Jardim de Inverno”, o São Luiz desafiou cinco actores a pensarem os poetas com quem desenvolvem cumplicidades e a descobrir as respectivas músicas preferidas.

O resultado poderá ser visto e ouvido nos próximos sábados, pelas 17h30, começando já a 6 de Fevereiro com a poesia de Alberto de Lacerda, dita por Jorge Silva Melo, acompanhado ao piano por João Aboim, que interpretará música de Mozart, compositor a quem o poeta dedicou o seu primeiro livro.

A 13 de Fevereiro, as palavras de Luiza Neto Jorge serão proferidas por Luís Miguel Cintra, ao som da música de Jorge Peixinho, interpretada pelo pianista João Paulo Santos.

Os poemas de Mário Cesariny far-se-ão ouvir a 20 de Fevereiro, pela voz de Graça Lobo, enquanto Olga Pratts toca, no piano, música de Fernando Lopes-Graça.

Beatriz Batarda evocará, na tarde de 27 de Fevereiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, acompanhada ao piano por Bernardo Sassetti, que tocará música da sua autoria.

O quinto e último sábado, 13 de Março, será dedicado a Herberto Helder, cujas palavras serão ditas por Maria João Luís, ao som do violoncelo de Irene Lima, que interpretará música de Johann Sebastian Bach.

Metro do Porto procura novos talentos para levar música às estações

in Público 27/01/10

A Metro do Porto quer ter animação musical na sua rede, a partir de 1 de Março, à semelhança do que acontece nos metropolitanos de Londres, Nova Iorque e Barcelona. Para escolher os músicos ou bandas que vão integrar o projecto, a empresa vai organizar um casting em Fevereiro.

Denominado “Música na Rua”, o projecto, da responsabilidade da Metro do Porto, Câmara do Porto, Casa da Música e SPOT, pretende promover novos talentos, criar palcos na cidade e animar culturalmente a rede do metro.

A ideia é escolher “dezenas” de músicos/bandas que passarão a actuar nos dias úteis, a partir de 1 de Março, nas estações do metro da Trindade, do Bolhão e da Casa da Música, das 11h00 às 14h00 e das 17h00 às 20h00.

O casting está marcado para 19 e 20 de Fevereiro, na estação do metro de S. Bento, sendo a selecção das bandas a actuar da responsabilidade de um júri.

Serão aceites todos os estilos e géneros musicais, estando já garantida a visibilidade destes novos talentos, uma vez que, de acordo com dados divulgados hoje pela Metro do Porto, poderão contar, na sua rede, com 200 mil espectadores/dia, 60 por cento dos quais com idade inferior a 35 anos.

Para além de promover a música, esta iniciativa oferece aos participantes a possibilidade de lançarem a sua carreira, porque inclui, posteriormente, uma votação do público.

A votação da banda/músico favorito será feita online e por SMS, com a receita das mensagens escritas a reverter a favor do projecto da autarquia “Pular a Cerca na companhia do Rugby”, que ajuda crianças e jovens do bairro do Cerco.

Os melhores músicos e bandas receberão como prémio “notoriedade”, participando em concertos organizados ou promovidos pela autarquia, através da Porto Lazer, designadamente no Porto Sounds.

Com as verbas que forem angariadas, disse Márcia Andrade, coordenadora do “Pular a Cerca”, nascerá um novo projecto musical, que reunirá as crianças/jovens daquele bairro da cidade, o Grupo Beatbox Ensemble e agentes da PSP. Trata-se de “um projecto que visa promover a inclusão social e a cidadania”, disse a responsável, acrescentando que a ideia é estabelecer relações de proximidade entre todos os intervenientes.

O projecto pretende ainda “levar estes talentos” à superfície, estando prevista a actuação das bandas a partir do verão em palcos localizados junto aos acessos de algumas estações.

Nuno Azevedo, da Casa da Música, classificou a iniciativa como “um sinal muito positivo” de que o Porto quer ser uma “cidade criativa, aberta a integrar agentes culturais”. “Isso é um dos elementos que mais caracteriza as cidades culturais atractivas”, frisou.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Profissionais do espectáculo com novas regras de segurança social

in Público 24/01/10

A criação de um regime de segurança social adaptável aos profissionais das artes e dos espectáculos está prevista nas alterações à lei que rege os profissionais do sector e que foi aprovada no primeiro mandato governamental de José Sócrates, sob tutela da então ministra Isabel Pires de Lima.

Outra novidade será o regresso das carteiras profissionais, como modo de certificar os profissionais do sector, estando ainda em aberto se este documento será passado pela Direcção-Geral dos Espectáculos se por uma entidade a nomear ou a criar, explicou ao PÚBLICO Inês de Medeiros, vice-presidente da bancada do PS.

Esta deputada é responsável pela preparação deste conjunto de alterações à lei, que deverão entrar na Mesa da Assembleia da República, no início do mês de Fevereiro.

"É antiga a luta dos artistas e dos profissionais do sector em conseguirem um estatuto adequado", reconhece Inês de Medeiros, que salienta, contudo "o importante passo dado pela lei 4 de 2008, que criou já o contrato específico, para lutar contra os recibos verdes".

Esta deputada independente eleita nas listas do PS frisa que há especificidades deste sector e lembra que "a flexibilidade faz parte da profissão". Estas características fazem com que "as pessoas não estejam intermitentes por opção, faz parte desta profissão o trabalho descontinuado" e isso está já contemplado na lei, garante, "ao contrário de uma primeira leitura que foi feita pelo meio, em que não foi medida a importância de ter sido criado um contrato especifico, que não tem limite de tempo nem de contratos".

Inês de Medeiros lembra que o regime de contratos sem termo criado pela lei "salvaguardou a intermitência do empregador e agora é preciso encontrar o acordo e a salvaguarda de ambas as partes e criar estímulos, para que os contratos sejam aplicados". Mas a vice-presidente da bancada socialista garante que "o projecto de lei terá em conta a necessidade de os produtores de espectáculos não serem sobrecarregados".

O regresso da carteira

Apesar de elogiar o estatuto regulamentado por Isabel Pires de Lima, Inês de Medeiros afirma que "essa lei deixou três questões em aberto". A primeira é a da certificação da profissão, pelo que serão agora reintroduzidas as carteiras profissionais. Só que "antigamente estas carteiras profissionais eram passadas pelo sindicato", recorda Inês de Medeiros, que sublinha que tal tipo de procedimento hoje não é possível, até pela profusão de sindicatos ligados ao sector.

Daí que esteja a ser estudada a melhor forma de ser feita a certificação da profissão não só dos artistas, mas também dos outros profissionais do sector, quer ao nível de quem é responsável pela emissão da carteira, como ao prazo da sua duração.

"O segundo problema a resolver é o de que, para dinamizar o sector, não se pode excluir os técnicos", afirma a deputada independente eleita pelo PS, que é ela também actriz. Ainda que não tenham o trabalho artístico e o criativo, "os técnicos vivem as mesmas contingências que os artistas", por isso têm de merecer tratamento idêntico, sublinha Inês de Medeiros.

Por fim, as alterações têm como objectivo ultrapassar o problema da segurança social. "A ideia é criar um regime adaptável à profissão, encontrar um ponto comum a todas as profissões do meio artístico, dos profissionais do sector e do meio artístico e completar o que já está na lei".

Descontos obrigatórios

Inês de Medeiros frisa que "a precariedade é específica do sector, é uma flexibilidade querida que é inerente à liberdade de acção e o contrato permite isso". Daí que agora seja "preciso garantir o apoio social e que as pessoas têm os mesmos direitos de todos, se fizerem os descontos necessários".

Para a deputada independente eleita pelo PS, "o importante é não deixar todo um sector sem protecção social ou sujeitos a um regime de descontos como se fossem uma profissão liberal, assim como combater os descontos que os profissionais não podem pagar porque ninguém ganha para isso".

Inês de Medeiros defende que é preciso introduzir um regime de descontos obrigatório que as pessoas paguem na proporção do que ganham e que descontem quando trabalham.

Escola da Noite recebe Teatro de Montemuro em Coimbra

in DN 24/01/10

Peça de Abel Neves 'Saloon Yé Yé' será representada em Coimbra no próximo fim-de-semana. Seguem-se Porto e Lisboa.

A Escola da Noite, em Coimbra, acolhe no Teatro da Cerca de São Bernardo nos dias 29 e 30, sexta e sábado, às 21.30, o Teatro de Montemuro com o espectáculo Saloon Yé Yé, de Abel Neves, encenado por Graeme Pulleyn.

Com Saloon Yé Yé, Coimbra fica a conhecer melhor o teatro de Abel Neves, de quem, ainda em 2009, A Escola da Noite apresentou Este Oeste Éden. Desta vez, num registo cómico, Abel Neves transporta os espectadores até "algures na serra, num planalto remoto e quase desértico onde não passa ninguém" e onde "três audaciosos cowboys, mais um rapaz tocador de pianola e uma sedutora e exuberante, cantora coxa, amiga do pianista, empreenderam um negócio rendável": o Saloon Yé Yé.

Com cenografia e figurinos de Ana Brum e direcção de produção de Paula Teixeira, Saloon Yé Yé conta com interpretações de Abel Duarte, Neusa Fangueirso, Daniela Vieitas, Paulo Duarte e Nuno Bravo Nogueira.

Esta apresentação do grupo de Campo Benfeito em Coimbra acontece no âmbito da Plataforma das Companhias, a qual para além do Teatro de Montemuro e d'A Escola da Noite, é ainda integrada pelo Centro Dramático de Évora, Companhia de Teatro de Braga, ACTA e Teatro das Beiras.

Esta estrutura informal existe desde 2004 e, para além da organização de festivais, edição e troca regular de espectáculos tem permitido várias coproduções entre os grupos envolvidos.

Depois desta passagem por Coimbra, Saloon Yé Yé, que estreou em Outubro passado no Teatro Municipal de Vila Real, será apresentado no Porto e em Lisboa.

O preço dos bilhetes varia entre 6 e 10 euros.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Luís Braga da Cruz eleito presidente do conselho de administração da fundação de Serralves

in Público 23/01/10

Luís Braga da Cruz foi hoje eleito presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, avançou à Lusa fonte da instituição, que acrescentou que foram também escolhidos três novos vice-presidentes.

Luís Braga da Cruz, que desempenhava até hoje funções como vice-presidente da Fundação de Serralves, foi eleito presidente em reunião do conselho de administração, e sucede a António Gomes de Pinho, que terminou o mandato em Dezembro de 2009.

O novo presidente da Fundação de Serralves, que já foi Ministro da Economia e deputado na Assembleia da República, é professor catedrático convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desde Outubro de 2003.

Luís Braga da Cruz foi também presidente da Comissão de Coordenação da Região do Norte e presidente do conselho de administração do OMIP - Operador do Mercado Ibérico de Energia (Pólo Português).

Fonte da instituição divulgou ainda à Lusa que na mesma reunião foram eleitos Rui Manuel Campos Guimarães, Luís Campos e Cunha e Adalberto Neiva de Oliveira como vice-presidentes.

Os vogais que se juntam ao elenco do conselho de administração da Fundação de Serralves são Elisa Ferreira, Ana Pinho, André Jordan, Manuel Cavaleiro Brandão e Vera Pires Coelho.

Eduardo Lourenço: Guimarães ser Capital da Cultura não é "insólita nem paradoxal"

in Público 23/01/10

O filósofo Eduardo Lourenço defendeu hoje, que "esta ideia de Guimarães ser uma futura Capital Europeia da Cultura não é tão insólita nem paradoxal como pode parecer”.

“É uma cidade com uma grande coerência arquitectónica, que reflecte todo um passado e toda uma memória", explicou hoje o filósofo, numa conferência sobre a Capital Europeia da Cultura 2012. "Com excepção de Évora há poucas cidades em Portugal que se possam comparar com Guimarães”.

O pensador e ensaísta frisou que “ser-se europeu ou ter uma vocação europeia não é incompatível com o enraizamento com um local particular e com uma história antiga como a portuguesa”.

Eduardo Lourenço lembrou que “Portugal e a Península Ibérica pertencem à Europa mais antiga, ligada à emergência do império romano”.

“Somos dos europeus mais antigos e não há nada de insólito em que uma pequena cidade de Portugal tenha proposto, tal como poderia acontecer com outra cidade europeia, ser Capital Europeia da Cultura”, referiu.

Frisou, também, que a Europa passou a vida a auto-criticar-se: “A Europa está sempre a refazer os momentos mais marcantes do seu passado e isso distingue-a do resto do mundo, que não sente a necessidade de negação para com o seu passado e de reconstruí-lo”, frisou.

Depois de assinalar que a Europa viveu duas guerras mundiais no século XX, porque uma metade pensava que a outra “a queria devorar”, Eduardo Lourenço disse que a Europa “não precisa de ser refeita”, porque “cada nação europeia é uma maneira de ser Europa”.

Em sua opinião, “o que permite aos EUA serem o que são é falarem a mesma língua e terem uma memória recente, que lhes dá uma identidade”.

Em contraste – sublinhou –, “é muito difícil fazer a Europa pelo cultural, é um continente que não se pode comparar a outro pela sua diversidade cultural”.

Acentuou que em contacto com o novo mundo, os portugueses, do que se retira de uma carta de Pêro Vaz de Caminha, “ao contrário de outros europeus, não se espantaram com nada”.

“Esta espécie de inocência nossa podemos considerá-la uma benção divina. A nossa modéstia é uma riqueza”, afirmou ainda.

Eduardo Lourenço falava na Sociedade Martins Sarmento sobre “A Importância do debate sobre a construção europeia no contexto da Capital Europeia da Cultura”, iniciativa da Fundação Cidade de Guimarães.

No acto participaram, também, a presidente do organismo, Cristina Azevedo, e o gestor da “Guimarães editores”, Paulo Teixeira Pinto, que hoje assinou um protocolo com a Fundação para a publicação de livros durante a Capital Europeia da Cultura.

"Fantasporto ainda é maltratado"

in JN 23/01/19

Festival Internacional de Cinema do Porto assinala, este ano,o 30.º aniversário, mas os seus responsáveis garantem que para a longevidade tem sido necessária muita luta e "muitos milagres"

A persistência e a paixão pelo cinema fazem com que, ano a ano, edição a edição, Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky trabalhem e lutem para que o Fantasporto seja uma realidade na cidade do Porto.

É assim que tem vivido, ou sobrevivido, o festival, que, neste ano, comemora três décadas de existência. A edição 2010 arranca a 22 de Fevereiro e vai exibir cerca de 350 filmes, dos quais 240 em estreia absoluta em Portugal.

Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky consideram que continuar a fazer o festival no Porto é uma teimosia pelo amor à cidade e adiantam estar convencidos de que, se tivessem ido para Lisboa, seriam considerados, "como já lá fora, um dos maiores festivais e que teriam outros apoios".

A dupla reconhece, portanto, que o evento "é mais respeitado a nível internacional do que nacional", o que, contudo, não impede que a adesão do público cresça de ano para ano. Para a próxima edição, são esperados cerca de 100 mil visitantes.

Festival elogiado na "Variety"

Apesar de funcionar, garantem os organizadores, com poucos apoios, comparando com outros festivais portugueses, o Fantasporto é considerado, por exemplo, pela "Variety" - revista norte-americana de espectáculos - "um dos melhores festivais do Mundo". Para Beatriz Pacheco Pereira, esta classificação justifica-se, sobretudo, "pela qualidade da programação em competição" e, também, por terem "a intuição da descoberta de novos nomes, tendo a ousadia de apresentar as primeiras obras de Andrei Tarkovsky, Brian de Palma, Bigas Luna e Ridley Scott, entre outros.

A fundadora e directora do Fantasporto realçou, ainda, o facto de o festival ter também descoberto, logo no início das carreiras, Pedro Almodóvar, Sam Raimi, Leos Carax, Peter Jackson, Marc Caro, Quentin Tarantino, David Lynch e David Cronenberg.

Por outro lado, Beatriz Pacheco Pereira lembra que o Fantasporto é "o primeiro festival do Mundo a fazer o cruzamento com o conhecimento em áreas correlativas ao cinema. Em 2009, falou--se de arquitectura; neste ano, vão estar cientistas à solta nos programas de robótica e efeitos especiais".

Falta de apoios institucionais

Na opinião de Mário Dorminsky, o festival foi sempre, de uma maneira geral, marginalizado, considerando que nunca lhe foi atribuída a devida importância. Dorminsky queixa-se dos insuficientes apoios que tem do Estado, do Instituto de Turismo de Portugal e da autarquia portuense. "Temos que admitir que o 'Fantas' é, apesar de já ter 30 anos e ter provas dadas no terreno, um evento que continua a ser muito maltratado", sublinhou.

Realçando o apoio obtido ao longo dos anos pelas empresas privadas, o organizador e director do Fantasporto queixa-se que, nos últimos dois anos, por questões orçamentais, elas foram obrigadas a cortar os contributos. "Algumas, só por simpatia, acederam apoiar, mas reduziram significativamente os apoios, o que, naturalmente, complica", assegurou.

No entanto, Mário Dorminsky garante que nem por isso a programação da edição deste ano será reduzida e que o festival não deixará de ter a importância que tem tido. "Enfrentámos uma burocracia muito grande, mas a experiência obriga-nos a uma gestão tão rigorosa, que, às vezes, até parece que fazemos milagres. Por isso, apesar de o orçamento ter sido reduzido em 25% em relação a 2009, ninguém vai dar por isso e o 'Fantas' será, mais uma vez, um grande acontecimento".

Por outro lado, Dorminsky não deixa de confessar "estar farto da política da mão estendida" e considera que os apoios do Estado são ridículos", sobretudo, acrescenta Beatriz Pacheco Pereira, tendo em conta "as verbas que são atribuídas aos festivais que se fazem a Sul e que não têm o historial e a projecção" do Fantasporto.

Assumindo que o festival presta "serviço público", Dorminsky entende que se, na prática, "é para tomar a sério que querem fazer de Portugal um país com imagem, então, deveriam apoiar ainda mais o 'Fantas', que é, toda gente sabe, um evento mundialmente prestigiado e reconhecido".

O cinéfilo avisa que, para a obtenção de bons resultados, "não chegam medalhas nem palmadinhas nas costas", mas, sim, "meios e apoios suficientes".

Mário Dorminsky compara, por exemplo, os actuais apoios da Câmara Municipal do Porto, "que atribui cerca de 30 mil euros em serviços, aos da autarquia de Lisboa, que dá 300 mil euros ao festival que se faz na capital".

Apesar disso, Dorminsky garante que não pretendem sair do Porto: "Se quiséssemos, já estávamos em Lisboa há muito tempo". E admite que "o Teatro Rivoli continua a ser a sede do Fantasporto".

Aventura do "Fantas" nasceu no café Luso

A aventura do Fantasporto nasceu em 1980, numa conversa rotineira à mesa do café Luso, no Porto, na altura, ponto de encontro de várias personalidades ligadas à cultura. Na mesa, estava Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e o pintor José Manuel Pereira, já falecido. Os dois primeiros, já entusiasmados com o cinema, queriam mostrar filmes e o pintor queria, naturalmente, mostrar quadros. Conversa puxa conversa, senta-se mais uma pessoa na mesa, o actor António Reis, e surge, então, a ideia de fazer um festival de cinema fantástico. O projecto desenvolveu-se e depressa se tornaria realidade, com a exibição de várias sessões por dia, a realização de retrospectivas e, ainda, paralelamente, a promoção de concertos e de exposições de artes plásticas. Na época, foi atribuído um subsídio de 15 contos (75 euros) pelo Instituto Português de Cinema.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ministra insatisfeita com "discrepância" nos apoios às artes para Alentejo promete "alterar" situação

in Destak/Lusa 22/01/10

A ministra da Cultura afirmou-se hoje insatisfeita com a "discrepância" existente entre os apoios anuais às artes para o Alentejo e os previstos para outras regiões, garantindo que vai "alterar" a situação, contestada por agentes culturais alentejanos.

"Não gosto. Não fico nada satisfeita por saber que há uma região do país que, à partida, é condicionada do ponto de vista dos apoios. É uma situação que eu irei alterar", afirmou Gabriela Canavilhas.

Durante uma deslocação a Évora, em que visitou a Biblioteca Pública e o Museu da cidade, assim como a Sé e o Museu de Arte Sacra, a ministra foi questionada sobre críticas de agentes culturais alentejanos aos apoios anuais, para a região, concedidos pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes).

O grupo Teatro Fórum de Moura, do distrito de Beja, enviou mesmo uma carta aberta à ministra da Cultura, que inclui um apelo para o aumento do financiamento destinado ao Alentejo, a região "mais prejudicada" no concurso deste ano, segundo alega.

Outros agentes culturais da região, contactados pela Lusa, mostraram-se solidários com a posição desta companhia teatral e está até marcada para a próxima quarta-feira, em Moura, uma conferência de imprensa, que vai juntar três companhias.

O Teatro Fórum de Moura, a companhia Lendias d'Encantar (Beja) e a associação 3 em Pipa (Odemira) vão divulgar uma posição conjunta sobre a "discriminação" do Alentejo na distribuição das verbas.

A ministra da Cultura referiu hoje que é a DGArtes que se encarrega destes apoios e que o titular da pasta da Cultura não pode estar "constantemente a sobrepor-se e a intervir" nas "competências de cada um dos serviços".

Gabriela Canavilhas prometeu que esta situação "irá ser resolvida de outra forma", procurando "encontrar outras parcerias, junto dos agentes culturais" da região, que "permitam outras produções e que minimizem esta aparente discriminação" do Alentejo.

"Que não é [discriminação]. Vem na sequência de práticas passadas, mas tudo faremos para minimizar essa discrepância", afiançou.

A visita de hoje da ministra a Évora incluiu ainda encontros com agentes culturais locais e uma reunião de trabalho com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e a Universidade e Município de Évora, assim como uma recepção, em Crato, Portalegre, com os 47 autarcas da região.

Gabriela Canavilhas considerou esta "política de proximidade" como sendo “fundamental” para "conhecer o terreno" e ter em consideração "as opiniões e as reflexões daqueles a quem as decisões se destinam".

Ministra quer libertar já verbas do FICA para não afectar produções deste ano

in Público 22/01/10

A ministra da Cultura garantiu hoje que o “impasse” no Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) tem que ficar resolvido brevemente, para que a produção cinematográfica deste ano “não seja também prejudicada”.

Segundo Gabriela Canavilhas, o problema relacionado com o FICA verifica-se “há cerca de um ano” e é “bastante complicado e complexo”, mas a sua resolução, desde que tomou posse, tem sido uma “preocupação permanente”.

“Temos estado constantemente a dialogar, quer com os outros membros desta assembleia de participantes, que são televisões privadas, quer com a entidade gestora [do FICA], no sentido de encontrarmos uma solução para o impasse”, disse. Durante uma visita a Évora, Gabriela Canavilhas revelou que, nas “últimas semanas”, estes contactos “intensificaram-se” porque o objectivo é ter “o problema resolvido já”.

“Os apoios de 2009 ainda não foram contratualizados, estamos já no princípio de 2010 e queremos iniciar todas as ‘démarches’ [procedimentos] para que a produção [deste ano] não seja também prejudicada”, justificou. Já ontem, em Lisboa, na tomada de posse das directoras da Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema e do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais, Maria João Seixas e Joana Gomes Cardoso, respectivamente, a ministra tinha abordado este assunto.

Nessa cerimónia, Gabriela Canavilhas questionou o funcionamento da entidade gestora do FICA, criticando mesmo a sua “incapacidade” para “encontrar soluções” que permitam desbloquear as verbas para o financiamento do sector. Hoje, a governante explicou que a verba para o cinema e audiovisual que se encontra depositada no FICA “já ascende a 16 milhões de euros”. O “impasse”, que tem paralisado a aplicação deste montante, verifica-se porque “a sociedade gestora está a apresentar algumas dificuldades relativamente à forma que considera mais adequada para o cumprimento dos contratos”.

“Estamos em contacto permanente com eles”, mas “ou se desbloqueiam” as “dúvidas” da sociedade gestora “ou procuraremos outra regulamentação para aplicar a verba depositada no fundo”, alertou. A ministra da Cultura insistiu ainda que não pretende “deixar passar muito mais tempo” sem resolver o assunto, porque, senão, “vai aumentando este valor, que devia começar a ser aplicado no cinema” e, pelo contrário, “está depositado num fundo”.

O FICA foi criado em 2007 pelo Ministério da Cultura com o apoio de entidades privadas, com o objectivo de incentivar a produção independente de cinema e televisão em Portugal. Gerido pela ESAF - Espírito Santo Fundo de Investimento Mobiliários, o fundo tinha um orçamento de cerca de 83 milhões de euros, a repartir por cinco anos (16,6 milhões de euros por ano), para o qual contribuem, por exemplo, a Zon-Multimédia, a RTP, a SIC e a TVI.

Presidente do Instituto Camões disponível para ir ao Parlamento prestar declarações

in Público 21/01/10

A presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, disse hoje à Agência Lusa que está disponível para ir ao Parlamento responder aos deputados sobre a possibilidade de acabar o ensino do português enquanto língua materna em alguns países.

"Terei toda a disponibilidade para ir ao Parlamento", disse Ana Paula Laborinho contactada telefonicamente pela Lusa.

Na semana passada, a presidente do IC, que assumiu recentemente a política de promoção da língua, admitiu que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

Em reacção a estas declarações, o PCP e o CDS-PP pediram à responsável para ir prestar esclarecimentos na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que aprovou a audiência de Ana Paula Laborinho com carácter de urgência.

Entretanto, o PSD enviou um requerimento à Assembleia da República onde questiona o Governo acerca do eventual fim do ensino do Português como língua materna.

Maria João Seixas promete honrar legado de Bénard da Costa com "uma marca nova"

in Público 21/01/10

Reafirmando a sua surpresa pelo convite recebido da ministra da Cultura, Maria João Seixas tomou ontem posse como directora da Cinemateca Portuguesa numa sessão solene realizada no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.


A jornalista avançou poucos projectos concretos quanto ao que será a sua actuação no cargo, à excepção do estabelecimento de uma Cinemateca no Porto — “saibamos levar ao Porto e ao país as melhores imagens do cinema”, afirmou —, deixando claro que esse é um desejo da tutela. A seguir, a ministra Gabriela Canavilhas anunciaria a abertura da Cinemateca portuense até ao final no ano na Casa das Artes, onde as obras estão a decorrer para receber o novo equipamento.

Trata-se de uma intenção que já tinha sido exprimida pelo antecessor de Gabriela Canavilhas, José António Pinto Ribeiro, na sequência de uma petição levada a cabo por um grupo de estudantes universitários do Porto em 2008. Na altura, o ex-director da Cinemateca Portuguesa, João Bénard da Costa, opôs-se à criação de um pólo no Porto.

“Lisboa não pode ser o único espaço nacional onde as políticas de exibição de cinema não-comercial se desenvolvam”, disse ontem a ministra da Cultura, apontando a abertura de uma Cinemateca no Porto como prioridade. Em declarações ao PÚBLICO, Gabriela Canavilhas esclareceu que não se tratará de um pólo, mas de uma “Cinemateca do Porto”, o que implicará alterações na actual lei orgânica da instituição, que só contempla a Cinemateca de Lisboa.

Tanto a ministra quanto a nova directora da Cinemateca Portuguesa evocaram João Bénard da Costa nos seus discursos. Maria João Seixas afirmou que pretende “honrar o legado de João Bénard da Costa com uma marca nova — que terá sempre de ser nova”. Na cerimónia, que contou com a presença de vários funcionários da Cinemateca, bem como do subdirector Pedro Mexia, disse estar consciente do “grande legado e desafio enorme de poder seguir os passos que Bénard da Costa tão bem marcou”.

Mas referiu que “é com muito entusiasmo” que entra na Cinemateca.

A assistir estavam também os realizadores Fernando Lopes e José Fonseca e Costa, bem como o anterior ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, que, ao PÚBLICO, disse “confiar muito” em Maria João Seixas, acrescentando que “é uma extraordinária oportunidade para ela e para a Cinemateca”. “É uma pessoa que tem a justa medida de continuidade e de reforma”, justificou. Pinto Ribeiro não quis comentar o facto de não ter nomeado uma nova direcção para a Cinemateca durante a sua tutela, situação que durou cerca de um ano. Gabriela Canavilhas, por seu lado, justificou o impasse com o facto de 2009 ter sido um ano de eleições, e de mudança do Governo. A ministra sublinhou a actuação de Maria João Seixas no domínio da “intervenção cívica” e “defesa da causa pública”, mas também a apontou como “uma mulher do cinema”, afirmando aos jornalistas que ela “poderá ter um cunho muito característico” à frente da Cinemateca. “Só podia ser alguém com um perfil tão forte”, disse, acrescentando ao PÚBLICO que “toda a gente, unanimemente, acha que Maria João Seixas é a melhor escolha”.

No seu discurso, a ministra prometeu também resolver em breve o “impasse” que se verifica no Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), criado durante a tutela de Isabel Pires de Lima, em 2007, e comparticipado pelo Estado, PT Multimédia e pelos três canais de televisão. Reconhecendo que o financiamento do sector está paralisado desde o princípio de 2009 – por falta de liquidez e pela gestão deficiente do fundo – Canavilhas adiantou que os “próximos passos vão ser no sentido de reavaliar a regulamentação aplicável e reapreciar o envolvimento de novos parceiros”. Ou seja, o financiamento do cinema prepara-se, mais uma vez, para mudar de regras.

Os universos de Marguerite Duras encenados por Solveig Nordlund

'La Musica', uma peça feita de silêncios, em que o teatro e o cinema se fundem.

A escritora, que durante anos viveu entre a paixão de uns e o antagonismo de outros, criadora de uma obra em que a literatura, o cinema e o teatro perdem os contornos, se fundem e criam um universo artístico singular, regressa aos palcos pela mão da realizadora e encenadora Solveig Nordlund.

A peça de teatro La Musica, escrita por Duras em 1965, estreia hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e é apenas um dos vários eventos que, nas próximas semanas, vão trazer de volta a multifacetada obra desta autora francesa, falecida em 1996.

O Instituto Franco-Português iniciou no dia 18 um ciclo dedicado aos filmes que foram feitos a partir da obra da escritora e, na Cinemateca,realiza-se, a partir de amanhã, a primeira retrospectiva integral da obra fílmica de Duras, num ciclo que se estende ao longo do mês de Fevereiro.

A escritora, cineasta, encenadora Marguerite Duras viveu e criou sempre de uma forma transgressora, entre o real e o fictício, jogando com as múltiplas máscaras que criou para si mesma e que replicava na sua obra, o que, para a encenadora sueca, explica o" fascínio e as paixões que ela hoje ainda desperta".

"Há um pequeno documentário que fiz sobre ela há 15 anos que está a circular no YouTube e tem centenas de visitas diárias A quantidade de pessoas que vai ver o vídeo e o comenta espantou-me e fez-me pensar de novo na obra dela; daí ter proposto ao CCB a encenação desta peça", explica Nordlund.

La Musica conta-nos a história de um casal que se reencontra depois de anos de separação e inicia um diálogo que é sobretudo uma rememoração do passado, em que ambos tentam compreender as razões da ruptura e os laços que ainda os unem.

Carla Maciel e Manuel Wiborg dão corpo a duas personagens fantasmáticas, das quais se desprendem mais silêncios que palavras. Um piano acompanha a dança lenta e melancólica daquele reencontro.

Trabalhar sobre a escrita elíptica de Duras foi o mais "difícil", afirma Solveig Nordlund e Manuel Wiborg."Chegar à essência do que querem dizer esses silêncios foi o mais difícil, mas é a única forma de nos apropriarmos do texto e o podermos representar", diz o actor.

O modo como Duras funde o texto com o cinema e o teatro está presente na dramaturgia criada por Nordlund. "Fizemos a peça como se fosse um filme, como se fosse uma colagem de frames", explica.

Também a actriz Carla Maciel conta que a sua grande referência para criar a personagem foi o filme de Wong Kar-Wai, Disponível para Amar: "A contenção da mulher no filme, as manifestações silenciosas do seu mundo interior foram a minha principal inspiração."

É impossível entrar no labirinto de Marguerite Duras "sem passar pelo cinema", conclui Solveig Nordlund.

Ministra anuncia nova gestão nos museus

Será criada uma rede integrada de equipamentos culturais no eixo Ajuda/Belém.

Foi apresentado ontem no Museu Nacional de Arte Popular, ainda em processo de obras de melhoramento, o novo Plano Estratégico para os Museus Nacionais, intitulado "Museus Para o Século XXI". A conferência de imprensa foi conduzida pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, pelo secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, e por João Brigola, director do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

O novo Plano Estratégico tem como objectivo principal a dinamização dos museus nacionais enquanto produtores de cultura e agentes turísticos, tendo em vista a redução da carga admnistrativa e burocrática que recai sobre o IMC.

Entre as medidas que compõem o plano inclui-se o reenquadramento do sistema de gestão dos 28 museus sob a alçada do IMC, que estudará a possibilidade de alienar a tutela de alguns museus locais e regionais para a admnistração pública,segundo um critério rigoroso de avaliação e conservação do património. Este plano estratégico contemplará ainda a criação de uma rede integrada de equipamentos culturais na área de Lisboa, principalmente no eixo Ajuda/Belém.

O Ministério da Cultura, tentará, em concerto com o IMC, honrar compromissos herdados de governos anteriores e concluir os esforços de restauro que estão a ser levados a cabo em museus como o Machado de Castro (Coimbra), em processo de conclusão de obras de melhoramento.

A nova proposta para os museus nacionais apostará também em novos modelos de gestão para os museus e palácios do IMC, tendo em vista a obtenção de soluções para as dificuldades financeiras que muitas destas instituições museológicas atravessam, agravadas pelo minguar do orçamento de estado para a cultura em anos recentes.

O Museu Nacional de Arte Antiga será exemplo principal da inovação de modelos de gestão a adoptar pelo IMC, estando projectada a adopção de um modelo de "gestão bicéfala", a implementar após devido esforço legislativo para adaptar a lei orgânica da gestão das instituições públicas às necessidades do modelo. O MNAA será o barómetro da viabilidade deste modelo de gestão, que será depois estendido a outros museus nacionais.

Gabriela Canavilhas mostrou-se bastante satisfeita com as novas medidas, que tomam já partido do aumento da fatia do Orçamento de Estado dedicada à cultura e também da melhor "relação interministerial" que facilita a obtenção de financiamentos exteriores, cujo montante exacto será divulgado após a apresentação oficial do Orçamento.

António Pimentel é novo director do Museu Nacional de Arte Antiga

in DN 21/01/10

Ex-director do Museu Grão Vasco nomeado director do MNAA após não recondução de Paulo Henriques.

Gabriela Canavilhas aproveitou a apresentação oficial do Plano Estratégico para os Museus Nacionais para anunciar o nome do sucessor de Paulo Henriques para o cargo de director do Museu Nacional de Arte Antiga.

António Filipe Pimentel, doutorado em História de Arte pela Universidade de Coimbra, considerou o trabalho museológico "sedutor" do ponto de vista da conciliação da teoria museológica com as considerações pragmáticas da gestão do museu. Frisou ainda que o museu "é comunicador de narrativas e de riqueza cultural e intelectual para além do plano estritamente teórico", argumento pelo qual tentará pautar a sua direcção.

O antigo pró-reitor da Universidade de Coimbra declarou que "a tradição não é um lastro". A dinamização desta instituição será, portanto, perspectivada pela história do Museu Nacional de Arte Antiga enquanto recipiente de autoridade intelectual e palco de cultura. Acentuou ainda a importância da formação académica e profissional dos funcionários e colaboradores do museu, tendo em vista a criação de "mais-valias" e ganhar margem de manobra para fazer frente aos constrangimentos financeiros que os museus nacionais, e os espaços culturais em geral, atravessam.

Na sua opinião, a "capacidade aglutinadora do museu em termos sociais" torna-os espaços privilegiados de produção de empregabilidade e de coordenação de perícia técnica, denotando o papel de construção e afirmação de uma identidade global destas instituições, que baseia a sua interacção com o meio social circundante.

Recorde-se que, na terça-feira, a ministra da Cultura optou pela não recondução de Paulo Henriques, o director cessante do Museu Nacional de Arte Antiga. A ministra citou, aquando da apresentação do Plano Estratégico, razões de incompatibilidade de perfil administrativo, apontando a abertura de António Pimentel ao meio empresarial como factor decisivo na sua nomeação para o cargo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Teatro Helena Sá e Costa faz dez anos e acolhe cada vez mais projectos alternativos

in Público 19/01/10

Já são quase dez anos, e não há razões para parar. O Teatro Helena Sá e Costa (THSC), no Porto, comemora em Abril o seu 10.º aniversário, apostando numa linha de "continuidade" em relação àquilo que tem sido. Traduzindo: um espaço de função dupla, acolhendo projectos artísticos do estabelecimento de ensino a que pertence, a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto, e (cada vez mais) propostas de companhias teatrais do país.

Luísa Moreira, directora de produção do THSC, sublinha que, nos últimos anos, o palco tem sido cada vez mais ocupado por companhias confrontadas com a falta de alternativas no Porto. "À medida que a cidade vai perdendo palcos onde seja possível apresentar espectáculos, nomeadamente o Rivoli, surgimos como algo mais visível, mais ecléctico. A quantidade de dossiers e de projectos de teatro que temos recebido é bastante grande. Por cada espectáculo que acolhemos, há dois ou três para as mesmas datas que não podemos receber", diz.

A responsável, desde Março de 2009, pela produção artística do THSC, não tem dúvidas sobre a "desproporção entre a quantidade de produção artística profissional e a pouca quantidade de espaços" disponíveis no Porto, e parece encarar esta realidade como uma oportunidade a não perder. Exemplo? A programação para 2010 inclui, em Março, a Semana de Teatro Físico e Novo Circo (de 18 a 27), uma experiência totalmente nova no Helena Sá e Costa. "Durante mui-tos anos, o Rivoli foi mostrando o novo circo com alguma regularidade, e quando isso deixou de ser possível, não existiu, no Porto (até agora), um palco que mostrasse o que se vai fazendo nessa área. Estamos a tentar avançar com este projecto para dar espaço a estes projectos, a nível nacional", explica.

Propriedade do IPP, o Teatro Helena Sá e Costa acolhe as produções artísticas da ESMAE, nas áreas de música, teatro, dança e vídeo, enquanto acolhe, em simultâneo, companhias teatrais de todo o país. Esta diversida-de de programação permite-lhe ter um público heterogéneo - que passa pelo próprio corpo docente e estudantil da ESMAE, mas também pelo resto da população, que, defende Luísa Moreira, "tem normalmente escolhas bem definidas em termos daquilo que quer ver".

Este ano, as celebrações do 10.º ani-versário prolongam-se até Dezembro, mas é em Abril que estarão mais em destaque. O aniversário deverá ser assinalado com a estreia mundial do concerto Tuba"n Saxe"s Company marcada para o dia 19. Três dias depois, a 22, será tempo de nova cele-bração, com o espectáculo Canto deIntervenção, promovido pela Associação José Afonso e inserido nas comemorações dos 80 anos de nascimento do "cantautor".

O THSC foi construído de raiz, entre 1996 e 1999, no local onde estava um pátio da antiga Escola Normal, seguindo um projecto do arquitecto Filipe Oliveira Dias. Apesar da sua vocação como teatro-escola, mantém as portas abertas à participação de artistas externos e foi um dos palcos a receber parte da programação oficial da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.

Lisboa vai candidatar-se a Capital Mundial do Livro 2012

in Público 19/01/10

É capital de Portugal, já foi Capital Europeia da Cultura e, agora, concorre para ser a próxima Capital Mundial do Livro, em 2012. Até 31 de Março, a cidade de Lisboa irá apresentar a sua candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), tendo por base um programa de actividades associadas à promoção do livro e da leitura.

A corrida de Lisboa a Capital Mundial do Livro 2012 foi ontem anunciada por Manuel Maria Carrilho, embaixador português junto da UNESCO, em Paris. De acordo com o antigo ministro da Cultura, citado pela agência Lusa, "o desafio da candidatura foi assumido após a ideia ter sido bem acolhida pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL)". Esta associação será agora a responsável por elaborar o programa.

"Estamos ainda a estudar este dossier e a preparar o programa, que terá de envolver várias entidades patrocinadoras e parceiros", adiantou ao PÚBLICO Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).

"Aura de cidade mágica"

O responsável acredita que Lisboa tem todas as condições para ganhar o título, devido à "aura de cidade mágica" que adquiriu a última década e à sua entrada no imaginário literário internacional.

"Além de um autor lisboeta que tornou a cidade famosa em todo o mundo - Fernando Pessoa -, Lisboa tem sido usada por vários autores estrangeiros nos seus textos", frisa Miguel Freitas da Costa. É o caso do escritor francês Antoine Volodine (que tem um livro intitulado Lisbonne, dernière marge), do suíço Pascal Mercier (autor de Train de nuit pour Lisbonne) e a croata Dubravka Ugresic (autora de Museum of Unconditional Surrender, que tem um episódio passado em Lisboa).

A iniciativa Capital Mundial do Livro foi lançada pela UNESCO em 2001 e escolheu as cidades de Madrid, Alexandria e Nova Deli para as primeiras edições. As próximas capitais do livro serão Ljubljana (já a partir de Abril de 2010) e Buenos Aires (2011).