sábado, 16 de janeiro de 2010

Dois olhares sobre o mesmo Schubert no CCB e Gulbenkian

in DN 16/01/10

Ciclo de canções 'Viagem de Inverno' junta Maria João Pires e Rufus Müller em Belém

Maria João Pires está de regresso ao CCB. Logo, às 21.00, no Grande Auditório, a pianista será a acompanhadora do tenor Rufus Müller na interpretação do ciclo de canções (em alemão, Lieder) Viagem de Inverno (Winterreise, no original), do compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828).

Schubert sempre foi um dos compositores pelos quais Maria João Pires demonstrou ter mais afinidades electivas, tendo dedicado vários discos à sua obra para piano solo ou para piano a quatro mãos. A arte de pianista-acompanhadora tem-na ela aperfeiçoado ao longo dos últimos anos e o conhecimento entretanto travado com o tenor anglo-germânico Rufus Müller foi um catalisador dessa recente faceta da sua actividade concertística.

O ciclo Winterreise é uma das obras-primas absolutas da história da música ocidental. Foi composto em dois jactos no decurso do ano de 1827, correspondendo à edição separada dos poemas originais de Wilhelm Müller (1794- -1827), jovem poeta que motivara já alguns anos antes (1823) Schubert a escrever o seu primeiro ciclo de Lieder, intitulado A Bela Moleira. Integram esta Viagem de Inverno um total de 24 Lieder, os poemas relatando a deambulação solitária do narrador (o Eu poético) por uma paisagem desolada, invernosa (a paisagem física sendo, como é típico do Romantismo, uma transposição da paisagem psíquica), errância essa motivada por um desgosto amoroso (canção 1, Gute Nacht). Até ao final (a interpretação do ciclo completo dura cerca de 80 minutos), acentuar-se-ão o isolamento e alienação do protagonista, o qual encontrará só num tocador de realejo (Der Leiermann, canção conclusiva) uma precária, quase alucinada identificação (na solidão, marginalização, indiferença a que são ambos votados). Esse final, aberto, motivou muitas interpretações, havendo quem veja no Leiermann uma personificação da morte. Hoje poderá também fazer a sua...

Um dos intérpretes que precisamente se opõem a essa leitura é o tenor alemão Christoph Prégardien, que amanhã, às 19.00, no Grande Auditório da Gulbenkian, interpreta... a Viagem de Inverno. Mas não exactamente a mesma obra. Trata-se antes da "interpretação composta, para tenor e pequena orquestra", da autoria do compositor e maestro Hans Zender (Wiesbaden, 1936). Estreada em Frankfurt, em Setembro de 1993, ouviu-se pela primeira vez em Portugal a 28 de Junho de 2003 no quadro do Festival em Obra Aberta (estaleiro da Casa da Música) pelo mesmo Remix Ensemble que amanhã pisará o palco da Gulbenkian (25 músicos, no total) com Prégardien. Dirige Peter Rundel, titular do agrupamento.

Mas ainda não é tudo com respeito à Viagem de Inverno ! O ciclo regressará a Lisboa, na sua forma autêntica, a 16 de Maio. Nessa data, o Grande Auditório da Fundação Gulbenkian recebe um dos grandes "schubertianos" da última década: o barítono alemão Matthias Goerne, tendo ao piano o francês Pierre-Laurent Aimard.

Casa da Música dá início ao "Ano Áustria"

in JN 16/01/10

A Casa da Música, no Porto, inicia hoje, sábado, às 18 horas, com um concerto da Orquestra Nacional do Porto (ONP,) o Ano Áustria, no âmbito do qual se celebram os 150 anos do nascimento de Gustav Mahler, considerado um dos maiores génios da composição e orquestração.

Com "Titã", a "Sinfonia n.º1" deste compositor austríaco, a Orquestra Nacional do Porto, dirigida por Christoph König, introduz a integral das sinfonias de Mahler.É a primeira vez que uma orquestra portuguesa interpreta, na íntegra, as sinfonias de Gustav Mahler. Este projecto estende-se até 2011 (100.º aniversário da morte do compositor).

Na primeira parte do concerto inaugural, a ONP interpreta, em estreia mundial, "Orion", obra da finlandesa Kaija Saariaho, compositora em residência em 2010.

Segue-se a "Sinfonia em Ré maior, n.º1" ou "Sinfonia Titã" , obra de denso lirismo e com uma técnica orquestral desafiante.

A música do país - tema para 2010 vai estar presente um pouco por toda a programação: no Jazz destaca-se a presença da Vienna Art Orchestra e do trio MGT, no Clubbing os Sofa Surfers e no ciclo "À volta do Barroco", Mozart e Haydn serão recordados.

Estão ainda previstos mais de 160 concertos, com uma "aposta e reforço da música e compositores portugueses", como afirmou António Jorge Pacheco, director artístico da CdM, na conferência de Imprensa de apresentação do programa de 2010.

Um dos objectivos da instituição para este ano é "o reforço das capacidades de produção dos grupos residentes", sublinhou o director artístico, referindo-se à ONP, Remix Ensemble, Orquestra Barroca e Coro Casa da Música.

Será também no decorrer deste ano que a Casa da Música comemora um triplo aniversário: a instituição assinala cinco anos de existência e a ONP, como formação sinfónica, e o Remix Emsemble atinge os dez anos.

O concerto inaugural do Ano Áustria terá transmissão em directo na casadamusica.tv - www.casadamusica.tv - um site, de acesso livre e gratuito, que permite visualizar concertos em directo, ou em diferido.

Fundação com fim à vista

in JN 16/01/10

Instituição com o nome de Eugénio de Andrade a braços com questões jurídicas e financeiras

O Conselho Directivo da Fundação Eugénio de Andrade solicitou ao Governo a extinção da instituição, criada no Porto, em 1991. Razões de ordem jurídica e financeira estão na base do pedido, que se encontra em análise na Presidência do Conselho de Ministros.

Arnaldo Saraiva, presidente do Conselho Directivo da instituição, confirmou, ao JN, que o pedido de extinção foi dirigido por carta ao Governo, a 17 de Dezembro passado, tendo sido enviada cópia à Câmara Municipal do Porto. "Mandámos uma carta ao ministro da Administração Interna, que era, até há pouco, o ministro que presidia à questão das fundações", referiu o mesmo responsável.

Entretanto, a questão transitou para a alçada da Presidência do Conselho de Ministros. Fonte ligada ao gabinete de Pedro Silva Pereira confirmou ao JN que o assunto "está a ser analisado pela secretaria geral da Presidência do Conselho de Ministros", não tendo sido adiantados quaisquer pormenores.

Por seu lado, Arnaldo Saraiva só quer falar sobre o assunto depois de ser tomada uma decisão oficial. Apenas acrescentou que os motivos que levaram ao pedido de extinção se devem a "razões de ordem jurídica e razões de ordem financeira".

Contudo, o JN apurou que há pareceres de juristas que apontam para que o desfecho seja mesmo a extinção. Na referida carta, são invocadas como causas de extinção da fundação as elencadas nas alíneas a) e b) do nº 2 do artigo 192º do Código Civil. Que dizem, respectivamente: "Quando o seu fim se tenha esgotado ou se haja tornado impossível"; "Quando o seu fim real não coincida com o fim expresso no acto de instituição".

Fonte conhecedora do processo admite mesmo que "a Fundação foi criada sem nenhum fundo ou doação" e "nunca pôde ter receita suficiente para cumprir os seus objectivos, que são claros nos estatutos". Refere ainda que a instituição tem apenas direito a "uma percentagem mínima do que editava ou do que co-editava de Eugénio".

A tudo isso se juntam, segundo a mesma fonte, dois outros factores: por um lado "a falência sucessiva dos distribuidores ou do co-editor das obras de Eugénio de Andrade" (Diglivro, ECL e, mais recentemente, a Quasi); por outro, um alteração à Lei do Mecenato relativa às bonificações fiscais que torna menos atractivo o apoio à Fundação.

Falecido no dia 13 de Junho de 2005 na sequência de uma doença prolongada, Eugénio de Andrade assistira, em 1991, ao nascimento da instituição que tem o seu nome. O testamento do escritor está na base de uma acção judicial movida contra o Conselho Directivo por alguém que "foi membro da Fundação", diz ainda a fonte. Em causa está a interpretação de uma passagem do testamento, passagem essa que, na opinião de quem moveu a acção, contraria o que está disposto nos estatutos.

Ciclo dedicado a M. A. Pina arranca na Guarda

in JN 16/01/10

O ciclo Manuel António Pina arranca, hoje, sábado, às 16 horas, com a peça "O escaravelho contador", no Teatro Municipal da Guarda (TMG). A iniciativa, que inclui exposições, seminários, teatro e poesia, vai durar até à próxima sexta-feira.

Depois de amanhã, vai ser inaugurada, na galeria do Paço da Cultura, uma exposição de Ilda David, patente até 27 de Fevereiro. Esta mostra reúne as ilustrações do livro "O sábio fechado na sua biblioteca", de Manuel António Pina, também cronista do "Jornal de Notícias".

No mesmo dia, começa ainda uma oficina para os alunos das escolas do concelho, que se centra em actividades didácticas de música e matemática e num jogo de cartas com ilustrações da artista plástica Brígida Ribeiro.

No dia 20, sobe ao palco do TMG a peça "O sábio fechado na sua biblioteca", com duas sessões, às 10 horas e às 21.30. Para o mesmo dia, está marcada a inauguração da mostra "Manuel António Pina - palavras, livros, registos, percursos, crónicas", que mostra o percurso profissional e pessoal do autor.

No dia seguinte, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, vai decorrer o seminário ibérico "Manuel António Pina - Palavras para além das fronteiras", às 9 horas. A iniciativa divide-se em três áreas: literatura infanto-juvenil, poesia e jornalismo.

No mesmo local, após o seminário, vai ser apresentado o prémio literário Manuel António Pina, às 18 horas, destinado às áreas da poesia e literatura infantil. No mesmo dia, arranca a iniciativa "Poemas de António Pina na rádio", em que, entre as 7 e as 20 horas, vai ser declamada a poesia do autor na Rádio Altitude.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países

in Público 15/01/10

A presidente do Instituto Camões (IC), Ana Paula Laborinho, admitiu hoje que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

Portugal pretende apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá
"Isso [fim do português como língua materna] tem de ser analisado caso a caso. Não significa descontinuar em todos os casos. Vamos ter de fazer uma avaliação caso a caso da situação dos países onde o português está e qual a melhor estratégia", disse à Lusa.

Ana Paula Laborinho falava à margem da conferência "A Língua Portuguesa e as Relações Internacionais", que decorre hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

"O objectivo é a integração do português nos sistemas de ensino", sublinhou a responsável.

Nesse sentido, Ana Paula Laborinho reafirmou a intenção de Portugal apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá, onde há anos o ensino é feito sobretudo em associações de emigrantes.

A presidente do IC defendeu ainda a importância de se "reforçar a importância do português num instrumento de trabalho", considerando que essa é uma "linha fundamental".

Nesse âmbito, Ana Paula Laborinho considerou também fundamental a formação de tradutores e intérpretes nos esforços para reforçar a presença do português junto de organizações internacionais.

Sob o tema "À Conquista de Novos Espaços", o primeiro painel da conferência contou com os temas "O Papel do IC na Promoção Externa da Língua Portuguesa" e "Tétum e Português, Línguas co-oficiais de Timor-Leste".

Ao falar sobre este último tema, Isabel Feijó, que esteve a dar formação em Timor-Leste, debateu a problemática de, apesar de ser língua oficial, o português não ser falado ou percebido pela grande maioria dos timorenses e defendeu que a resposta para a expansão da língua portuguesa pode estar no tétum.

"Deve haver uma forte aposta no ensino formal do tétum - que tem uma grande base portuguesa. O tétum deve ser considerado património da Lusofonia e pode ser uma plataforma para a promoção do português", afirmou.

A conferência termina esta tarde com um painel sobre "A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Novo modelo de gestão dos museus "é interessante", mas a situação é "de penúria

in Público 14/01/10

A direcção do ICOM-Portugal (Conselho Internacional de Museus) considera “muito adequado e oportuno” que um novo modelo de gestão dos museus seja testado no Museu de Arte Popular, que deverá reabrir este ano. Uma delegação daquele organismo que foi recebida na segunda-feira pelo secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, entende que houve “espírito de diálogo e de abertura” na conversa, que focou a necessidade de um tipo de gestão diferente, com maior autonomia, nos museus que pertencem à rede nacional, explicou ao PÚBLICO o presidente do ICOM-Portugal, Luís Raposo.

No entanto, a mesma delegação frisou que a introdução desse novo modelo não poderá acontecer se não houver uma “reconsideração do financiamento e dos contratos de pessoal” dos museus, que se encontram numa “penúria total, próxima de níveis de indigência”. Dar aos museus maior autonomia estratégica e financeira “é uma intenção muito saudável”, mas “não se lhes pode pedir que pesquem sem lhes dar uma cana”, diz Luís Raposo.

É também importante “estudar as experiências noutros países” para determinar quais os indicadores que devem ser usados. “O número de visitantes é um, mas está longe de ser o principal, há todo o trabalho de preservação e estudo das colecções”.

Referindo-se às referências elogiosas que a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, fez recentemente ao Museu do Douro, Luís Raposo lembrou contudo (como a própria ministra referiu na altura) que esse museu recebe do ministério “tanto quanto todos os outros museus [da rede nacional] juntos”.

A delegação do ICOM considerou também muito positiva a notícia de que o Ministério da Cultura vai reactivar o Conselho Nacional de Cultura. “Há dezenas de museus à espera de ingressar na rede portuguesa de museus e que estão dependentes do parecer do Conselho para isso. E se não fizerem parte da rede não podem, por exemplo, candidatar-se a fundos europeus”.

Na conversa com Summavielle, os representantes do ICOM manifestaram mais uma vez o seu desacordo relativamente à construção do novo Museus dos Coches, considerando que “nada obriga a que as verbas disponíveis sejam utilizadas para esse fim”, dado que o acordo financeiro prevê apenas “a construção de um novo museu”, não especificando qual.

Alfândega da Fé adere à rede "Sete Sóis Sete Luas"

in JN 14/01/10

O concelho de Alfândega da Fé é o primeiro do nordeste transmontano a fazer parte da rede "Sete Sóis Sete Luas", projecto internacional de intercâmbio e divulgação de potencialidades culturais.

Hoje, Berta Nunes, presidente da autarquia, apresenta a iniciativa na Feira Internacional de Turismo, a decorrer em Lisboa.

A apresentação será feita no stand do Turismo do Porto e Norte de Portugal e contará com a presença de Marco Abbondanza, o director do festival "Sete Sóis Sete Luas", evento que se estende por 30 localidades de dez países do Mediterrâneo e mundo lusófono.

O propósito deste projecto, que já conta 17 edições, é promover o diálogo intercultural e divulgar a cultura, artistas e potencialidades das localidades e países participantes. Os prémios Nobel da Literatura José Saramago e Dario Fo são os presidentes honorários da iniciativa, que faz das artes plásticas e da música popular contemporânea os instrumentos privilegiados para a promoção turísticocultural dos aderentes.

Para Berta Nunes, a adesão do município de Alfândega da Fé ao projecto "assenta numa lógica de cooperação e descentralização" e no objectivo de "traçar caminhos alternativos para potenciar turística e culturalmente este concelho do interior do país". Daí que a autarquia tenha aproveitado a sua primeira participação na Feira Internacional de Turismo para divulgar a adesão à rede cultural e debater o tema "marcando o início de uma nova estratégia para afirmar o concelho no roteiro turístico/cultural".

A rede cultural "Sete Sóis Sete Luas" é constituída por 30 cidades de dez países: Brasil, Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos e Portugal.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Medeia Filmes homenageia Éric Rohmer

in Público 12/01/10

A Medeia Filmes homenageia o cineasta Éric Rohmer, que morreu ontem, aos 89 anos, em Paris, com a reposição no cinema King da sua última obra, realizada em 2007, "Os Amores de Astrea e de Celadon".

O filme, de 2007, é uma adaptação da tragicomédia "L'Astrée", escrita no século XVII por Honoré d'Urfé e vai ser exibido no Cinema King, em Lisboa, de 14 a 20 de Janeiro, diariamente às 19h50.

Esta obra cinematográfica de Rohmer conta a história de dois pastores, Celadon e Astrea, que estão apaixonados. No entanto, ao ser cortejada por outro homem, Astrea ordena a Cefalon que desapareça da sua vista. O pastor não aceita bem estas palavras e atira-se ao rio, sendo salvo por ninfas. Disfarçando-se de mulher, Celadon vai aproximar-se de Astrea, que pensa que ele está morto.

Nas declarações que prestou aquando da divulgação do filme, Rohmer confessou não ter sido ele a ter a ideia de adaptar a obra de Honoré d'Urfé ao cinema. No entanto, revelou: "Apropriei-me totalmente do texto e senti-me perfeitamente à vontade com ele". E acrescentou: "Encontrei inúmeros temas dos meus filmes anteriores nesta obra".

Em Portugal a história de Astrea e Celadon estreou em 2008, pela Atalanta Filmes.

Novo equipamento torna viáveis pequenas edições

in Lusa 12/01/10

Um equipamento inédito na Europa que torna viável a impressão de pequenas quantidades de livros e catálogos vai ser inaugurado quarta-feira em Óbidos, abrindo a porta da publicação a autores cujas obras não convenceram as editoras.

O novo sistema de impressão digital, desenvolvido por uma empresa norte-americana e adquirido pela editora Zita Seabra, permite, a título de exemplo, a publicação de 25 exemplares de um livro de formato corrente com 250 páginas por um custo final de menos de 200 euros, disse uma responsável da empresa criada para desenvolver o novo modelo de negócio de produção editorial em Portugal.

Para a empresária e deputada, o novo equipamento vai funcionar "como uma resposta à crise" que também afecta o mercado editorial e evitar a impressão de grandes quantidades de livros que depois acabam por ter que ser destruídos porque não são vendidos.

Cinemateca Francesa dedica ciclo ao realizador Pedro Costa

A Cinemateca Francesa, em Paris, inicia hoje uma retrospectiva dedicada a Pedro Costa, com a presença do realizador português.

Sob o título “O Quarto e o Mundo”, o ciclo, que se prolonga até 24 de Janeiro, inclui a projecção de quase toda a obra de Pedro Costa, desde “O Sangue” (1989) até ao mais recente “Ne Change Rien” (2009).

Além da presença em várias projecções do ciclo, Pedro Costa apresenta “Tarrafal” e “Casa de Lava” quarta-feira, 13 de Janeiro, na Cinemateca Francesa.

O ciclo promove a apresentação das edições francesas em dvd de “No Quarto de Vanda” e “Juventude em Marcha”.

Está também disponível na Cinemateca Francesa o estojo de quatro filmes que inclui “Oú Gît Votre Sourire Enfouit - Tout Refleurit”, uma entrevista de Aurélien Gerbault com o cineasta, e a edição portuguesa de “Cem Mil Cigarros - Os Filmes de Pedro Costa”.

Tem plumas e bailarinas mas não é uma revista

in DN 12/01/10

Bruno Bravo e Gonçalo Amorim encenam 'Maria Mata-os', inspirados na revista. No Teatro Maria Matos, em Lisboa, até dia 20

Há plumas e bailarinas de perna ao léu, há um compère e há piadas à actualidade, há fado e uma "atracção internacional" que muda todos os dias. É uma revista à portuguesa? "É a nossa revista", respondem os encenadores Bruno Bravo e Gonçalo. "É a revista possível. A revista que conseguimos fazer."

"A nossa intenção não é fazer uma crítica à revista", diz Bruno Bravo. "Sabemos que estamos a trabalhar sobre um preconceito", acrescenta Gonçalo Amorim. Sabem que muitas das pessoas que irão ver o seu espectáculo nunca foram à revista nem estão interessadas. Mas a sua ideia não é fazer juízos de valor. A intenção é simplesmente testar como é que um grupo de jovens criadores que, à partida, não têm nada que ver com o teatro de variedades, consegue trabalhar com aquele que é um dos mais populares géneros teatrais em Portugal. O resultado é Maria Mata-os, o espectáculo que a companhia Primeiros Sintomas estreia hoje no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

"É um espectáculo fragmentado, em quadros, e que mistura muitos estilos, tem música, tem coreografia e tem uma ligação muito directa com o público. Tudo isso são coisas que fomos buscar à revista. Assim como o facto de termos muita gente em palco, uma equipa muito grande", explica Gonçalo Amorim. Estes são os pontos de contacto com os espectáculos que eles foram ver ao Parque Mayer. Mas, depois, há as diferenças: um texto escrito por Miguel Castro Caldas e trabalhado com o grupo de actores em várias sessões de improvisação, limitações técnicas e orçamentais (típicas da produção de uma pequena companhia), um humor que se quer menos brejeiro, menos machista, mais subtil. "A comédia existe mas nós não a procurámos, não sentimos essa obrigação de fazer rir o público", diz Bruno Bravo. "Mas temos um olhar sobre a actualidade social, brincamos muito com o poder e com o próprio teatro, há uma auto-ironia, é daí que surge o humor." É preciso ir lá para ver. Até dia 20.

Harold Pinter evocado em livro da mulher

in DN 12/01/10

O dramaturgo britânico Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura em 2005 e falecido com cancro três anos depois, é recordado pela mulher no livro Must you go? My life with Harold Pinter, apresentado no México.

O livro, que será publicado este mês no Reino Unido, tem por base o diário que Antonia Frasier (que partilhou 35 anos com o autor) escreveu ao longo da vida.

"Depois da sua morte, senti-me triste e cheia de desespero, e pensei que não podia continuar assim, tinha de fazer alguma coisa, e por isso decidi escrever", explicou.

Os anos retratados estão cheios de pequenas histórias, como a da primeira noite que passaram casados na sua casa: "Ele leu-me alguns dos seus textos e eu adormeci; mais tarde, falei com a sua primeira mulher e ela disse-me que quando não conseguia dormir, pedia a Harold que lhe lesse".

A última parte do livro incide sobre os sete anos em que Pinter lutou contra um cancro e a experiência da mulher cuidando dele.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Manoel de Oliveira homenageado em Bruxelas

ín Destak 11/01/10

O realizador Manoel de Oliveira apresenta em Bruxelas o seu último filme, "Singularidades de uma rapariga loura", dia 15, no âmbito de uma homenagem da Cinemateca belga e do bairro de Flagey, onde há uma forte presença portuguesa.

A par do último filme de Oliveira - uma adaptação de um conto homónimo de Eça de Queirós, publicado no começo do século XX - a sala Studio 1 do Flagey irá ainda exibir "Vou para casa" (2001) e "Belle Toujours" (2006).

A homenagem ao realizador centenário decorre em Janeiro e Fevereiro, cabendo a Manoel de Oliveira a apresentação do filme que inaugura a iniciativa.

"Singularidades de uma rapariga loura" é uma co-produção de Portugal, Espanha e França cuja história se centra em Macário, um jovem contabilista que se perde de amores por Luísa Vilaça, uma rapariga loira por quem fez juras de amor e casamento até que descobre uma singularidade da virtuosa noiva.

Nesta obra de Manoel de Oliveira participam Ricardo Trêpa, seu neto, Diogo Dória, Leonor Silveira, Júlia Buisel, Rogério Samora, Luís Miguel Cintra e Catarina Wallenstein, no papel de Luísa, a rapariga loura.

"Singularidades de uma rapariga loura" foi rodado em Novembro e Dezembro e teve a primeira apresentação mundial em Fevereiro no Festival de Cinema de Berlim, onde Manoel de Oliveira foi distinguido com o Prémio Berlinale Kamera.

O elenco de "Vou para casa" inclui Catherine Deneuve, John Malkovich e Michel Piccoli.

A película "Belle toujours" (2006), uma produção luso-francesa, conta com as interpretações de Michel Piccoli e Bulle Ogier, que recuperam as personagens do filme "Belle de jour", que o espanhol Luis Buñuel dirigiu em 1967.

A homenagem a Manoel de Oliveira, que nasceu a 11 de Dezembro de 1908, resulta de uma colaboração entre o Flagey, a Cinematek e a Embaixada de Portugal, com o apoio do Instituto Camões, do BCP e da TAP.

Nova direcção quer ampliar rede de colaborações do Museu do Chiado

in Público 11/01/10

Criar uma rede efectiva de colaborações com outras instituições, tanto a nível local, como nacional e internacional: segundo Helena Barranha, a nova directora do Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, esta é uma das medidas que deverá contribuir “para ultrapassar as actuais dificuldades do museu”.

Sem entrar em pormenores sobre o projecto que apresentou em Agosto último a concurso público e que a tornou na sucessora de Pedro Lapa, director da última década, Barranha, de 38 anos, que tem a programação de 2010 ainda à espera de aprovação pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), sublinhou que “a colaboração mais regular, visível e criativa com outras instituições”, nomeadamente instituições da zona da Baixa/Chiado, que a Câmara Municipal de Lisboa pretende revitalizar, é “um dos grandes objectivos” do seu mandato de três anos, mandato durante o qual começará, eventualmente, a preparar o museu para o período de transição correspondente às há muito aguardadas obras de ampliação e requalificação do espaço.

Precisamente, foi um dos aspectos que pesou na sua candidatura, avaliada por um júri constituído por Clara Camacho, vice-directora do IMC, Elísio Summavielle, na altura presidente do Igespar, Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, e Raquel Henriques da Silva, historiadora de arte e primeira directora do museu (1994-1998) na sua reabertura após o incêndio do Chiado.

Barranha, que é um nome praticamente desconhecido no terreno extra-académico, nomeadamente nos circuitos da curadoria ou da publicação sobre arte, licenciou-se em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa – fez, posteriormente, um mestrado em gestão cultural, sendo doutorada pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto com uma tese intitulada “Museus de Arte Contemporânea em Portugal – Da Intervenção Urbana ao Desenho do Espaço Expositivo” para a qual desenvolveu um estudo de caso sobre o Museu do Chiado.

Mantendo-se no quadro das medidas mais expectáveis para o museu – “dar continuidade às colecções de arte moderna e contemporânea”, promover o estudo destas (eventualmente em parcerias com as universidades), estruturar o museu como um pólo dinamizador... – Barranha disse também ontem estar consciente das dificuldades históricas desta instituição, cronicamente sub-financiada (em 2009 o orçamento para actividades foi de 35 mil euros). Comprometeu-se, assim, a “reunir apoios no sector público e privado”, mas apelou, também, aos responsáveis do IMC presentes na cerimónia para “a necessidade de se repensar o investimento do Estado na arte contemporânea”, nomeadamente no Museu do Chiado, que deveria ter “recursos adequados à sua missão e objectivos”.

Ana Paula Laborinho é a nova presidente do Instituto Camões

in Público 11/01/10

A docente universitária Ana Paula Laborinho toma posse segunda-feira como presidente do Instituto Camões, revelou hoje à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Luís Amado justificou a escolha por a docente ser “uma pessoa de reconhecida competência, que tem uma experiência no sector”, apontando, ainda, a sua ligação ao Instituto Português do Oriente.

“Tem desenvolvido um trabalho importante na área das letras portuguesas”, declarou Luís Amado, à margem de uma visita do Governo ao distrito de Leiria.

A investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é “uma personalidade que nos dá garantia de ser uma boa gestora do Instituto Camões”.

Isto num momento em que o Instituto “entra numa nova fase, com uma nova lei orgânica e com a responsabilidade de implementar uma nova estratégia para a afirmação da língua portuguesa no mundo”.

A docente universitária, de 52 anos, tem dedicado a sua carreira a história da Língua Portuguesa no mundo, desde os Descobrimentos à literatura colonial, dando particular destaque à posição do português no Extremo Oriente. A nova directora viveu em Macau (em dois períodos diferentes, num total de onze anos), onde foi responsável pelo Instituto Português do Oriente.

Teatro Dona Maria II estreia «Blackbird» dia 14 de Janeiro

in Diário Digital 11/01/10

O Teatro Nacional Dona Maria II (TNDMII) vai estrear a 14 de Janeiro, na Sala Estúdio, «Blackbird», de David Harrower, com tradução e encenação de Tiago Guedes.

Sobem ao palco Miguel Guilherme, Isabel Abreu, Constança Rosado, Filipa Rebelo e Margarida Lopes.

A peça, vencedora do Olivier Award para melhor peça revelação em Londres (2007), «fala de um assunto delicado com sensibilidade e sem juízos morais, questiona os limites da nossa maneira de ver a vida, dos nossos tabus, das nossas concepções de amor e de abuso», segundo a produção.

O espectáculo, dirigido a maiores de 16 anos, tem cerca de uma hora e meia de duração.

O público poderá assistir de quarta-feira a sábado, às 21:45; e aos domingos, às 16:15.

A aventura de entrarno pensamento de Camus

Passagem dos 50 anos sobre a morte do escritor francês assinalada ontem no CCB

No momento em que passam 50 anos sobre a morte do escritor francês Albert Camus e em que a França debate, em acesa polémica, a trasladação dos seu restos mortais para o Panteão nacional, o Centro Cultural de Belém foi palco de uma evocação da sua obra e a intemporalidade do seu pensamento.

"Albert Camus é uma figura fundamental do panorama literário do século XX, mas é também uma grande figura moral, pela qual passam as grandes contradições morais do mundo do pós-guerra", disse ao DN António Mega Ferreira, presidente do CCB e admirador confesso deste escritor.

Na tarde cinzenta e chuvosa, as primeiras palavras a fazerem-se ouvir na sala Almada Negreiros pertenceram ao filósofo francês Jean-Paul Sartre. Num texto publicado depois da morte de Camus, a 4 de janeiro de 1960, Sartre lembrava "o humanismo insistente, estreito, puro, austero e sensual" deste escritor.

O Estrangeiro, O Mito de Sísifo e O Exílio e o Reino foram as obras escolhidas para "dar ao público uma perspectiva sobre o pensamento de Camus, bem como a possibilidade de o reencontrar ou de o descobrir", explicou Mega Ferreira.

O actor Pedro Lamares, a quem coube a leitura de excertos do romance O Estrangeiro, foi um dos primeiros a confessar o "maravilhamento" que a descoberta deste autor lhe trouxe.

"Vergonhosamente precisei de chegar aos 30 anos para ler Camus", confessa o actor. "Mas este convite permitiu-me mergulhar no universo dele, na sua inteligência, na liberdade moral e no profundo humanismo das suas personagens".

A liberdade é também, para Mega Ferreira, a grande questão que atravessa todo o pensamento do escritor e, provavelmente, a principal razão que "torna a sua obra intemporal".

Apesar de Camus ter tido uma acção política activa , assumindo posições polémicas, como quando se afastou da esquerda francesa a propósito da guerra da Argélia, o CCB preferiu mostrar o lado humanista e moral que atravessou a sua vida e a sua obra.

O homem que escreveu sobre o absurdo e a estranheza da condição humana, que em 1957 recebeu o Nobel da literatura, está hoje no centro de uma polémica que, segundo Mega Ferreira, "ele consideraria ridícula e que, no fundo, não passa de um fait divers da política francesa". A controvérsia deve-se à proposta do Presidente francês, Nicolas Sarkozy , de trasladar os restos mortais do escritor para o Panteão. O que pensaria de tudo isto o homem que, um dia, escreveu: "A posteridade é uma eternidade ilusória"? Para o director do CCB, "não faz sentido esta trasladação, mas também não faz sentido tanta polémica". Porém, também considera que "este tipo de reconhecimento político não lhe acrescenta nada, nem traz mais leitores".

Para lá de todas as polémicas, "a verdade é que há um retorno à obra e ao pensamento de Camus" e que se deve, sobretudo, à forma como ele mostra que "a liberdade é a única via possível para a felicidade".

Para Pedro Lamares, o autor de A Peste é "profundamente apelativo, é mesmo uma lufada de ar fresco". O actor considera que, por vezes, se dá uma imagem dos textos de Camus como sendo "difíceis e austeros, quando há nele um humor, uma leveza na forma como trata as questões e o quotidiano e que nos faz sentir muito próximos", declara.

O grande contributo de Camus "consiste na forma como soube mostrar que o essencial é a coragem de enfrentar os valores dominantes sempre que eles são contra a moral", conclui Mega Ferreira.

Crise económica diminui lançamentos literários

in DN 11/01/10

2009 não foi tão crítico como se esperava para as editoras nacionais, mas a crise económica que vai pairar por 2010 não permitirá que a edição recupere a vitalidade que tem estado a viver nesta primeira década. Prevê-se a continuação da concentração de editoras em grandes grupos e Paulo Teixeira Pinto demonstra-o já no dia 6 de Fevereiro com a apresentação pública da Babel. A Bertelsmann será a próxima, após ter posto à venda a Bertrand, com várias editoras e 50 livrarias

A crise financeira e o mau estado da economia mundial não afectaram assim tanto o mercado editorial português no ano que acabou. Dezenas de títulos postos no mercado a cada dia de 2009 somaram mais de 12 mil livros diferentes publicados num ano de muitas fusões, falências e desemprego. A compra e venda de editoras deu continuação ao processo de concentração que se verifica em Portugal desde que o Grupo Leya alterou a pacatez do negócio dos livros e o ano que agora começa irá, provavelmente, definir o perfil editorial no País.

Aliás, a expansão da Leya para o mercado lusófono vai continuar, bem como a reorganização de chancelas e aposta em autores nacionais; está em aberto a aquisição de pequenas/médias editoras pelas de maior porte, como foi o caso da Sextante pela Porto Editora; Paulo Teixeira Pinto vai iniciar uma nova plataforma editorial com a aquisição da Verbo e da Ulisseia - não rejeita a compra de mais editoras, nem a associação com outras em moldes diferentes - e a criação de uma empresa distribuidora, e a Bertelsmann pôs à venda a Bertrand - a editora e mais de 50 livrarias em todo o País -, a Temas & Debates, a Quetzal e o Círculo de Leitores.

Segundo o editor Manuel Valente, da Porto editora, a tendência para este ano será "evitar entrar em altas cavalarias" e "tentar perceber o que se alterou no mercado em 2009 de modo a manter 2010 no mesmo nível". Segundo o editor do maior grupo editorial português, o "mercado do livro não sofreu mais porque é um produto que não é tão afectado pela crise como os outros" e que se destina a uma classe média que manteve os seus hábitos de leitura e de consumo como em anos anteriores. Mas, alerta Manuel Valente, o ano de 2010 será de "crise controlada e marcado por ela" e essa situação reflectir-se-á nas tiragens das edições deste ano, como já se verificou no anterior.

A crise fez com que acontecesse uma distorção do mercado livreiro em 2009 ao extremar-se o número de livros impressos por título. Os bestsellers aumentaram muito a tiragem, enquanto os outros títulos baixaram de uma impressão média de 3000 para 2000 e, na maioria dos casos, para 1500 ou até 1000.

O combate à crise editorial irá até conhecer uma novidade tecnológica, para além da vulgarização do e--book. Zita Seabra, da Alêtheia, vai anunciar esta semana a criação de uma empresa de apoio à edição "com um novo conceito de produção/impressão digital". Com esta tecnologia, qualquer editor ou autor pode imprimir os exemplares que desejar, sem necessitar de conceber, rever ou paginar os livros.

Apesar da crise, as editoras portuguesas já têm a sua programação literária definida. É diversa e segue os rumos das modas internacionais - no caso das traduções - e dos gostos dos portugueses - no que respeita à produção nacional - nas dezenas de títulos que vão chegar às livrarias já esta semana e nas seguintes . A Gradiva abre a saga das comemorações do centenário da República com 5 de Outubro de Ernesto Rodrigues e vai editar, em simultâneo com o original, o novo Ian McEwan, Solar. A Quetzal aposta no novo romance de José Luís Peixoto, Livro, e em Lourenço Mutarelli, A Arte de Produzir Efeito sem Causa, 3.º lugar no Prémio PT. A Porto Editora continua a publicar Ricardo Menéndez Sal- món, agora com Derrocada. A Presença revela o novo Aravind Adiga, Entre os Assassinatos, e o esperado O Museu da Inocência, de Orhan Pamuk. A Dom Quixote lança O Mundo Alucinante, de Reinaldo Arenas, e anuncia-se o novo romance de Lídia Jorge. A Esfera dos Livros edita Maníacos de Qualidade, um livro de história de Joana Amaral Dias, e o próximo romance de Isabel Stilwell. A Guerra&Paz publica Fama e Segredo na História de Portugal, de Agustina Bessa-Luís. A Caminho tem Caderno II de José Saramago e os novos de Alice Vieira, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Cinema: Fantasporto lamenta atrasos nos apoios do Turismo de Portugal a um mês do arranque da 30ª edição

in JN 11/01/10

O director do Fantasporto, Mário Dorminsky, disse hoje que desconhece qual o apoio financeiro que terá por parte do Turismo de Portugal "a praticamente um mês do início" do Festival Internacional de Cinema do Porto.

"Não nos estamos a queixar mas ainda não temos notícias do apoio que vamos ter do Turismo de Portugal", afirmou Mário Dorminsky na conferência de imprensa de apresentação da 30ª edição do Fantasporto.

Segundo o director do festival, "o apoio do Turismo de Portugal chega sempre muito tarde" e para a edição de 2010, que arranca já dia 22 de Fevereiro, a organização não sabe ainda com que valores poderá contar.

Morreu o cineasta francês Eric Rohmer

in JN 11/01/10

O cineasta francês Eric Rohmer morreu hoje, segunda-feira, em Paris, França, aos 89 anos, informou a sua produtora, Margaret Menegoz.

Rohmer foi um dos principais realizadores da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês caracterizado por jovens cineastas que queriam opor-se ao cinema comercial produzido na época, mesmo sem recursos financeiros. Parte deles, bem como Rohmer, trabalhava na revista “Cahiers du Cinema”.

Ao lado de nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut e Alain Resnais, entre outros, Rohmer ajudou a romper os padrões narrativos do cinema, apostando em personagens amorais e em montagens pouco previsíveis, que formavam uma visão única dos acontecimentos. Entre os seus filmes mais conhecidos, contam-se “La Collectionneusse” (1967), “La Marquise d’O” (1976), “Pauline à Plague” (1983) e o recente “Triple Agent” (2004).