sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Construção do novo Museu dos Coches começa segunda-feira

in Público 29/01/10

A primeira pedra do novo Museu Nacional dos Coches, na Avenida da Índia, em Belém, vai ser lançada na segunda-feira às 15h30, numa cerimónia onde estará a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, anunciou hoje o Ministério da Cultura. O arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, autor do projecto, também estará presente.

Depois de vários atrasos ligados à transferência de serviços, algumas das colecções de arqueologia que se encontravam nas antigas instalações das Oficinas Gerais de Material do Exército, na Avenida da Índia, estavam ontem a ser transferidas para o Museu Nacional de Arqueologia (MNA), nos Jerónimos. O director do MNA, Luís Raposo, disse ao PÚBLICO que aceitou receber as colecções com relevância nacional, que serão agora integradas no acervo do museu.

Também alguns serviços, como o Centro de Investigação Paleo-Ecologia Humana e Arqueo-Ciências (CIPA) passarão a funcionar, provisoriamente, nas instalações do MNA. A Biblioteca de Arqueologia tinha já sido transferida para o Palácio da Ajuda.

Nenhum dos serviços ligados à Arqueologia foi instalado na Cordoaria Nacional, como chegou a estar previsto. O protocolo estabelecido entre o Ministério da Cultura e o da Marinha, que previa que esta cedesse a Cordoaria para os serviços de arqueologia ligados ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) em troca da devolução da chamada Torre Oca (actualmente usada pelo MNA) ao Museu da Marinha, acabou por não ser aplicado.

CultRede apresentada hoje em Leiria

in Diário Digital 29/01/10

A CultRede, rede que pretende aumentar a oferta cultural em 18 concelhos do país, contando com uma verba de 1,9 milhões de euros, é hoje apresentada no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

O vereador com o pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, entidade que lidera o projecto, explicou que a CultRede quer «descentralizar, diversificar e qualificar a oferta cultural, e facilitar o acesso das populações à criação e fruição culturais».

«O que se deseja é criar uma dinâmica em rede para que os concelhos envolvidos proporcionem espectáculos a preços mais acessíveis às populações», acrescentou Gonçalo Lopes, salientando as sinergias obtidas através da CultRede ao nível da divulgação ou dos custos para os municípios.

Prémio para televisão regressa pela mão da RTP

in DN 29/01/10

Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, RTP apresenta hoje os Prémios Autores, que incluem a categoria Televisão.

A RTP apresenta hoje o Prémio Autores 2010, que inclui a categoria Televisão, cinco anos após a tentativa frustrada da Associação Portuguesa de Produtores Independentes de Televisão para criar um prémio para o sector, e depois de a SIC ter retirado esta disciplina dos seus Globos de Ouro por causa da polémica na atribuição dos prémios nesta categoria.

Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), a iniciativa vai premiar nove disciplinas de criação artística: Cinema, Rádio, Dança, Música, Literatura, Teatro, Televisão, Artes Visuais e Publicidade. Para cada categoria foi nomeado um júri com elementos ligados a cada uma das disciplinas liderado por um presidente que tem voto de qualidade.

Jorge Leitão Barros, crítico de cinema, que presidiu ao júri da categoria Cinema e integrou o da Televisão, afirmou ontem ao DN que "a escolha dos nomeados não foi difícil em nenhuma das categorias, mas foi mais fácil no cinema". "A maior oferta no caso da televisão tornou as escolhas menos óbvias", justificou. No primeiro caso, existem três categorias: Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Actor. No segundo, serão atribuídos prémios ao Melhor Programa de Informação, de Ficção e de Entretenimento.

Eugénia Vasques, presidente do júri que decidiu as nomeações na categoria de Teatro, adiantou ao DN que "apesar das propostas dos elementos do júri terem sido muito diversificadas, não foi complicado chegar a um consenso". E uma pequena incursão nas redes sociais revela alguns dos nomeados. Tânia Alves, Custódia Galego e Sílvia Filipe são as nomeadas para Melhor Actriz. Virgílio Castelo, Gonçalo Waddington e Henrique Feist são os nomes apontados para Melhor Actor. José Manuel Castanheira é um dos nomeados para a Melhor Cenografia.

Mas, quanto a vencedores, Jorge Leitão Ramos assegura que nem os membros do júri sabem. "A votação final foi feita em envelopes fechados que estão guardados na SPA", explica.

Esta iniciativa "é uma forma de dar visibilidade aos autores e sensibilizar as pessoas para o quanto os autores são prejudicados pelos downloads ilegais", afirmou ao DN João Lourenço, administrador da SPA que está encarregado da gala. A SPA é responsável pela atribuição do Prémio Vida e Obra e Melhor Trabalho Autárquico na área da Cultura. A gala vai ser transmitida em directo pela RTP, a partir do Centro Cultural de Belém, no dia 8 de Fevereiro.

Um palco só para Olga Roriz

in DN 29/01/10

Aos 54 anos, a bailarina volta a protagonizar um solo. 'Electra' estreia-se quinta-feira no Teatro Camões, Lisboa.

"A minha necessidade de fazer solos é constante", diz a coreógrafa e bailarina Olga Roriz. "Mesmo quando estou a trabalhar intensamente noutras coreografias com a companhia, os solos ficam à espera de um espaço, de um tempo, de uma ideia, mas estão sempre atentos." Assim que viu a sua oportunidade, apareceu Electra . Foi surgindo como uma sombra. Apoderou-se dela. Até à explosão do palco. O espectáculo - que integra as Comemorações do Centenário da República - estreia-se quinta-feira no Teatro Camões, em Lisboa, onde fica em cena até domingo. Aqui, Olga Roriz tem, novamente, o palco por sua conta.

Quando, há dez anos, estreou, nas ruínas de Montemor-o-Velho, Os Olhos de Gulay Cabbar , a dúvida já se impunha: para uma bailarina a idade é um limite ou um desafio? Nem um nem outro, parece dizer Olga Roriz. "É óbvio que há uma dureza física. Há coisas que já não consigo fazer. Mas também há uma maior maturidade, sei exactamente aquilo que quero e posso fazer. Como bailarina-coreógrafa trabalho ergonomicamente, já não me proponho fazer aquilo que é impossível. Trabalho com o material que tenho."

Olga Roriz não se imagina a parar de dançar. "Sou uma bailarina acima de tudo e ainda há muitas coisas para dizer e para mostrar." Além disso, há o prazer. E deste prazer não se abdica: "Gosto muito de estar no palco. Gosto da exposição. São momentos muito especiais." Como coreógrafa, precisa também destes solos onde, trabalhando sozinha no estúdio, se sente a rejuvenescer: "O meu corpo fica alerta, vivo, faz-me descobrir imensas coisas e isso nota-se quando, depois, vou trabalhar com outros corpos."

"Electra surgiu-me como surgiram as Troianas, Pedro e Inês ou Isolda. São histórias de pessoas que têm a ver com o nosso imaginário", explica a coreógrafa. A sua primeira impressão foi que estava perante uma personagem "complexa, rica e solitária". "A história de Electra só me interessa como ponto de partida. O amor do pai, o ódio à mãe. Ela tem uma imagem muito forte."

Na mitologia grega, Electra, filha de Agamemnon e da rainha Clitemnestra, é uma mulher determinada que, revoltada pela morte do pai (às mãos de Egisto, amante de Clitemnestra), decide vingar-se e convence o irmão, Orestes, a matar a mãe. Na psicanálise, o complexo de Electra é a versão feminina do complexo de Édipo, designando o desejo da filha pelo pai. Mais do que isto descobriu Olga Roriz ao longo da sua intensa pesquisa. "Li todas as Electras e tudo o que havia sobre a Electra. Vi tudo." Electra foi personagem em tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides e, ao longo dos tempos, a sua história tem inspirado os autores mais diversos, de T. S. Elliot a Jean Paul Sartre ou Marguerite Yourcenar. Fizeram-se peças, óperas e filmes (veja-se, por exemplo, como o mito é actualizado Mal Nascida, o último filme de João Canijo).

De tudo o que leu, Olga Roriz sentiu-se mais tocada por duas versões: a do norte-americano Eugene O'Neil em Morning Becomes Electra (1931) e a Electra do francês Jean Giraudoux (1937). De O'Neill guardou sobretudo "o lado espacial, aquele palácio de onde ela não sai, como se estivesse presa", enquanto Giraudoux lhe mostrou "o lado mais feminista" de Electra, "uma mulher muito forte e reivindicativa, com muita personalidade".

Seguiu-se então um trabalho mais de dramaturgia, feito a meias com Paulo Reis, seu antigo colaborador. "Fomos dissecando aquela mulher, escrevendo frases, sensações, pontos de partida para reflexões, motes para improvisações." É preciso saber tudo, pensar em tudo, para depois tudo esquecer no momento da criação - é mais ou menos assim o método de Olga Roriz. "Quando vou para estúdio, abro o caderno e fecho-o logo a seguir. Naquele momento, isto já tem que estar cá dentro", conta.

A personagem surge de dentro para fora. Por isso, não se espere encontrar Electra em Electra. É uma aproximação muito própria. Olga Roriz entra e sai da personagem, aproxima-se e afasta-se. "É uma construção arriscada, vai ser um embate para o público", prevê a coreógrafa. Electra aparece, senta-se, lamenta-se, não faz nada, deixa-se estar, espera. Espera muito. "É incansável nesta espera pelos seus objectivos", diz Olga Roriz. "É a minha Electra."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orçamento da Cultura cresce 12,8 por cento, para 236,3 milhões de euros

in Público 27/01/10

O Ministério da Cultura vê o seu orçamento para 2010 crescer em 12,8 por cento em relação à estimativa de execução do ano passado para um total de 236,3 milhões de euros. A despesa consolidada em 2009 foi de 209,5 milhões de euros.

No final da última legislatura, o primeiro-ministro, José Sócrates, assumiu como erro ter investido pouco na Cultura. Apesar disso a cultura representa só 0,4% das despesas da administração central (em 2009 esse número era 0,3 por cento) e os gastos com a Cultura para 2010 correspondem a 0,1 por cento do PIB.

Os serviços e fundos autónomos tutelados pela Cultura absorvem uma dotação de 89,6 milhões de euros, o que representa uma subida de 0,6% em relação ao ano anterior.

Este aumento é devido sobretudo à actividade do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e do Instituto dos Museus e da Conservação. Do conjunto dos projectos de investimento de montante superior a 5 milhões de euros destacam-se os referentes ao apoio às artes e à Casa da Música.

Os três eixos prioritários do Ministério da Cultura continuam a ser a Língua, o Património e as Artes e as Indústrias Criativas e Culturais.

No plano orçamental o objectivo é promover “o rigor na gestão e o aumento das parcerias e do funcionamento em rede com instituições públicas e privadas”. E o Ministério da Cultura assume como eixo fundamental da estratégia cultural “uma política da língua, uniformizada e eficaz” promovendo a “progressiva validação prática do acordo ortográfico e da sua generalizada opção”.
Vão ser lançadas as bases de um programa de rede de bibliotecas públicas (numa colaboração da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas com a Biblioteca Nacional e do Livro de Cabo Verde e o Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa de Moçambique), realizar-se várias feiras do livro nos países da CPLP e será também lançado o Projecto Língua, Música, Teatro, Literatura e Culinária em articulação com o Brasil.

No património assumirá grande destaque o Programa Estratégico Rede de Cidades e Mosteiros Portugueses — Património da Humanidade (2009-2012), desenvolvido pelo IGESPAR, em parceria com os municípios de Lisboa, Alcobaça, Batalha e Tomar.

Será ainda revisto o funcionamento do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual e reforçada a actuação do Instituto de Cinema e Audiovisual. A Cinemateca lançará o projecto de uma base de dados que permitirá aceder através do seu website a conteúdos como a filmografia portuguesa, a biblioteca e o arquivo fotográfico, a objectos museográficos e objectos digitais.

Em causa está a necessidade de dotar os artistas do espectáculo do mesmo tipo de protecção social de que usufrui qualquer outro trabalhador por conta

in Público 27/01/10

Carlos Costa, actor da companhia de teatro Visões Úteis e dirigente da associação Plateia, congratula-se com a anunciada intenção do Partido Socialista de introduzir alterações na lei que rege os contratos de trabalho dos profissionais das artes do espectáculo, mas avisa que uma lei, mesmo sendo boa, não serve de muito se não funcionar na prática.

Em causa está a necessidade de dotar os artistas do espectáculo do mesmo tipo de protecção social de que usufrui qualquer outro trabalhador por conta de outrem.

A lei de 2008, criada quando Isabel Pires de Lima foi ministra da Cultura, já introduziu um regime de contratos sem termo, que procura ter em conta a especificidade do sector, cujos profissionais trabalham quase sempre de forma intermitente e, muitas vezes, para diversas entidades empregadoras. No entanto, na sua esmagadora maioria, estes trabalhadores continuam a ser pagos mediante recibos verdes, como se fossem profissionais liberais a receber por uma prestação de serviço ocasional, e não podem meter baixa por doença ou beneficiar de subsídio de desemprego.

A Plateia, em conjunto com a GDA (organização que gere os direitos conexos de artistas e intérpretes) e a Faculdade de Direito da Universidade do Porto, elaborou um estudo, enviado ao anterior Governo socialista, que analisa a situação no terreno e compara as soluções jurídicas que outros países encontraram para resolver o problema.

Para Carlos Costa, "há quatro condições fundamentais" que têm de ser asseguradas para que a futura lei seja simultaneamente justa e eficaz. "É preciso conhecer bem o que se passa no terreno, aprender com as experiências estrangeiras, propor soluções que sejam comportáveis pelo Estado, num momento em que a pressão social é toda no sentido de se reduzir a despesa, e garantir que os serviços públicos terão capacidade de aplicar a lei".

Regularização da dívida é o objectivo da única lista concorrente ao Cineclube do Porto

in Público 27/01/10

A única lista que formalizou a sua candidatura à direcção do Cineclube do Porto (CCP), cujo prazo de entrega terminou anteontem à noite, tem como prioridade a regularização da dívida de 50 mil euros ao Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

O cabeça de lista que concorre à presidência do Cineclube do Porto, José António Cunha, referiu ao PÚBLICO que, numa reunião entre a direcção demissionária e o ICA, onde um dos membros da lista candidata esteve presente na condição de consultor jurídico, foram apresentadas várias alternativas para chegar a um possível acordo.

Para regularizar a dívida, a direcção ainda em funções propôs-se canalizar o subsídio do ICA atribuído à reabilitação da sala da sede do CCP, na Rua do Rosário, para o restauro de uma sala de outro edifício, que ainda está por definir. Como a actual sala se encontra num estado de degradação que levaria a obras mais profundas, que seriam da responsabilidade do senhorio, o candidato não exclui mesmo a hipótese de transferir a sede para um outro local. A outra opção passa pela devolução integral dos cerca de 30 mil euros que receberam do ICA e que ainda estão depositados numa conta bancária.

Recorde-se que os 50 mil euros que o ICA reclama são o acumulado com juros de mora, já que a segunda parcela do subsídio foi cancelada por falta da apresentação dos comprovativos da obra.

De acordo com o director do Departamento de Cinema e Audiovisual do ICA, Hugo Lourenço, o cineclube concorreu a uma linha de apoio muito específica com o fim de reabilitar uma das salas da sede do cineclube. Apesar de afirmar que o ICA está disponível para solucionar o problema, ressalva que esta é uma questão complexa, tendo em conta a natureza do subsídio e por se tratar de financiamento público. Para além disso, o instituto já tinha solicitado às Finanças a execução da dívida.

Hugo Lourenço afirma que a solução, seja ela qual for, terá de ser enquadrada com o que a lei determina, razão pela qual o ICA remeteu a análise das propostas apresentadas pelo cineclube para os juristas do organismo, cujo parecer ainda não é conhecido.

As eleições para a direcção do Cineclube do Porto estão marcadas para o próximo dia 6 de Fevereiro.

Para este ciclo, intitulado “Poesia e Música - Tardes no Jardim de Inverno”, o São Luiz desafiou cinco actores a pensarem os poetas com quem desenvolv

in Público 27/01/10

As palavras dos poetas Alberto Lacerda, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Sophia de Mello Breyner Andresen e Herberto Helder serão recordadas a partir de 6 de Fevereiro no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa.

Para este ciclo, intitulado “Poesia e Música - Tardes no Jardim de Inverno”, o São Luiz desafiou cinco actores a pensarem os poetas com quem desenvolvem cumplicidades e a descobrir as respectivas músicas preferidas.

O resultado poderá ser visto e ouvido nos próximos sábados, pelas 17h30, começando já a 6 de Fevereiro com a poesia de Alberto de Lacerda, dita por Jorge Silva Melo, acompanhado ao piano por João Aboim, que interpretará música de Mozart, compositor a quem o poeta dedicou o seu primeiro livro.

A 13 de Fevereiro, as palavras de Luiza Neto Jorge serão proferidas por Luís Miguel Cintra, ao som da música de Jorge Peixinho, interpretada pelo pianista João Paulo Santos.

Os poemas de Mário Cesariny far-se-ão ouvir a 20 de Fevereiro, pela voz de Graça Lobo, enquanto Olga Pratts toca, no piano, música de Fernando Lopes-Graça.

Beatriz Batarda evocará, na tarde de 27 de Fevereiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, acompanhada ao piano por Bernardo Sassetti, que tocará música da sua autoria.

O quinto e último sábado, 13 de Março, será dedicado a Herberto Helder, cujas palavras serão ditas por Maria João Luís, ao som do violoncelo de Irene Lima, que interpretará música de Johann Sebastian Bach.

Metro do Porto procura novos talentos para levar música às estações

in Público 27/01/10

A Metro do Porto quer ter animação musical na sua rede, a partir de 1 de Março, à semelhança do que acontece nos metropolitanos de Londres, Nova Iorque e Barcelona. Para escolher os músicos ou bandas que vão integrar o projecto, a empresa vai organizar um casting em Fevereiro.

Denominado “Música na Rua”, o projecto, da responsabilidade da Metro do Porto, Câmara do Porto, Casa da Música e SPOT, pretende promover novos talentos, criar palcos na cidade e animar culturalmente a rede do metro.

A ideia é escolher “dezenas” de músicos/bandas que passarão a actuar nos dias úteis, a partir de 1 de Março, nas estações do metro da Trindade, do Bolhão e da Casa da Música, das 11h00 às 14h00 e das 17h00 às 20h00.

O casting está marcado para 19 e 20 de Fevereiro, na estação do metro de S. Bento, sendo a selecção das bandas a actuar da responsabilidade de um júri.

Serão aceites todos os estilos e géneros musicais, estando já garantida a visibilidade destes novos talentos, uma vez que, de acordo com dados divulgados hoje pela Metro do Porto, poderão contar, na sua rede, com 200 mil espectadores/dia, 60 por cento dos quais com idade inferior a 35 anos.

Para além de promover a música, esta iniciativa oferece aos participantes a possibilidade de lançarem a sua carreira, porque inclui, posteriormente, uma votação do público.

A votação da banda/músico favorito será feita online e por SMS, com a receita das mensagens escritas a reverter a favor do projecto da autarquia “Pular a Cerca na companhia do Rugby”, que ajuda crianças e jovens do bairro do Cerco.

Os melhores músicos e bandas receberão como prémio “notoriedade”, participando em concertos organizados ou promovidos pela autarquia, através da Porto Lazer, designadamente no Porto Sounds.

Com as verbas que forem angariadas, disse Márcia Andrade, coordenadora do “Pular a Cerca”, nascerá um novo projecto musical, que reunirá as crianças/jovens daquele bairro da cidade, o Grupo Beatbox Ensemble e agentes da PSP. Trata-se de “um projecto que visa promover a inclusão social e a cidadania”, disse a responsável, acrescentando que a ideia é estabelecer relações de proximidade entre todos os intervenientes.

O projecto pretende ainda “levar estes talentos” à superfície, estando prevista a actuação das bandas a partir do verão em palcos localizados junto aos acessos de algumas estações.

Nuno Azevedo, da Casa da Música, classificou a iniciativa como “um sinal muito positivo” de que o Porto quer ser uma “cidade criativa, aberta a integrar agentes culturais”. “Isso é um dos elementos que mais caracteriza as cidades culturais atractivas”, frisou.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Profissionais do espectáculo com novas regras de segurança social

in Público 24/01/10

A criação de um regime de segurança social adaptável aos profissionais das artes e dos espectáculos está prevista nas alterações à lei que rege os profissionais do sector e que foi aprovada no primeiro mandato governamental de José Sócrates, sob tutela da então ministra Isabel Pires de Lima.

Outra novidade será o regresso das carteiras profissionais, como modo de certificar os profissionais do sector, estando ainda em aberto se este documento será passado pela Direcção-Geral dos Espectáculos se por uma entidade a nomear ou a criar, explicou ao PÚBLICO Inês de Medeiros, vice-presidente da bancada do PS.

Esta deputada é responsável pela preparação deste conjunto de alterações à lei, que deverão entrar na Mesa da Assembleia da República, no início do mês de Fevereiro.

"É antiga a luta dos artistas e dos profissionais do sector em conseguirem um estatuto adequado", reconhece Inês de Medeiros, que salienta, contudo "o importante passo dado pela lei 4 de 2008, que criou já o contrato específico, para lutar contra os recibos verdes".

Esta deputada independente eleita nas listas do PS frisa que há especificidades deste sector e lembra que "a flexibilidade faz parte da profissão". Estas características fazem com que "as pessoas não estejam intermitentes por opção, faz parte desta profissão o trabalho descontinuado" e isso está já contemplado na lei, garante, "ao contrário de uma primeira leitura que foi feita pelo meio, em que não foi medida a importância de ter sido criado um contrato especifico, que não tem limite de tempo nem de contratos".

Inês de Medeiros lembra que o regime de contratos sem termo criado pela lei "salvaguardou a intermitência do empregador e agora é preciso encontrar o acordo e a salvaguarda de ambas as partes e criar estímulos, para que os contratos sejam aplicados". Mas a vice-presidente da bancada socialista garante que "o projecto de lei terá em conta a necessidade de os produtores de espectáculos não serem sobrecarregados".

O regresso da carteira

Apesar de elogiar o estatuto regulamentado por Isabel Pires de Lima, Inês de Medeiros afirma que "essa lei deixou três questões em aberto". A primeira é a da certificação da profissão, pelo que serão agora reintroduzidas as carteiras profissionais. Só que "antigamente estas carteiras profissionais eram passadas pelo sindicato", recorda Inês de Medeiros, que sublinha que tal tipo de procedimento hoje não é possível, até pela profusão de sindicatos ligados ao sector.

Daí que esteja a ser estudada a melhor forma de ser feita a certificação da profissão não só dos artistas, mas também dos outros profissionais do sector, quer ao nível de quem é responsável pela emissão da carteira, como ao prazo da sua duração.

"O segundo problema a resolver é o de que, para dinamizar o sector, não se pode excluir os técnicos", afirma a deputada independente eleita pelo PS, que é ela também actriz. Ainda que não tenham o trabalho artístico e o criativo, "os técnicos vivem as mesmas contingências que os artistas", por isso têm de merecer tratamento idêntico, sublinha Inês de Medeiros.

Por fim, as alterações têm como objectivo ultrapassar o problema da segurança social. "A ideia é criar um regime adaptável à profissão, encontrar um ponto comum a todas as profissões do meio artístico, dos profissionais do sector e do meio artístico e completar o que já está na lei".

Descontos obrigatórios

Inês de Medeiros frisa que "a precariedade é específica do sector, é uma flexibilidade querida que é inerente à liberdade de acção e o contrato permite isso". Daí que agora seja "preciso garantir o apoio social e que as pessoas têm os mesmos direitos de todos, se fizerem os descontos necessários".

Para a deputada independente eleita pelo PS, "o importante é não deixar todo um sector sem protecção social ou sujeitos a um regime de descontos como se fossem uma profissão liberal, assim como combater os descontos que os profissionais não podem pagar porque ninguém ganha para isso".

Inês de Medeiros defende que é preciso introduzir um regime de descontos obrigatório que as pessoas paguem na proporção do que ganham e que descontem quando trabalham.

Escola da Noite recebe Teatro de Montemuro em Coimbra

in DN 24/01/10

Peça de Abel Neves 'Saloon Yé Yé' será representada em Coimbra no próximo fim-de-semana. Seguem-se Porto e Lisboa.

A Escola da Noite, em Coimbra, acolhe no Teatro da Cerca de São Bernardo nos dias 29 e 30, sexta e sábado, às 21.30, o Teatro de Montemuro com o espectáculo Saloon Yé Yé, de Abel Neves, encenado por Graeme Pulleyn.

Com Saloon Yé Yé, Coimbra fica a conhecer melhor o teatro de Abel Neves, de quem, ainda em 2009, A Escola da Noite apresentou Este Oeste Éden. Desta vez, num registo cómico, Abel Neves transporta os espectadores até "algures na serra, num planalto remoto e quase desértico onde não passa ninguém" e onde "três audaciosos cowboys, mais um rapaz tocador de pianola e uma sedutora e exuberante, cantora coxa, amiga do pianista, empreenderam um negócio rendável": o Saloon Yé Yé.

Com cenografia e figurinos de Ana Brum e direcção de produção de Paula Teixeira, Saloon Yé Yé conta com interpretações de Abel Duarte, Neusa Fangueirso, Daniela Vieitas, Paulo Duarte e Nuno Bravo Nogueira.

Esta apresentação do grupo de Campo Benfeito em Coimbra acontece no âmbito da Plataforma das Companhias, a qual para além do Teatro de Montemuro e d'A Escola da Noite, é ainda integrada pelo Centro Dramático de Évora, Companhia de Teatro de Braga, ACTA e Teatro das Beiras.

Esta estrutura informal existe desde 2004 e, para além da organização de festivais, edição e troca regular de espectáculos tem permitido várias coproduções entre os grupos envolvidos.

Depois desta passagem por Coimbra, Saloon Yé Yé, que estreou em Outubro passado no Teatro Municipal de Vila Real, será apresentado no Porto e em Lisboa.

O preço dos bilhetes varia entre 6 e 10 euros.