sábado, 7 de novembro de 2009

Peça 'Maria Stuart' regressa aos palcos

in DN 07/11/09

A história, inspirada em Mary I da Escócia, é encenada 200 anos após a estreia

A peça Maria Stuart, do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, vai subir à cena no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, 200 anos após a sua estreia. O drama, interpretado pela primeira vez a 14 de Junho de 1800, em Weimar, na Alemanha, é baseado na vida de Mary I da Escócia, que foi condenada à morte pelo homicídio do marido.

A história centra-se no confronto entre Maria Stuart e a sua prima Elizabeth I, duas mulheres completamente diferentes, que se batem pelo amor, pelo poder e pelo trono. Maria Stuart encontra-se prisioneira, em Inglaterra, aparentemente pelo homicídio do seu marido. No entanto, as verdadeiras razões da detenção devem-se à sua pretensão ao trono, como herdeira de direito. Uma tragédia que coloca frente a frente o amor e as convicções de uma personalidade lutadora.

A encenação é partilhada entre Cristina Carvalhal e Nuno M. Cardoso e vai estar em palco a partir de terça até domingo, 15

"Todas as personagens me fizeram crescer enquanto humana"

in JN 07/11/09

Juliette Binoche veio ao Estoril Film Festival a propósito da exposição 'Portraits In Eyes', em que retrata realizadores com quem trabalhou. Agora com 45 anos, a actriz afirma estar a aproveitar o que a vida tem para lhe oferecer e diz-se "política nos actos do dia-a-dia"

Num dos hotéis mais luxuosos da Grande Lisboa, Juliette Binoche termina a manhã a olhar para o mar. São os mesmos olhos que acenderam o rastilho de uma exposição que acaba agora uma volta por 12 cidades. Os quadros e fotografias de "Portraits In Eyes" retratam realizadores com quem trabalhou (Jean-Luc Godard, André Techiné, Louis Malle ou Anthony Minghella) e parte da ideia de "prestar tributo" a uma série de personalidades marcantes na história do cinema. "É a minha curiosidade a tentar perceber que relação se estabelece com eles. O que é que sobra deles em mim? Se eles estão frente a mim, o contrário também pode acontecer", defende entre risos que tornam fácil de adivinhar uma boa relação com parte daqueles que a dirigiram. "No fim do dia, não é o resultado que interessa. É a forma como o fizeste, porque isso é a vida como ela é." A actriz mais bem paga do cinema francês quase deita por terra quaisquer dúvidas que pudessem subsistir em relação à sua postura no cinema.

"Não distingo bons e maus filmes porque todos fazem parte de um processo. Todas as personagens me fizeram crescer enquanto ser humano", assume. No entanto, alguns dos realizadores com quem trabalhou deixaram a sua mar- ca: "Com [Jean-Luc] Godard foi difícil, mas aprendi que só podia contar comigo e com o meu trabalho, além de todo o estudo prévio necessário; com (Krzystof) Kieslowski percebi que se podia dizer a coisa mais horrível e ao mesmo tempo ser-se feliz. Com ele, também soube lidar com os detalhes. Não me arrepen-do de nenhum filme."

Aos 45 anos, Binoche sente "uma necessidade de transformação", o que não significa que "Portraits In Eyes" possa ser encarada como "um escape" ou sequer "um projecto paralelo". A actriz refere ser apenas "uma tentativa de entrar na cabeça dos realizadores" e também uma forma de "aproveitar a vida". A viagem a Lisboa é parte de um processo ocioso que incluiu "Nova Iorque, ir ao cinema, tertúlias com escritores e consumir arte", explica, com ar divertido.

Da agenda de Juliette Binoche não faz parte a intervenção polí- tica, apesar de ter apoiado o candidato derrotado José Bové nas últimas eleições presidenciais francesas. Diariamente, confessa Bi-noche, é "política nas escolhas diárias: compro comida orgânica, apago as luzes, separo o lixo e fa-ço o que penso ser importante mas, em relação a ideias, é um mundo à parte. É necessário conhecê-lo".

Nada melhor então que a arte para "expressar o invisível", já que "as palavras não são suficientes para expressar tudo o que temos cá dentro". E tal como a natureza, "abre o coração, faz perceber que somos pequenos e o resto é tão grande e interroga-nos sobre as grandes questões do mundo".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

TNSJ inaugura Centro de Documentação dia 11 de Novembro

in Diário Digital 05/11/09

O Centro de Documentação do Teatro Nacional São João (TNSJ) vai ser inaugurado dia 11 de Novembro, numa das salas do Mosteiro de São Bento da Vitória.

Este novo espaço de pesquisa e consulta vai funcionar de segunda a sexta-feira, entre as 14:30 e as 18:00 horas, segundo o divulgado em comunicado.

Com uma «cenografia funcional» desenhada pelo arquitecto Nuno Lacerda Lopes, o espaço contará com um espólio de mais de quatro mil livros («teatro, dança, dicionários, enciclopédias», entre outros) e cerca de mil números de publicações periódicas nacionais e internacionais.

O público também poderá contar com 150 exemplares de vídeos, mais de 300 dossiers fotográficos e 300 textos cénicos, entre muitos outros documentos.

O trabalho de recolha e armazenamento foi iniciado no ano 2000.

Paralelamente, o Cinfo – Centro de Informação, alojado no sítio do TNSJ (www.tnsj.pt), tem funcionado igualmente como biblioteca online desde 2001.

Na cerimónia de inauguração será lançado o livro «Identidades Reescritas: Figurações da Irlanda no Teatro Português», de Paulo Eduardo Carvalho, com apresentação a cargo de Maria Helena Serôdio, professora catedrática e Presidente da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, e de Rui Carvalho Homem, investigador e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Será também lançado o DVD do espectáculo «O Mercador de Veneza», de William Shakespeare, estreado no palco do TNSJ em Novembro de 2008.

A sessão contará com as presenças do encenador Ricardo Pais e de Tiago Guedes, que assina a realização.


Teatro nos bastidores da alta cozinha

in DN 05/11/09

Em 'O Que Se Leva Desta Vida', Tiago Rodrigues e Gonçalo Waddington transformam mesmo o palco do Teatro São Luiz na cozinha de um grande restaurante.


E eis que, de repente, já não estamos na sala do Teatro São Luiz, em Lisboa, mas na cozinha de um grande restaurante. Agitação e aventais brancos, facas ágeis e um chef que grita "vamos lá, pessoal". Há miminhos do chef e gelatina de grelos. Pratos delicados preparados com as mãos a tremer, porque é hora do jantar e os clientes estão à espera.

Esta é a proposta do espectáculo O Que Se Leva Desta Vida?, que se estreia hoje. Os actores e encenadores Tiago Rodrigues e Gonçalo Waddington (com a colaboração do realizador João Canijo) criaram este espectáculo após cerca de um ano e meio de "aturada pesquisa filosófica e gastronómica", com a colaboração de quatro dos melhores cozinheiros do mundo, cujos restaurantes, situados no País Basco e Catalunha, têm três estrelas no Guia Michelin: Santi Santamaria (Restaurante Can Fabes), Carme Ruscalleda (Restaurante Sant Pau), Juan Mari Arzak (Restaurante Arzak) e Martín Berasategui (Restaurante Martín Beratastegui) ofereceram refeições e experiências gastronómicas aos artistas portugueses e disponibilizaram--se para longas entrevistas sobre a sua obra culinária.

Os dois últimos convidaram ainda Gonçalo Waddington e Tiago Rodrigues para um curto estágio nas suas cozinhas, em San Sebastián. Foi uma oportunidade única para verem por dentro as cozinhas dos restaurantes, perceberem a sua dinâmica, descobrirem alguns dos segredos que nunca poderão revelar. "Há um lado científico na alta cozinha, de pesquisa e de experimentação, muito próximo das artes e da pesquisa artística, que está muito presente", explica Tiago Rodrigues. Mas este lado mais artístico convive, nas cozinhas, com uma disciplina quase militar. A autoridade está bem definida e todos têm de saber exactamente o que fazer para que o resultado seja perfeito: "E num restaurante deste calibre, em que se paga tanto por uma refeição, tudo tem mesmo de ser perfeito."

Por isso, nesta cozinha-a-fingir-que-afinal-é-verdadeira, eles tentaram reproduzir essa dinâmica de uma "brigada de cozinha": "Queríamos ter esse lado, que é um lado quase militar, fabril, muito duro, que existe para se chegar àquele rigor e àquela delicadeza. Nós vamos a um restaurante e estamos a comer enquanto, paredes meias, está um exército a queimar-se, a cortar-se, a tentar sobreviver a um dia de 14 horas e isso tem qualquer coisa de muito humano e de muito belo", dizem.

Este podia ser um espectáculo com dois actores a fingir que cozinham. Mas eles foram mais longe. "São dois actores que cozinham em palco. A nossa empresa teatral confunde-se com a empresa de montar uma cozinha", contam. No palco cozinha-se à séria. Há uma ementa, ingredientes, máquinas a funcionar e seis cozinheiros que estão demasiado ocupados a partir e a refogar, a marinar e a empratar, para sequer terem tempo de representar. Enquanto dão ordens e orientações para confeccionar uma refeição em tempo real, os dois chefs vão travando uma batalha pelo prato perfeito, que é também uma discussão filosófica - métodos naturais ou químicos?, aves de caça ou de aviário?, o mais importante é o processo ou o resultado? Uma luta entre dois egos, entre dois modos de cozinhar, entre dois estilos de vida. E, no final, o que se leva desta vida?

Até dia 22, no Teatro São Luiz, Lisboa. Nos dias 11 e 18, os intérpretes e criativos conversam com o público sobre a construção do espectáculo.

Tempo de filmes e de estrelas no Estoril

in DN 05/11/09

A terceira edição do Estoril Film Festival (de hoje a dia 14) traz a Portugal três enormes convidados: especiais Juliette Binoche, Francis Ford Coppola e David Cronenberg. E há os filmes e as retrospectivas.


Já por lá passaram, nas suas primeiras edições, nomes como Pedro Almodóvar, David Lynch ou Bernardo Bertolucci. Este ano, o terceiro Estoril Film Festival (abre hoje e prolonga-se até dia 14) vai receber um trio de luxo composto por Juliette Binoche, Francis Ford Coppola e David Cronenberg, que trarão com eles filmes em estreia ou em retrospectiva, e exposições, terá no júri David Byrne, Alexandre Desplat, Cindy Sherman, Manfred Eicher e Rui Horta, e acolherá ainda, noutras manifestações, nomes como Peter Handke, Sasha Grey, Dominique de Villepin, Emanuel Ungaro, Robert Frank ou Jacques Audiard.

O festival mantém as suas duas secções principais, a Oficial - Em Competição, que continua a destacar uma selecção do cinema europeu mais rec ente (este ano, passarão obras quer de estreantes, como Duncan Jones, quer de nomes já conhecidos, como Marc Recha, João Mário Grilo ou Corneliu Poromboiu); e a Fora de Competição, em que se verão, em antestreia, títulos como The Girlfriend Experience, de Steven Soderbergh, The White Ribbon, de Michael Haneke, Bright Star, de Jane Campion, o documentário The September Issue, de R.J. Cutler, ou Antichrist, de Lars von Trier, entre outros deste calibre (ver destaque em baixo).

Este ano, o festival propõe uma retrospectiva completa dos videoclips de David Fincher, que será acompanhada de alguns dos filmes mais significativos do realizador de Clube de Combate. Há também duas novas secções na programação. A primeira, Cineastas Raros, vai divulgar as obras do espanhol Victor Erice e do italiano Franco Piavoli. Na segunda, CinemART, dedicada a ilustrar as incursões pelo cinema de personalidades das outras artes, serão apresentados filmes do fotógrafo Robert Frank e da artista plástica e fotógrafa Sophie Calle, do escritor e dramaturgo Peter Handke, dos membros do júri David Byrne e Manfred Eicher, e ainda de Bob Dylan, este através do filme Renaldo and Clara (1978), que co-escreveu com Sam Shepard, realizou e interpretou, ao lado de Sara Dylan, Joan Baez e Harry Dean Stanton.

Tudo isto não pode fazer esquecer que, na secção O Cinema e a Sua História, o Estoril Film Festival dará ainda a ver a cópia restaurada de Lola Montès, a obra--prima "maldita" de Max Ophuls; e, assinalando os 70 anos do fim da Guerra Civil de Espanha, e em conjunto com a Filmoteca Espanhola, serão mostrados mais de 60 filmes documentais do conflito, rodados entre 1936 e 1939, muitos dos quais não eram vistos desde o seu final.

Haverá ainda o Encontro das Escolas de Cinema Europeias (dias 9, 10 e 11) o Encontro Europa Distribution (dias 12, 13 e 14) e masterclasses, debates e encontros com o público, com a participação dos membros do júri e das personalidades presentes. Informação completa e bilhetes em www.estoril-filmfestival.com.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cinema do Brasil regressa

in Destak 04/11/09

É já pela 4.ª vez que Lisboa recebe a Mostra de Cinema Brasileiro, organizada pela Fundação Luso-Brasileira. O São Jorge abre as portas, durante 4 noites, para deixar entrar 12 filmes contemporâneos, não exibidos no circuito comercial e prestar homenagem ao realizador Domingos de Oliveira e ao actor Matheus Nachtergaele

O programa inclui filmes realizados por Domingos de Oliveira (responsável, entre outros, pela série televisiva de sucesso Confissões de Adolescentes) e filmes protagonizados por Matheus Nachtergaele (que participou em filmes como Cidade de Deus e Central do Brasil).

A Mostra começa amanhã, com uma exibição reservada a convidados do drama Juventude (2008), realizado e protagonizado por Domingos de Oliveira, com Paulo José e Aderbal Freire Filho. O filme é exibido ao público no 3.º dia.

O dia 6 é dedicado à filmografia brasileira contemporânea, com a exibição, entre outros, do drama Meu nome não é Johnny, o filme mais visto no Brasil em 2008.

No dia 7, são apresentados quatro filmes de Domingos de Oliveira. A filmografia de Matheus Nachtergaele está em destaque no último dia, sendo o filme A Festa da Menina Morta apresentado pelo próprio actor brasileiro, às 20h30

Horário 5 a 8 Novembro
Preço 3,5 euros

Dia 6: Filmografia contemporânea
16h00 - “Romance” (105 min)
18h30 - “Santiago” (80 min)
21h00 – “Chega de Saudade” (92 min)
23h00 - “Meu nome não é Johnny “ (128 min)
Dia 7: Filmografia de Domingos de Oliveira
16h00 – “Feminices” (1h e 12 min)
18h30 – “Separações” (1h e 56 min)
21h00 – “Juventude” (1h e 12 min)
23h00 - “Carreiras” (1h e 12 min)
Dia 8: Filmografia de Mateus Nachtergaele
16h00 – “O Auto da Compadecida“ (1h e 44 min)
18h30 - “Tapete Vermelho” (1h e 40 min)
20h30 – Apresentação do filme “A Festa da Menina Morta” pelo seu realizador, Matheus Nachtergaele
21h00 – “A Festa da Menina Morta” (1h e 50 min) M18
23h00 – “A Concepção” (96 min) M18

«O Ano do Pensamento Mágico» estreia no TNDMII dia 12

in Diário Digital 04/11/09

O Teatro Nacional Dona Maria II (TNDMII) vai estrear a 12 de Novembro, na Sala Garrett, «O Ano do Pensamento Mágico», de Joan Didion, baseado nas suas memórias.
Diogo Infante encena o texto traduzido por Pedro Gorman. Protagoniza o espectáculo Eunice Muñoz, segundo o divulgado em comunicado.

«Sentam-se para jantar e a vida como a conhecem termina», escreve a produção. «Joan Didion e o seu marido, John, entram em casa depois de visitar a filha, Quintana, internada com uma infecção generalizada».

«(…) sentam-se para jantar e eis quando, no silêncio que se instala, John morre de ataque cardíaco», continua a produção, que refere que o espectáculo reflecte sobre «a doença e a morte», «a probabilidade e o acaso» e «a saudade e o amor».

As sessões vão decorrer de quarta-feira a sábado, às 21:30; e aos domingos, às 16:00 horas, até 20 de Dezembro.

Dirigido a maiores de 12 anos, a peça tem cerca de uma hora e dez de duração, sem intervalo.
A música é de João Gil, interpretado ao piano por Ruben Alves. A cenografia e os figurinos são assinados por Catarina Amaro. Miguel Seabra está a cargo do desenho de luz.

No dia da estreia, vai ser também inaugurada no TNDMII a exposição «Eunice Muñoz – Retrato(s) de uma Actriz». A mostra, patente até 31 de Dezembro, pode ser visitada das 15:00 às 18:30, de quarta-feira a domingo.