sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Companhia Teatro Azul suspende actividade e critica Governo no atraso a apoios

in Lusa 01/12/09

A companhia Teatro Azul anunciou hoje a suspensão de actividades por tempo indeterminado, criticando o Governo por não ter cumprido os prazos estipulados de candidaturas de apoios às artes, afirmou o director artístico.

"Os produtores culturais têm prazos rigorosos para cumprir, para entregar todos os documentos, com tudo e mais alguma coisa. O próprio Governo, que fez as próprias leis com que quer trabalhar, é o mesmo Governo que não cumpre com a abertura dos concursos", criticou Nuno Miguel Henriques, em declarações à agência Lusa.

O director artístico da companhia referiu ainda que já solicitou uma audiência ao primeiro-ministro, José Sócrates, e à ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, com o intuito de apresentar "as pespectivas de quem anda no terreno de norte a sul do país a fazer espectáculos".

Novas formas de gestão vão ser desafio dos museus

São os guardiães do património do país. Os museus e palácios nacionais conservam e exibem as colecções públicas de arte antiga e contemporânea, uma actividade que se tornou mais complexa nos últimos anos e enfrentará novos desafios em 2010.

Além dos reduzidos recursos financeiros e humanos que há anos consecutivos afectam os museus nacionais, limitando as programações, o sector vai confrontar-se com a exigência de novas formas de gestão para lidar com uma identidade em mudança, segundo os especialistas.

De acordo com a Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Museus (ICOM-PT), inquéritos realizados em 1999 e 2003 mostram que quase triplicou o número de espaços museológicos no país que já obedecem a critérios mais exigentes.

João Brigola, novo director do Instituto dos Museus e da Conservação IMC - que tutela 28 museus e cinco palácios nacionais - ainda não fez declarações públicas sobre a situação do sector, mas um texto que assinou no ano passado na revista "Museologias.pt" revelava já algumas preocupações.

O museu, "tal como a cultura ocidental o herdou do século XVIII, atravessa uma profunda crise de identidade", escreveu o então catedrático Universidade de Évora num texto sobre "A crise institucional e simbólica do museu nas sociedades contemporâneas".

"A explosão museal das últimas décadas tem colocado em evidência a efemeridade e a fragilidade de grande parte destas novas iniciativas museológicas, e acentuado o fosso que as separa dos museus já consolidados", apontava o especialista.

João Brigola considerava ainda que "é no quadro ético que a crise do museu nas sociedades contemporâneas, permeável à concorrência das indústrias do entretenimento e às leis do mercado e do marketing, ameaça corroer a sua base normativa e conceptual enquanto instituição central da cultura".

Clara Camacho, na altura sub-directora do IMC, também deixava pistas para reflexão sobre o futuro do sector, escrevendo, na mesma publicação, sobre "responsabilidades acrescidas" dos museus nos dias de hoje face ao património cultural.

A conservadora concluía que os museus estão a enfrentar exigências de mais e melhor conhecimento, conservação adequada e segurança reforçada, além de respostas ao público em termos de exposições renovadas, conforto e lojas atractivas.

Referia ainda, na mesma publicação, que os directores dos museus enfrentam novos desafios com estas mudanças: "provenientes maioritariamente das Humanidades e Artes, é com alguma relutância que encaram as áreas da gestão, que progressivamente se tornaram mais exigentes, mais especializadas e mais controladas".

Sintomática desta evolução foi a recente demissão do director do Museu de Évora, Joaquim Caetano, após quase uma década à frente da direcção.

Alegou que para o museu enfrentar "novos desafios" deveria ser liderado por alguém com outro perfil, "outra capacidade de gestão e de angariação de apoios, por exemplo através de mecenato".

No ano passado, na mesma revista "Museologias.pt", Manuel Bairrão Oleiro, então director do IMC, defendia a possibilidade dos museus nacionais serem financeiramente apoiados pelo Estado, de forma continuada, mas geridos de acordo com regras de gestão privada, convicto de que esta solução "seria aquela que melhores garantias de sucesso poderia trazer aos museus públicos".

Em declarações à Agência Lusa, João Neto, presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), rejeita esta posição, e considera que "os privados não são melhores do que os públicos".

Mas defende, como prioridade para 2010, que "os recursos humanos dos museus devem receber formação especializada em gestão e direcção" destes organismos.

Defende também a criação do Conselho Nacional de Cultura, que integra uma sessão dedicada aos museus "uma promessa nunca realizada".

Esta também é uma das medidas fundamentais e mais urgentes defendidas recentemente num documento enviado à tutela pela direcção do ICOM-PT, que vaticina "tempos muito difíceis no mundo dos museus".

O orçamento para os museus e palácios nacionais de 2010 é ainda uma incógnita, mas a tutela, liderada pela ministra Gabriela Canavilhas, já reiterou o avanço da construção do novo Museu dos Coches em Belém, e anunciou também a reabilitação do Museu de Arte Popular, envolto em polémica este ano.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 foi um ano muito proveitoso para as curtas portuguesas

in Destak 31/12/09

A Agência da Curta Metragem assinalou em 2009 uma década de actividade e Miguel Dias, um dos directores da estrutura, defende que esse foi “um ano muito proveitoso” para a produção nacional de filmes com duração até 60 minutos.

Em 2008, a Agência teve em circulação 107 curtas-metragens recentes de produção ou co-produção portuguesa, entre as quais se incluíram documentários, filmes animados e obras de ficção e experimentais. Essas curtas foram depois seleccionadas para 544 exibições em festivais ou mostras de cinemas no Portugal e no estrangeiro.

Quanto a 2009, Miguel Dias só tem dados até 31 de Agosto, mas garante: só na primeira metade do ano, o catálogo da Agência já apresentava 120 filmes. No mesmo período, as curtas portuguesas também registaram um aumento ao nível da selecção para difusão pública, acumulando 318 exibições quando, entre Janeiro e Agosto de 2008, se ficavam pelas 289.

Para o mesmo responsável, esses números significam que “a Agência soube acompanhar o crescimento da produção nacional ao nível da quantidade e da qualidade”, e “é graças a isso que, hoje em dia, os filmes portugueses são vistos em centenas de festivais pelo mundo fora”.

Miguel Dias reconhece, contudo, que 37 por cento dessa participação em eventos de cinema cabe a apenas 10 filmes, sete dos quais de animação. Entre essas 10 obras destaca duas curtas animadas – “Passeio de domingo”, de José Miguel Ribeiro, e “Guisado de galinha”, de Joana Toste – e dois filmes de ficção – “3 x 3”, de Nuno Rocha, e “Corrente”, de Rodrigo Areias.

Consolidada a aceitação das obras portuguesas no estrangeiro, a Agência da Curta Metragem concentra agora as suas atenções na audiência nacional. Miguel Dias anuncia: “A nossa preocupação, até 2011, é tentar colocar os filmes da Agência em circuitos de distribuição alternativos em Portugal”.

“Aqui ainda não existe a tradição de apresentar programas de curtas-metragens em espaços públicos”, observa esse responsável. “Fora dos circuitos comerciais, não há muitos espaços onde isso se possa fazer e essa é a dificuldade que temos que contornar, procurando envolver teatros municipais, cineclubes e associações”.

Em 2010, a Agência propõe-se também “reforçar a organização de programas de curtas orientados para públicos específicos”. Miguel Dias refere-se sobretudo aos “espectadores mais jovens” e justifica: “As crianças são sempre um bom público e, quanto mais cedo forem iniciadas no cinema, melhor vão desenvolver a sua sensibilidade para essa área”.

Artes: Concursos para apoios abrem na 1ª semana Janeiro

in Diário Digital 31/12/09

O director-geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, assegurou hoje que os concursos pontuais e anuais de apoio às artes para 2010 vão abrir na primeira semana de Janeiro do próximo ano.

Os concursos serão abertos «até ao fim da primeira semana activa do mês de Janeiro», disse o responsável da Direcção-Geral das Artes (DGA), contactado pela Agência Lusa na sequência de uma carta enviada pelo Bloco de Esquerda ao Ministério da Cultura, denunciando alegados atrasos.

Os bloquistas divulgaram quarta-feira uma nota de imprensa comunicando que tinham enviado uma pergunta ao Ministério da Cultura (MC) sobre este processo, depois de terem tido conhecimento de denúncias de atrasos por parte de vários agentes culturais do país.

Trindade repõe peça de Fernando Pessoa

in Correio da Manhã 31/12/09

O Teatro da Trindade acaba de anunciar que, dado o sucesso obtido junto do público na temporada passada, o espectáculo ‘Havia um Menino que Era Pessoa’ prolonga a sua carreira em 2010.

O espectáculo – um projecto interactivo que tem como ponto de partida o livro ‘O Melhor do Mundo são as Crianças’ – é interpretado por José Figueiredo Martins e tem encenação de Lucinda Loureiro, actriz que o público tão bem conhece da televisão.

Servindo-se de textos que Fernando Pessoa escreveu para os seus sobrinhos – mas não só – este projecto de câmara, que pode ser visto por 50 pessoas de cada vez, foi concebido a pensar especificamente nas crianças do 1º e 2º Ciclos e convida-as a participar nas dramatizações sugeridas pelos poemas.

Serve, assim, de introdução ao complexo mas fascinante universo do principal poeta modernista português e tem como atractivo extra o facto de contar com uma forte componente de vídeo e multimédia (da responsabilidade de Adriano Filipe e Cristina Novo).

‘Havia Um Menino que Era Pessoa’ estará em cena no Salão do Teatro da Trindade de 8 de Janeiro a 27 de Março, sempre aos sábados, às 15h00.

«Com o bebé somos sete» estreia a 7 pela Escola de Mulheres

in Diário Digital 31/12/09

A peça «Com o bebé somos sete», de Paula Vogel, comédia sobre novos conceitos de família, estreia a 07 de Janeiro, em Lisboa, com encenação de Marta Lapa e interpretação de Cristina Carvalhal, Margarida Gonçalves e Sérgio Praia.

Trata-se da primeira produção que a Escola de Mulheres - Oficina de Teatro irá estrear no Clube Estefânia, espaço que programa actualmente.

Com música original de João Lucas, cenografia e figurinos de Ana Luena, desenho de luz de Inês Pombo, design gráfico de Vasco Lopes, cenário de André Dias, Ricardo Ferreira e Carla Rosário, o espectáculo, dirigido ao público maior de 16 anos, tem produção executiva de Manuela Jorge.

Serralves: Gomes de Pinho deixa hoje presidência

in Diário Digital 31/12/09

António Gomes de Pinho deixa esta quinta-feira a presidência da Fundação de Serralves, no Porto, passando a liderar o Conselho de Fundadores, disse fonte da instituição.
A fonte explicou que o sucessor de Gomes de Pinho na presidência será escolhido na próxima reunião do Conselho de Administração da fundação, que ainda não foi agendada.

Na liderança do Conselho de Fundadores, para a qual foi escolhido por unanimidade, Gomes de Pinho vai substituir João Marques Pinto, que terminou o seu mandato no passado dia 15.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dez espectáculos para 2010

in Time Out 30/12/09

Olga Roriz numa mega produção da Sagração da Primavera, uma nova peça de Tim Crouch e até uma revista que passa em revista... 2009. Ana Dias Ferreira apresenta uma selecção de espectáculos a não perder em 2010.

12 a 20 de Janeiro: Maria Mata-os no Teatro Maria Matos
É uma revista à portuguesa, com certeza. Passa em revista 2009, tem música e crítica, mas as semelhanças com o que estamos habituados a ver dentro do género acabam aí. Maria Mata-os é uma criação da companhia Primeiros Sintomas e promete estar recheada de irreverência, chegando mesmo a partir do pressuposto de que o Parque Mayer está a arder. O texto é de Miguel Castro Caldas e os encenadores/ensaiadores são Bruno Bravo e Gonçalo Amorim.

14 de Janeiro a 14 de Fevereiro: A Cidade no Teatro São Luiz
Luis Miguel Cintra pegou em vários textos de Aristófanes para pensar a questão do que é a vida democrática numa cidade, hoje. A Cidade é uma peça que junta erudição, crítica e também humor. A prová-lo está o facto de a equipa habitual do Teatro da Cornucópia – onde se incluem Cintra, Márcia Breia, Rita Durão e Nuno Lopes – ter aqui a companhia de nomes como Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e Maria Rueff.

22 e 23 Janeiro: Sutra no CCB
Ninguém imaginava que isto fosse possível, mas as estrelas deste espectáculo de dança são 17 monges do Templo Shaolin. A proposta é do coreógrafo Sidi Larbi Cherkaoui, que regressa assim ao CCB depois de zero degrees.

18 de Fevereiro a 28 de Março: Rei Édipo no Teatro D. Maria II
Jorge Silva Melo estreia, com os seus Artistas Unidos, a versão que construiu da tragédia escrita por Sófocles, uma das peças mais interpretadas em todo o mundo. O desafio foi lançado por Diogo Infante, que interpreta o papel principal, o Rei Édipo.

11 de Março a 18 de Abril: On an Average Day no D. Maria II
O realizador Marco Martins regressa ao teatro na companhia de Nuno Lopes e Gonçalo Waddington para encenar um drama psicológico escrito pelo dramaturgo americano John Kolvenbach.

Abril e Maio: Agora a Sério no Teatro Aberto
Depois do espectáculo construído com Ricardo Araújo Pereira a partir da Teoria dos Actos de Fala de John Austin, Pedro Mexia estreia-se, Agora a Sério, na encenação de uma peça de teatro. O texto é de um dos seus dramaturgos preferidos, Tom Stoppard, cuja peça, Rock 'n' Roll, esteve também no Teatro Aberto.

15 de Abril a 13 de Junho: Quixote no Teatro da Trindade
João Brites constrói, com O Bando, uma peça sobre um dos heróis mais famosos da literatura. A peça, que na verdade é uma “ópera desdentada” (ainda não sabemos mais do que isto) é construída a partir de Vida do Grande D. Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança de António, de José da Silva.

29 de Maio a 3 de Junho: A Sagração da Primavera no CCB
É um dos momentos do ano: Olga Roriz coreografa a mítica obra de Igor Stravinsky com a participação da Orquestra Metropolitana de Lisboa e uma grande produção que envolve 22 bailarinos e promete encher o Grande Auditório do CCB. Sobre o projecto, a coreógrafa diz: “A Sagração é um desafio, um risco, um precipício no abismo.” Um desafio, acrescenta Roriz, ao qual “chegou o louco momento de me atirar com toda a minha paixão”.

Julho: Sonho de Uma Noite de Verão no CCB
A companhia Teatro Praga pega na peça Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, e junta-lhe a ópera de Henry Purcell, The Fairy Queen, para um espectáculo comemoração que fala à nossa época. E se a companhia encabeçada por Pedro Penim já é conhecida pelas festas que faz em palco, imagine-se o que acontecerá aqui, numa mega produção à escala do Grande Auditório do CCB.

23 a 25 de Novembro: O Autor na Culturgest
É o mais recente texto/espectáculo de Tim Crouch, um nome que nos foi apresentado por três vezes na Culturgest e que, graças à mesma sala, continuaremos a seguir no novo ano. O Autor estreou-se no Royal Court Theatre de Londres (o que por si só já vale como garantia de qualidade) e é uma peça sobre a violência, a figura do autor e o próprio público de teatro, que aqui se senta num frente a frente.

Museu Colecção Berardo: mais de meio milhão de visitas em 2009

in Público 30/12/09

Dois anos e meio após a sua abertura, o Museu Colecção Berardo já acolheu perto de um milhão e meio de visitantes. Só este ano visitaram aquele espaço mais de meio milhão de pessoas (625 mil). Em 2010 o museu continuará a apostar nas colecções temporárias, incluindo a primeira grande exposição antológica da artista plástica Joana Vasconcelos intitulada “Sem Rede”, entre 1 de Março e 18 de Maio.

A exposição “Amália, Coração Independente” - uma retrospectiva da vida da fadista que vai estar no museu Berardo e no museu da Electricidade até ao próximo dia 31 de Janeiro - tem registado grande afluência, tendo tido até ao momento mais de 70 mil visitas, indicou o museu em comunicado.

As duas mostras da Colecção Berardo acolheram mais de 127 mil visitas ao longo de 2009 e, das 14 exposições temporárias, destacaram-se três: a primeira mostra em Portugal do artista Peter Kogler, que contou com 55.188 visitas; a exposição “Art Déco e os seus inimigos” que acolheu 50.782 visitantes; e a retrospectiva da obra do arquitecto Pancho Guedes “Vitruvius Mozambicanus” que recebeu 48 326 visitas.

Em 2010 o museu irá continuar a oferecer um leque muito variado de novidades aos seus visitantes.

Destaca-se aqui a primeira grande exposição antológica de Joana Vasconcelos intitulada “Sem Rede”. A sua obra tornou-se mais conhecida do público português a partir de 2005, quando apresentou "A Noiva", um lustre feito com vinte mil tampões higiénicos femininos (agora na Colecção António Cachola) e que foi escolhido como peça da entrada da Bienal de Veneza daquele ano.

De realçar também a sexta edição da mostra BESPhoto (1 de Fevereiro a 4 de Abril), para a qual foram seleccionados trabalhos dos artistas André Cepeda, Filipa César e Patrícia Almeida.

No primeiro trimestre destaca-se igualmente a mostra do artista americano Robert Longo, que se demarca pela originalidade das técnicas e das temáticas com o uso da grafite e do lápis; “A viagem como exílio”, de Annemarie Schwarzenbach, cuja exposição abordará a sua produção sobre a Europa em preparativos de guerra: Polónia (1937) e Áustria (1938), incluindo uma parte pouco conhecida que foi realizada em Lisboa (1941-1942) e em África (São Tomé e Congo Belga, 1942), avança o comunicado do museu.

Até ao final do ano, outras exposições temporárias merecem igualmente destaque, nomeadamente a exposição “Gémeos”, dos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, internacionalmente consagrados graffiters brasileiros; a exposição Warhol TV, que pretende mostrar essa faceta do artista, pouco explorada e conhecida quando comparada com as outras formas de arte a que se dedicou; e ainda a exposição “Five Rings sixteen stones” de Orla Barry & Rui Chafes.

O museu salienta ainda em comunicado as iniciativas orientadas para um público mais diversificado, nomeadamente através de actividades para “Bebés no Museu”, onde pais e filhos poderão em conjunto brincar e envolverem-se em novas experiências; e para aqueles que gostam de se aventurar em actividades de grupo (amigos ou família) mais prolongadas, o museu sugere “Um Dia no Museu Berardo”.

Maria João Pires e ciclo sobre Schumann no início 2010 no CCB

in Diário Digital 30/12/09

O regresso da pianista Maria João Pires para interpretar Franz Schubert e um ciclo dedicado ao compositor alemão Robert Schumann vão marcar o primeiro trimestre da temporada de 2010 no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

Maria João Pires estará no Grande Auditório do CCB a 16 de Janeiro, desta vez acompanhada pelo tenor Rufus Muller para tocar uma peça maior do repertório do Lied, «A Viagem de Inverno», do compositor austríaco Franz Schubert.

Em Fevereiro, o centro evoca o compositor alemão Robert Schumann no segundo centenário do nascimento através de uma série de recitais de piano e concertos de câmara que trarão a Belém os pianistas Piotr Andersewski, Jean-Efflam Bavouzet, Roger Vignoles e Joao Paulo Santos, o barítono Florian Boesch e o violinista Bruno Monteiro.

«Contos em Viagem» chega ao Fórum Romeu Correia em Janeiro

in Diário Digital 30/12/09

O Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, recebe a partir de 15 de Janeiro de 2010, no auditório Fernando Lopes-Graça, o espectáculo «Contos em Viagem – Outras Rotas», com encenação de Miguel Seabra, peça que se debruça sobre uma viagem pelo Brasil.
A interpretação é de Gina Tocchetto (texto) e António Pedro (Música), numa peça concebida a partir de textos de vários autores, segundo o divulgado em comunicado. A selecção de textos e a dramaturgia são de Natália Luíza.

«[No espectáculo] «É proposta uma viagem através de um rio, o Rio de São Francisco, o maior rio que nasce e desagua em território brasileiro, percorrendo cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe», segundo o fórum.

O texto é de Adélia Prado, Affonso Romano de Sant´Anna, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, João Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Ledo Ivo e Mauro Mota.

Trata-se do terceiro momento do projecto «Contos em Viagem», depois de «Brasil» (2006) e «Cabo-Verde» (2007).

O espectáculo, dirigido a maiores de seis anos, tem cerca de uma hora de duração, sem intervalo.

O preço é de 6 euros, havendo descontos de 50% para jovens e reformados.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Museu de Arqueologia vai mesmo para a Cordoaria

in Público 29/12/09

A nova ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, vai manter a polémica decisão do seu antecessor, José António Pinto Ribeiro, e transferir o Museu Nacional de Arqueologia da ala sul do Mosteiro dos Jerónimos para a Cordoaria Nacional, em Lisboa, onde se prevê que venha a ocupar o Torreão Norte e o corpo central do edifício.

Canavilhas, que ontem esteve reunida ao longo de mais de duas horas com cinco representantes da Associação de Arqueólogos Portugueses (AAP), fez saber que a decisão é "inquestionável" mas, mesmo assim, conseguiu encerrar o encontro com um voto de confiança da associação que, devido a esta mesma decisão, prometeu a Pinto Ribeiro "uma guerra até ao final do mandato".

"Continuo a achar uma má escolha e a defender que a melhor opção seria a construção de um edifício de raiz", explicou ontem ao PÚBLICO José Morais Arnaud, presidente da AAP, mas ressalvando que, apesar disso e de não ter encontrado disponibilidade para devolver à arqueologia a autonomia que teve antes da extinção do seu próprio instituto (o IPA, Instituto Português de Arqueologia), a "grande receptividade" da ministra criou "expectativas".

"Notámos vontade de resolver algumas questões que se vêm arrastando. Em relação a contactos com ministros anteriores, que nos pareceram meras formalidades, neste caso houve um diálogo bastante aberto, olhos nos olhos, em que muitas vezes a senhora ministra questionou os nossos motivos e contrapôs. Creio que este tipo de diálogo não existia desde o tempo do ministro Carrilho. Ficámos com a impressão de que as nossas razões serão, pelo menos, pensadas", disse ainda ao PÚBLICO Morais Arnaud.

Entre outros pontos, Canavilhas e os representantes da AAP discutiram também a criação de uma Ordem dos Arqueólogos (deverá transformar-se numa proposta da AAP a aprovar pelo Ministério da Cultura) e o futuro modelo de gestão do Museu de Arte Rupestre do Vale do Côa. Ainda em fase de estudo embrionário, segundo Morais Arnaud, poderá passar tanto pela criação de uma fundação como por um modelo de gestão regional, com envolvimento das câmaras locais.

Prémio Eduardo Prado Coelho foi criado

in Correio da Manhã 29/12/09

A Câmara de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE) decidiram criar um prémio literário chamado Eduardo Prado Coelho em homenagem ao autor, na sequência da aprovação por unanimidade de um protocolo de cooperação entre as duas instituições.

Para Armindo Costa, presidente da autarquia, urge “difundir o pensamento e obra de Prado Coelho”, que considera ter sido um “intelectual e grande ensaísta”.

De acordo com o gabinete da presidência, o galardão, que será um montante de 7500 euros e terá a primeira edição já em 2010, propõe-se destacar todos os anos um ensaio literário escrito em português por um escritor de nacionalidade portuguesa.

Esta iniciativa contará com a ajuda financeira da Câmara de Famalicão, que promete arcar com os custos da promoção e divulgação do prémio, disponibilizando uma verba de cinco mil euros para este efeito.

Por outro lado, a APE irá “tomar todas as medidas e procedimentos para promover o prémio e nomear os membros do júri, bem como coordenar todo o processo de escolha do vencedor”.

Em Março de 2008, a Biblioteca de Famalicão mostrou ao público o espólio de Prado Coelho, que o escritor doou ao município. São 12 500 títulos sobre linguística, psicanálise, cinema, arquitectura, fotografia e artes plásticas.

Eduardo Prado Coelho, falecido em 2007, foi escritor, crítico literário e ensaísta.

"Agora, o vedetismo é criado pela TV"

in JN 29/12/09

Júlio Cardoso cumpre 50 anos de uma carreira dedicada ao teatro, mas com incursões frequentes por cinema e televisão.

Hoje, estreia no Teatro do Campo Alegre, no Porto, "Eu sou a minha própria mulher", monólogo em que interpreta 30 personagens.

Assume-se como um privilegiado por continuar, ao cabo de 50 anos, a exercer com a paixão e o desassossego de sempre a representação. Esperançado por natureza, Júlio Cardoso, de 71 anos, acredita que as actuais dificuldades não são uma fatalidade e aponta a aprendizagem permanente como segredo da longevidade. "Ai do actor que julga saber tudo!", desabafa. "Eu sou a minha própria mulher", com encenação de João Mota, está em cena hoje e amanhã, às 21.45 horas, no Teatro do Campo Alegre, no Porto. O espectáculo comemorativo dos 50 anos de carreira regressa a 7 de Janeiro e prolonga-se até 15 de Fevereiro.

Acreditava ser possível chegar aos 50 anos de carreira tão activo?

Esses anos são o testemunho de uma história não só local como também nacional e universal. Cada vez mais, um actor tem que saber observar e pensar, porque o ser humano vive a uma velocidade tal que pensa apenas em sobreviver e pouco medita nas suas reais capacidades.

Como deve o actor adaptar-se a essa mudança de paradigmas?


Não é fácil. No meu caso, passei, na juventude, por muitas escolas e movimentos com o objectivo de encontrar respostas. Agora, sei que o teatro é fruto de saberes complexos. Não é uma comunicação de massas ou algo abstracto, mas uma arte viva e directa.

O que procura quem vai ao teatro?

O teatro faz parte da própria natureza humana. Há quem venha porque pretende aprofundar o pensamento e interrogar-se sobre o que o cerca, mas a maioria fá-lo por necessidade, obedecendo a razões inconscientes.

Há cada vez mais candidatos a actores. O que há alguns anos era uma vocação não é hoje mais uma carreira?

A "morangada" levou muitos adolescentes a quererem ser actores. É claro que muitos deles acabam por seguir outras vias, ao compreenderem que o teatro não é o que julgavam ser. O que deve caracterizar um actor é o desassossego permanente. Quanto mais evoluímos, mais inquietos ficamos, porque temos ambição de ir sempre mais além. Essa é a grande tragédia do actor contemporâneo.

Apesar do aumento de oportunidades, não haverá mais precariedade?

Agora, o vedetismo é criado pela televisão. Vemos actores de 35ª categoria, presenças assíduas na imprensa cor de rosa, a encherem salas...

É uma lógica muito injusta para os jovens com valor, concorda?

É terrível. Mas acredito que é possível estabelecer compromissos. Veja-se o António Fagundes, que cola milhões de pessoas em frente ao ecrã, mas que, sempre que pode, leva Shakespeare ao Brasil mais profundo.

Por muito importante que seja a formação, crê que a tarimba do palco é insubstituível?

Claro. Há uns anos, não existiam escolas como agora, mas havia mestres. Enquanto hoje os jovens dizem que se formaram no Conservatório, dantes, bastava-nos dizer que passámos pelas mãos de um grande encenador, porque isso era sinónimo de qualidade.

Lamenta que figuras como António Pedro, cujo centenário do nascimento foi assinalado há poucas semanas, estejam hoje quase esquecidas?

O problema do António Pedro foi ter criado muitos mais inimigos do que admiradores. Como estava muito acima da média, sofria com o ódio dos outros. A inveja só nos torna mais pequenos.

Por que escolheu o texto "Eu sou a minha própria mulher" para assinalar os 50 anos de carreira?

Durante muito tempo, acalentei a esperança de levar por diante um projecto do Ulisses Cruz para representar o "Rei Lear". Abortada que foi, pelo menos para já, essa ideia, surgiu a hipótese de apresentar esta peça e fui logo cativado por ela, já que se trata de um desafio grande. É um monólogo no qual vou interpretar perto de 30 personagens. Depois do Teatro do Campo Alegre, vou apresentar o espectáculo um pouco por todo o país.

Com tanta actividade, defende que um verdadeiro actor não se reforma?


É preciso saber gerir uma carreira. Estar sempre no apogeu também cansa e, por esse motivo, temos que saber escolher as alturas certas para abraçarmos determinados projectos. Orgulho-me de ter sabido dizer "não" nas alturas certas.

Nesse tempo todo, as alegrias foram superiores às tristezas?


Sem dúvida! Uma das principais lições que aprendi com os mestres foi a de entregar-me ao máximo, quer esteja a actuar para 500 pessoas ou para uma. Esse único espectador pode ter feito muitos quilómetros para nos ver e merece o máximo respeito.

E mantém a capacidade de sonho?

Posso morrer hoje, mas não deixo de ser um dos maiores milionários de sonhos do país.

Ao fim de tantos anos, o palco já não deve ter grandes segredos para si.

Há sempre segredos. O desassossego de um actor é provocado pelo desejo de fazer cada vez mais e melhor. Ai do actor que julga saber tudo!

A ida para Lisboa afigura-se cada vez mais indispensável para um actor que hoje queira singrar no meio?

É verdade, mas uma cidade como o Porto deveria ter orgulho em ter duas escolas superiores de teatro. O que vemos, contudo, é uma região a definhar a vários níveis. Acredito que o país só vai melhorar quando a região Norte, e o Porto em particular, voltar a registar índices de crescimento elevados.

O seu percurso prova que não é forçoso sair do Porto para construir uma carreira.

Não sou só eu, felizmente. O Porto, já dizia o Garrett, é uma cidade madrasta para os seus artistas. Quando o Manoel de Oliveira é obrigado a produzir os seus filmes em Lisboa, está tudo dito. Do Porto têm saído propostas fantásticas, mas só atingem esse estatuto depois de chegarem à capital do império.

O Porto está condenado a ser um alfobre?

Estou esperançado que, com a regionalização, haja uma inversão do actual estado de coisas.

Theatro Circo recebe 2 M€ de apoio da Câmara de Braga

in Diário Digital 28/12/09

A Câmara de Braga vai comparticipar com dois milhões de euros o orçamento do Theatro Circo para 2010 e 2011, fazendo-o através de um contrato-programa a votar, quinta-feira, na reunião do Executivo, anunciou hoje o Município.

Fonte do Gabinete da Presidência adiantou que o Theatro Circo é «um pólo aglutinador e despoletador de dinâmicas culturais junto dos públicos da cidade e da região», prosseguindo «a realização de actividades culturais de acordo com o interesse público e as orientações da Câmara».

O apoio assenta igualmente no facto da casa de espectáculos «prosseguir uma política de preços de que, nalguns casos, resultam receitas operacionais inferiores aos custos anuais».

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

As prioridades da cultura para 2010

in Diário Digital 28/12/09

Património edificado e imaterial, museus e criação artística são as áreas apontadas por diferentes programadores culturais como prioritárias face à possibilidade de aumento do orçamento do Ministério da Cultura.

O coordenador do Programa Criatividade e Criação Artística da Fundação Gulbenkian, José António Pinto Ribeiro, afirmou à Lusa que «antes de mais é necessário fazer um diagnóstico das deficiências de funcionamento, das limitações operacionais e, depois, construir um programa cultural que ultrapasse o programa do Governo que, tal como está, é absolutamente inconsequente».

Para o ensaísta, «há que dar prioridade à recuperação e reposicionamento dos equipamentos já existentes».

Desta mesma opinião partilha Ana Coelho, directora executiva da Artemrede, uma estrutura que fornece conteúdos de artes do palco a 17 autarquias da região de Lisboa.

«Dar mais apoio à programação dos equipamentos que foram construídos ou recuperados mas para os quais não foi pensada uma continuidade em termos de programação», disse Ana Coelho.

A responsável aponta ainda como prioridade a preservação do património edificado.

O escritor António Mega Ferreira, presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém, sustenta, por seu turno, que «em função do que já foi anunciado», o património surge como uma área prioritária.

Todavia, Mega Ferreira salienta que por património se deve entender não só o edificado como o imaterial, os arquivos e bibliotecas, o tratamento de espólios dos escritores e ainda a edição de partituras.

«Atrevo-me até a dizer que é um desígnio nacional a investigação do riquíssimo espólio musical do século XVIII, designadamente daquele foi o maior compositor da época, Francisco António Pacheco», exemplificou.

Mega Ferreira referiu ainda como importante o anúncio já feito pela ministra Gabriela Canavilhas de pretender redimensionar a rede portuguesa de museus.

Para o escritor e subdirector da Cinemateca Portuguesa, Pedro Mexia, as áreas prioritárias são as bibliotecas, museus e companhias de teatro «que todos os anos estão com a corda na garganta».

Outra área que, na sua opinião, requer urgência na intervenção é «o património que em muitos casos está a cair aos bocados».

Sem esquecer «os desafios muito grandes e de interesse nacional» que a Cinemateca tem pela frente, Mexia afirma que, «caso haja mais dinheiro para a cultura, deve ser feita uma distribuição equilibrada».

Referindo-se ao cinema, considera que, relativamente aos apoios à produção, «não é uma questão de dinheiro mas de método, de como apoiar».

Tempo mudou velhos cinemas de Lisboa

in DN 28/12/09

Muitas salas que em tempos recebiam sessões de cinema na cidade de Lisboa têm hoje um presente sem filmes nem espectadores. Umas albergam agora outras instituições. E algumas estão mesmo em estado de abandono.

Ir ao cinema em Lisboa é, em 2009, uma experiência radicalmente diferente radicalmente diferente do que em décadas anteriores. São muitos os antigos cinemas da capital que entretanto foram desactivados, encontrando-se muitos espaços, inclusive, ao abandono.

Os antigos cinemas de Lisboa vivem actualmente três cenários distintos: uma ínfima parte continua em actividade, uns fecharam e viram o seu espaço reutilizado, e diversos outros encontram-se actualmente abandonados, com as respectivas situações urbanísticas indefinidas ou pendentes.

Os cinemas Londres, São Jorge, King e Monumental, com maiores ou menores alterações, são dos poucos espaços resistentes de outros dias, sobrevivendo hoje num tempo dominado pelas salas de cinema em grandes superfícies comerciais.

Para o crítico João Lopes, o cinema enquanto "fenómeno de consumo mudou radicalmente" nos últimos anos, predominando actualmente um "público acidental", que consome a sétima arte "como uma variante do consumo dos grandes centros comerciais".

"As salas isoladas passaram a ser pouquíssimas porque cinema passou a ser concebido como uma variante do género de oferta comercial dos grandes espaços", frisou o crítico, distinguido este ano pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) pela sua actividade como divulgador de cinema.

João Lopes partilha uma memória vivida num dos antigos cinemas de Lisboa, que actualmente já não existe, o Alvalade: "Recordo-me de ver lá o Suspeita, de Hitchcock, filme do começo da década de 1940 que vi algures durante o Verão de 1972 no Alvalade. Era um cinema arquitectonicamente muito especial. Tinha durante o Verão uma política de reposições e esta é uma memória que evoca o consumo de cinema com valores completamente diferentes dos de agora", frisa.

O antigo Condes, que fechou em 1996, foi transformado em 2003 no Hard Rock Café, que alterou radicalmente o espaço da Avenida da Liberdade.

O Cinema Império, por seu turno, foi adquirido no começo dos anos 90 pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que fez do edifício na Avenida Almirante Reis a sua sede em Lisboa.

Já o Olympia, inaugurado em 1911, foi um espaço que viveu diferentes etapas: foi um local cultural por excelência, até que no pós-25 de Abril começou a projectar filmes pornográficos. Foi abandonado em 2001 e, em 2008, o encenador Filipe La Féria adquiriu o espaço, que será reconvertido num espaço teatral com sala de espectáculos e uma escola de artes cénicas.

No bairro de Campo de Ourique existem dois antigos cinemas que marcaram a vida cultural de Lisboa: o Cinema Europa e o Cinema Paris.

No caso do Europa, têm sido diversos os intervenientes culturais da capital a defender a reactivação do espaço como palco para um conjunto de indústrias criativas.

O caso do Quarteto, o primeiro multiplex de Portugal, é diferente: o espaço foi encerrado no final de 2007 por falta de condições de segurança, sobretudo de prevenção de incêndios. Na ocasião, o fundador do Quarteto, Pedro Bandeira Freire, tentou superar as adversidades técnicas, mas em Março de 2008 o responsável do espaço - que viria a falecer um mês depois - fechou a cadeado as portas do Quarteto.

Éden, Apolo 70, Roma, Star, Odeon, Castil, Cine-Estúdio 222, Jardim-Cinema, foram outros cinemas, entretanto desactivados, que marcaram a vida cultural de Lisboa no século XX.

Companhia Teatro de Almada estreia «A Mãe» a 6 de Janeiro

in Diário Digital 28/12/09

A Companhia de Teatro de Almada (CTA) vai abrir a programação de 2010 no dia 6 de Janeiro com a peça «A Mãe», de Bertolt Brecht, encenada por Joaquim Benite.

Teresa Gafeira encabeça o elenco de 18 actores, numa produção que conta com as músicas originais do alemão Hanns Eisler, sob direcção musical do maestro Fernando Fontes.

«Pelagea Vlassova (…) sofre um dos mais cinzelados e conseguidos processos de formação da consciência no primeiro teatro de Brecht», escreve a produção.

«De dona de casa timorata e apaziguadora, Pelagea Vlassova transforma-se em revolucionária activa, porta-estandarte de um projecto ideológico novo», explica.

«Die Mutter» foi escrita em 1931 a partir de adaptação teatral de Günther Weisenborn do romance A mãe, do escritor e activista político russo Máximo Gorki, que o publicara originalmente em inglês em 1906, segundo o divulgado em comunicado.

Está já prevista a passagem do espectáculo pelo Teatro Nacional São João, no Porto, de 12 a 21 de Fevereiro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Petição na Internet exige abertura de salas em Évora

in Destak 27/12/09

A abertura de salas de cinema comercial em Évora é exigida numa petição que está a circular na Internet, com cerca de 1.500 assinaturas, mas o autarca local afirma que a actual sala tem “todas as condições”.

“Não há, neste momento, em Évora, uma sala de cinema em condições e que passe filmes comerciais. Quem quiser ir ao cinema tem que deslocar-se ao Montijo, Lisboa ou Setúbal”, disse hoje Jorge Banha, promotor da iniciativa, em declarações à agência Lusa.

A petição, intitulada “Centro Comercial em Évora” e disponível em www.peticao.com.pt/centro-comercial-evora, explica que “Évora aguarda há muitos anos a construção de um Centro Comercial Regional, facto que se tornou agora ainda mais importante uma vez que a cidade está, neste momento, sem salas de cinema comercial”.

“Sentimos necessidade de um centro comercial que tenha todo o tipo de lojas, incluindo salas de cinema, a principal falta a nível cultural na nossa cidade”, alegou o promotor da petição.

Jorge Banha garantiu que entrou em contacto com “várias empresas que estavam interessadas em construir centros comerciais em Évora e todas responderam que os projectos entregues na autarquia foram chumbados”.

“Se Évora não tem uma infra-estrutura deste género a autarquia é responsável por esse mesmo atraso”, considerou.

Também em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Évora, José Ernesto Oliveira (PS), assegurou que “a autarquia proporciona as condições necessárias para dar início à construção de um Centro Comercial”.

“É apenas uma questão que diz respeito à iniciativa privada”, disse o autarca, reconhecendo “a necessidade de haver uma oferta comercial moderna e mais competitiva”.

“Como cidadão subscrevo a dita petição, mas não a dirijo ao presidente da câmara”, acrescentou.

Segundo José Ernesto Oliveira, “existe procura e interesse por parte dos privados, agora é uma questão de a concretizarem”.

Já sobre a falta de condições da única sala de cinema de Évora, o autarca discordou e garantiu que o Auditório Soror Mariana “tem todas as condições”, tendo sido certificado pela Direcção-Geral das Actividades Culturais (DGAC).

Do lado da oposição camarária, o vereador da CDU, Eduardo Luciano mostrou-se sensibilizado com o promotor da petição, considerando que “é um certo grito de revolta pela inexistência de um espaço similar àquele que existe por essas cidades fora”.

“Duvido que alguém que goste de cinema tenha algum prazer especial em fazer 100 quilómetros para ver cinema”, afirmou, sublinhando que “a inexistência de oferta de cinema comercial em Évora é algo que não faz muito sentido”.

Por sua vez, o vereador social-democrata, António Costa Dieb, afirmou que partilha da “preocupação dos subscritores da petição” e destacou que a petição “é um direito legítimo dos cidadãos”.

“A cidade de Évora não consegue garantir, em determinados aspectos da vida das pessoas, a satisfação de necessidades que, por esse mundo fora, já são consideradas básicas”, considerou.

CURSO | Janeiro 2010 - Financiamento de Projectos Culturais através de Patrocínio e Mecenato‏

Curso Janeiro 2010

Financiamento de Projectos Culturais através de Patrocínio e Mecenato

Objectivo: Conhecer as metodologias e os processos necessários à angariação de financiamento através de Patrocínio e Mecenato Cultural.

Destinatários: Organizações culturais públicas ou privadas: associações, cooperativas, fundações, etc. Estudantes e todas as pessoas interessadas em obter informação sobre Financiamento de Projectos Culturais através de Patrocínio e Mecenato.

Metodologia: As sessões serão maioritariamente divididas em períodos expositivos e de debate, com recurso a "casos de estudo", encoranjando-se os formandos a desenvolverem uma proposta/dossier de patrocínio ou mecenato ao longo do curso bem como à sua discussão/apresentação.

Materiais: Será fornecido o Manual completo do curso, bem como o acesso a uma compilação documental em suporte digital (site file-sharing).

Declaração: No final será entregue aos participantes uma declaração de frequência do curso.

Local: Associação Agostinho da Silva
Junta de Freguesia das Mercês Príncipe Real > Lisboa (Rua do Jasmim, nº 11, 2º)

Início: 12 Janeiro 2010 Fim: 2 Março 2010

Duração: 14 horas (7 sessões de 2 horas) Horário: Terças-feiras, das 18h30 às 20h30 horas.

Nota1: O curso só se realiza com o minimo de 10 e o máximo de 20 participantes.

Nota2: Só serão consideradas inscrições as que forem efectivamente pagas até ao dia 11 Janeiro 2010.

Preço total: 55 euros (cinquenta e cinco euros)

Formador: Rui Matoso*



Conteúdos programáticos

1- Introdução:

a) Diferenças e semelhanças entre Patrocínio e Mecenato

b) O Marketing Cultural das empresas e o Marketing da Cultura dos projectos culturais

c) As Formas e os principais objectivos de Marketing Cultural das empresas

>>> Caso de estudo 1



2- Patrocínio de Projectos Culturais

a) O Patrocínio como ferramenta de marketing

b) Pesquisa e adequação de propostas

c) Etapas da construção de um projecto de Patrocínio

d) Organização e redacção da proposta de patrocínio (caderno/dossier de patrocínio)

e) Negociação

f) Estrutura base de um contrato de patrocínio

>>> Caso de estudo 2


3- Mecenato Cultural

a) Definição e tipos de Mecenato

b) Objectivos do Mecenato Mecenato Cultural de empresa – conclusões de um estudo

c) Legislação do Mecenato

d) A dedução fiscal dos donativos

f) O Processo de Mecenato


+info: www.culturaviva.com.pt rui.matoso@gmail.com tlm. 967863646

José Rodrigues dos Santos vence Prémio Clube Literário do Porto

in Público 27/12/09

O jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos é o vencedor deste ano do Prémio Clube Literário do Porto, no valor de 25 mil euros, foi hoje anunciado.

O galardão que em anos anteriores distinguiu escritores como Mário Cláudio, Armando Baptista Bastos, Miguel Sousa Tavares e António Lobo Antunes, visa "galardoar o autor que mais criatividade teve no domínio da ficção", segundo nota à imprensa.

José Rodrigues dos Santos receberá o galardão terça-feira, às 22h00, no Clube Literário do Porto.

O reitor da Universidade Fernando Pessoa Salvato Trigo fará a apresentação do escritor que já vendeu cerca de um milhão de exemplares do conjunto da sua obra de ficção e ensaio.

José Rodrigues dos Santos é considerado um dos autores portugueses que mais vendem em Portugal, confirmado, por exemplo, pelo último romance, "Fúria divina", que em menos de dois meses vendeu 150 mil exemplares.

Da obra literária de José Rodrigues dos Santos, o título de maior sucesso continua a ser "O codex 632", com 189 000 exemplares vendidos.

"Fúria divina", editado em Outubro, tem como tema de fundo o radicalismo islâmico, um "thriller" que acompanha a aventura de Tomás Noronha, um professor da Universidade Nova de Lisboa, perito em criptanálise e línguas antigas.

José Rodrigues dos Santos editou até agora os romances "A ilha das trevas" (2002), "A Filha do capitão" (2004), "O codex 632" (2005), "A fórmula de Deus" (2006), "O sétimo selo" (2007), "A vida num sopro" (2008) e "Fúria divina" (2009), traduzidos em vários países.

"O codex 632" está nomeado para o prémio literário Impac Dublin, no valor de 100 mil euros

Manoel de Oliveira entre os melhores de 2009 para a revista Cahiers du Cinema

in Público 27/12/09

O filme "Singularidades de uma rapariga loura", do realizador português Manoel de Oliveira, foi eleito um dos melhores de 2009 pela revista de cinema francesa "Cahiers du Cinema".

Para esta publicação, a mais recente longa-metragem de Manoel de Oliveira surge a meio da lista dos dez melhores filmes estreados ao longo deste ano.

Adaptado de um conto homónimo de Eça de Queirós e apresentado em Fevereiro no Festival de Berlim, "Singularidades de uma rapariga loura" está entre "Gran Torino", no quarto lugar, de Clint Eastwood, e "Tetro", na sexta posição, de Francis Ford Coppola.

Em tempo de balanços, a redacção da revista Cahiers du Cinema elegeu "Les Herbes Folles", de Alain Resnais, que estreia em Portugal em Março, como o melhor do ano.

A lista inclui ainda, entre outros, "Vincere", de Marco Bellochio, "Sacanas sem lei", de Quentin Tarantino, e "Tokyo Sonata", de Kiyoshi Kurosawa.