sábado, 23 de janeiro de 2010

Luís Braga da Cruz eleito presidente do conselho de administração da fundação de Serralves

in Público 23/01/10

Luís Braga da Cruz foi hoje eleito presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, avançou à Lusa fonte da instituição, que acrescentou que foram também escolhidos três novos vice-presidentes.

Luís Braga da Cruz, que desempenhava até hoje funções como vice-presidente da Fundação de Serralves, foi eleito presidente em reunião do conselho de administração, e sucede a António Gomes de Pinho, que terminou o mandato em Dezembro de 2009.

O novo presidente da Fundação de Serralves, que já foi Ministro da Economia e deputado na Assembleia da República, é professor catedrático convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desde Outubro de 2003.

Luís Braga da Cruz foi também presidente da Comissão de Coordenação da Região do Norte e presidente do conselho de administração do OMIP - Operador do Mercado Ibérico de Energia (Pólo Português).

Fonte da instituição divulgou ainda à Lusa que na mesma reunião foram eleitos Rui Manuel Campos Guimarães, Luís Campos e Cunha e Adalberto Neiva de Oliveira como vice-presidentes.

Os vogais que se juntam ao elenco do conselho de administração da Fundação de Serralves são Elisa Ferreira, Ana Pinho, André Jordan, Manuel Cavaleiro Brandão e Vera Pires Coelho.

Eduardo Lourenço: Guimarães ser Capital da Cultura não é "insólita nem paradoxal"

in Público 23/01/10

O filósofo Eduardo Lourenço defendeu hoje, que "esta ideia de Guimarães ser uma futura Capital Europeia da Cultura não é tão insólita nem paradoxal como pode parecer”.

“É uma cidade com uma grande coerência arquitectónica, que reflecte todo um passado e toda uma memória", explicou hoje o filósofo, numa conferência sobre a Capital Europeia da Cultura 2012. "Com excepção de Évora há poucas cidades em Portugal que se possam comparar com Guimarães”.

O pensador e ensaísta frisou que “ser-se europeu ou ter uma vocação europeia não é incompatível com o enraizamento com um local particular e com uma história antiga como a portuguesa”.

Eduardo Lourenço lembrou que “Portugal e a Península Ibérica pertencem à Europa mais antiga, ligada à emergência do império romano”.

“Somos dos europeus mais antigos e não há nada de insólito em que uma pequena cidade de Portugal tenha proposto, tal como poderia acontecer com outra cidade europeia, ser Capital Europeia da Cultura”, referiu.

Frisou, também, que a Europa passou a vida a auto-criticar-se: “A Europa está sempre a refazer os momentos mais marcantes do seu passado e isso distingue-a do resto do mundo, que não sente a necessidade de negação para com o seu passado e de reconstruí-lo”, frisou.

Depois de assinalar que a Europa viveu duas guerras mundiais no século XX, porque uma metade pensava que a outra “a queria devorar”, Eduardo Lourenço disse que a Europa “não precisa de ser refeita”, porque “cada nação europeia é uma maneira de ser Europa”.

Em sua opinião, “o que permite aos EUA serem o que são é falarem a mesma língua e terem uma memória recente, que lhes dá uma identidade”.

Em contraste – sublinhou –, “é muito difícil fazer a Europa pelo cultural, é um continente que não se pode comparar a outro pela sua diversidade cultural”.

Acentuou que em contacto com o novo mundo, os portugueses, do que se retira de uma carta de Pêro Vaz de Caminha, “ao contrário de outros europeus, não se espantaram com nada”.

“Esta espécie de inocência nossa podemos considerá-la uma benção divina. A nossa modéstia é uma riqueza”, afirmou ainda.

Eduardo Lourenço falava na Sociedade Martins Sarmento sobre “A Importância do debate sobre a construção europeia no contexto da Capital Europeia da Cultura”, iniciativa da Fundação Cidade de Guimarães.

No acto participaram, também, a presidente do organismo, Cristina Azevedo, e o gestor da “Guimarães editores”, Paulo Teixeira Pinto, que hoje assinou um protocolo com a Fundação para a publicação de livros durante a Capital Europeia da Cultura.

"Fantasporto ainda é maltratado"

in JN 23/01/19

Festival Internacional de Cinema do Porto assinala, este ano,o 30.º aniversário, mas os seus responsáveis garantem que para a longevidade tem sido necessária muita luta e "muitos milagres"

A persistência e a paixão pelo cinema fazem com que, ano a ano, edição a edição, Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky trabalhem e lutem para que o Fantasporto seja uma realidade na cidade do Porto.

É assim que tem vivido, ou sobrevivido, o festival, que, neste ano, comemora três décadas de existência. A edição 2010 arranca a 22 de Fevereiro e vai exibir cerca de 350 filmes, dos quais 240 em estreia absoluta em Portugal.

Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky consideram que continuar a fazer o festival no Porto é uma teimosia pelo amor à cidade e adiantam estar convencidos de que, se tivessem ido para Lisboa, seriam considerados, "como já lá fora, um dos maiores festivais e que teriam outros apoios".

A dupla reconhece, portanto, que o evento "é mais respeitado a nível internacional do que nacional", o que, contudo, não impede que a adesão do público cresça de ano para ano. Para a próxima edição, são esperados cerca de 100 mil visitantes.

Festival elogiado na "Variety"

Apesar de funcionar, garantem os organizadores, com poucos apoios, comparando com outros festivais portugueses, o Fantasporto é considerado, por exemplo, pela "Variety" - revista norte-americana de espectáculos - "um dos melhores festivais do Mundo". Para Beatriz Pacheco Pereira, esta classificação justifica-se, sobretudo, "pela qualidade da programação em competição" e, também, por terem "a intuição da descoberta de novos nomes, tendo a ousadia de apresentar as primeiras obras de Andrei Tarkovsky, Brian de Palma, Bigas Luna e Ridley Scott, entre outros.

A fundadora e directora do Fantasporto realçou, ainda, o facto de o festival ter também descoberto, logo no início das carreiras, Pedro Almodóvar, Sam Raimi, Leos Carax, Peter Jackson, Marc Caro, Quentin Tarantino, David Lynch e David Cronenberg.

Por outro lado, Beatriz Pacheco Pereira lembra que o Fantasporto é "o primeiro festival do Mundo a fazer o cruzamento com o conhecimento em áreas correlativas ao cinema. Em 2009, falou--se de arquitectura; neste ano, vão estar cientistas à solta nos programas de robótica e efeitos especiais".

Falta de apoios institucionais

Na opinião de Mário Dorminsky, o festival foi sempre, de uma maneira geral, marginalizado, considerando que nunca lhe foi atribuída a devida importância. Dorminsky queixa-se dos insuficientes apoios que tem do Estado, do Instituto de Turismo de Portugal e da autarquia portuense. "Temos que admitir que o 'Fantas' é, apesar de já ter 30 anos e ter provas dadas no terreno, um evento que continua a ser muito maltratado", sublinhou.

Realçando o apoio obtido ao longo dos anos pelas empresas privadas, o organizador e director do Fantasporto queixa-se que, nos últimos dois anos, por questões orçamentais, elas foram obrigadas a cortar os contributos. "Algumas, só por simpatia, acederam apoiar, mas reduziram significativamente os apoios, o que, naturalmente, complica", assegurou.

No entanto, Mário Dorminsky garante que nem por isso a programação da edição deste ano será reduzida e que o festival não deixará de ter a importância que tem tido. "Enfrentámos uma burocracia muito grande, mas a experiência obriga-nos a uma gestão tão rigorosa, que, às vezes, até parece que fazemos milagres. Por isso, apesar de o orçamento ter sido reduzido em 25% em relação a 2009, ninguém vai dar por isso e o 'Fantas' será, mais uma vez, um grande acontecimento".

Por outro lado, Dorminsky não deixa de confessar "estar farto da política da mão estendida" e considera que os apoios do Estado são ridículos", sobretudo, acrescenta Beatriz Pacheco Pereira, tendo em conta "as verbas que são atribuídas aos festivais que se fazem a Sul e que não têm o historial e a projecção" do Fantasporto.

Assumindo que o festival presta "serviço público", Dorminsky entende que se, na prática, "é para tomar a sério que querem fazer de Portugal um país com imagem, então, deveriam apoiar ainda mais o 'Fantas', que é, toda gente sabe, um evento mundialmente prestigiado e reconhecido".

O cinéfilo avisa que, para a obtenção de bons resultados, "não chegam medalhas nem palmadinhas nas costas", mas, sim, "meios e apoios suficientes".

Mário Dorminsky compara, por exemplo, os actuais apoios da Câmara Municipal do Porto, "que atribui cerca de 30 mil euros em serviços, aos da autarquia de Lisboa, que dá 300 mil euros ao festival que se faz na capital".

Apesar disso, Dorminsky garante que não pretendem sair do Porto: "Se quiséssemos, já estávamos em Lisboa há muito tempo". E admite que "o Teatro Rivoli continua a ser a sede do Fantasporto".

Aventura do "Fantas" nasceu no café Luso

A aventura do Fantasporto nasceu em 1980, numa conversa rotineira à mesa do café Luso, no Porto, na altura, ponto de encontro de várias personalidades ligadas à cultura. Na mesa, estava Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e o pintor José Manuel Pereira, já falecido. Os dois primeiros, já entusiasmados com o cinema, queriam mostrar filmes e o pintor queria, naturalmente, mostrar quadros. Conversa puxa conversa, senta-se mais uma pessoa na mesa, o actor António Reis, e surge, então, a ideia de fazer um festival de cinema fantástico. O projecto desenvolveu-se e depressa se tornaria realidade, com a exibição de várias sessões por dia, a realização de retrospectivas e, ainda, paralelamente, a promoção de concertos e de exposições de artes plásticas. Na época, foi atribuído um subsídio de 15 contos (75 euros) pelo Instituto Português de Cinema.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ministra insatisfeita com "discrepância" nos apoios às artes para Alentejo promete "alterar" situação

in Destak/Lusa 22/01/10

A ministra da Cultura afirmou-se hoje insatisfeita com a "discrepância" existente entre os apoios anuais às artes para o Alentejo e os previstos para outras regiões, garantindo que vai "alterar" a situação, contestada por agentes culturais alentejanos.

"Não gosto. Não fico nada satisfeita por saber que há uma região do país que, à partida, é condicionada do ponto de vista dos apoios. É uma situação que eu irei alterar", afirmou Gabriela Canavilhas.

Durante uma deslocação a Évora, em que visitou a Biblioteca Pública e o Museu da cidade, assim como a Sé e o Museu de Arte Sacra, a ministra foi questionada sobre críticas de agentes culturais alentejanos aos apoios anuais, para a região, concedidos pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes).

O grupo Teatro Fórum de Moura, do distrito de Beja, enviou mesmo uma carta aberta à ministra da Cultura, que inclui um apelo para o aumento do financiamento destinado ao Alentejo, a região "mais prejudicada" no concurso deste ano, segundo alega.

Outros agentes culturais da região, contactados pela Lusa, mostraram-se solidários com a posição desta companhia teatral e está até marcada para a próxima quarta-feira, em Moura, uma conferência de imprensa, que vai juntar três companhias.

O Teatro Fórum de Moura, a companhia Lendias d'Encantar (Beja) e a associação 3 em Pipa (Odemira) vão divulgar uma posição conjunta sobre a "discriminação" do Alentejo na distribuição das verbas.

A ministra da Cultura referiu hoje que é a DGArtes que se encarrega destes apoios e que o titular da pasta da Cultura não pode estar "constantemente a sobrepor-se e a intervir" nas "competências de cada um dos serviços".

Gabriela Canavilhas prometeu que esta situação "irá ser resolvida de outra forma", procurando "encontrar outras parcerias, junto dos agentes culturais" da região, que "permitam outras produções e que minimizem esta aparente discriminação" do Alentejo.

"Que não é [discriminação]. Vem na sequência de práticas passadas, mas tudo faremos para minimizar essa discrepância", afiançou.

A visita de hoje da ministra a Évora incluiu ainda encontros com agentes culturais locais e uma reunião de trabalho com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e a Universidade e Município de Évora, assim como uma recepção, em Crato, Portalegre, com os 47 autarcas da região.

Gabriela Canavilhas considerou esta "política de proximidade" como sendo “fundamental” para "conhecer o terreno" e ter em consideração "as opiniões e as reflexões daqueles a quem as decisões se destinam".

Ministra quer libertar já verbas do FICA para não afectar produções deste ano

in Público 22/01/10

A ministra da Cultura garantiu hoje que o “impasse” no Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) tem que ficar resolvido brevemente, para que a produção cinematográfica deste ano “não seja também prejudicada”.

Segundo Gabriela Canavilhas, o problema relacionado com o FICA verifica-se “há cerca de um ano” e é “bastante complicado e complexo”, mas a sua resolução, desde que tomou posse, tem sido uma “preocupação permanente”.

“Temos estado constantemente a dialogar, quer com os outros membros desta assembleia de participantes, que são televisões privadas, quer com a entidade gestora [do FICA], no sentido de encontrarmos uma solução para o impasse”, disse. Durante uma visita a Évora, Gabriela Canavilhas revelou que, nas “últimas semanas”, estes contactos “intensificaram-se” porque o objectivo é ter “o problema resolvido já”.

“Os apoios de 2009 ainda não foram contratualizados, estamos já no princípio de 2010 e queremos iniciar todas as ‘démarches’ [procedimentos] para que a produção [deste ano] não seja também prejudicada”, justificou. Já ontem, em Lisboa, na tomada de posse das directoras da Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema e do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais, Maria João Seixas e Joana Gomes Cardoso, respectivamente, a ministra tinha abordado este assunto.

Nessa cerimónia, Gabriela Canavilhas questionou o funcionamento da entidade gestora do FICA, criticando mesmo a sua “incapacidade” para “encontrar soluções” que permitam desbloquear as verbas para o financiamento do sector. Hoje, a governante explicou que a verba para o cinema e audiovisual que se encontra depositada no FICA “já ascende a 16 milhões de euros”. O “impasse”, que tem paralisado a aplicação deste montante, verifica-se porque “a sociedade gestora está a apresentar algumas dificuldades relativamente à forma que considera mais adequada para o cumprimento dos contratos”.

“Estamos em contacto permanente com eles”, mas “ou se desbloqueiam” as “dúvidas” da sociedade gestora “ou procuraremos outra regulamentação para aplicar a verba depositada no fundo”, alertou. A ministra da Cultura insistiu ainda que não pretende “deixar passar muito mais tempo” sem resolver o assunto, porque, senão, “vai aumentando este valor, que devia começar a ser aplicado no cinema” e, pelo contrário, “está depositado num fundo”.

O FICA foi criado em 2007 pelo Ministério da Cultura com o apoio de entidades privadas, com o objectivo de incentivar a produção independente de cinema e televisão em Portugal. Gerido pela ESAF - Espírito Santo Fundo de Investimento Mobiliários, o fundo tinha um orçamento de cerca de 83 milhões de euros, a repartir por cinco anos (16,6 milhões de euros por ano), para o qual contribuem, por exemplo, a Zon-Multimédia, a RTP, a SIC e a TVI.

Presidente do Instituto Camões disponível para ir ao Parlamento prestar declarações

in Público 21/01/10

A presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, disse hoje à Agência Lusa que está disponível para ir ao Parlamento responder aos deputados sobre a possibilidade de acabar o ensino do português enquanto língua materna em alguns países.

"Terei toda a disponibilidade para ir ao Parlamento", disse Ana Paula Laborinho contactada telefonicamente pela Lusa.

Na semana passada, a presidente do IC, que assumiu recentemente a política de promoção da língua, admitiu que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

Em reacção a estas declarações, o PCP e o CDS-PP pediram à responsável para ir prestar esclarecimentos na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que aprovou a audiência de Ana Paula Laborinho com carácter de urgência.

Entretanto, o PSD enviou um requerimento à Assembleia da República onde questiona o Governo acerca do eventual fim do ensino do Português como língua materna.

Maria João Seixas promete honrar legado de Bénard da Costa com "uma marca nova"

in Público 21/01/10

Reafirmando a sua surpresa pelo convite recebido da ministra da Cultura, Maria João Seixas tomou ontem posse como directora da Cinemateca Portuguesa numa sessão solene realizada no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.


A jornalista avançou poucos projectos concretos quanto ao que será a sua actuação no cargo, à excepção do estabelecimento de uma Cinemateca no Porto — “saibamos levar ao Porto e ao país as melhores imagens do cinema”, afirmou —, deixando claro que esse é um desejo da tutela. A seguir, a ministra Gabriela Canavilhas anunciaria a abertura da Cinemateca portuense até ao final no ano na Casa das Artes, onde as obras estão a decorrer para receber o novo equipamento.

Trata-se de uma intenção que já tinha sido exprimida pelo antecessor de Gabriela Canavilhas, José António Pinto Ribeiro, na sequência de uma petição levada a cabo por um grupo de estudantes universitários do Porto em 2008. Na altura, o ex-director da Cinemateca Portuguesa, João Bénard da Costa, opôs-se à criação de um pólo no Porto.

“Lisboa não pode ser o único espaço nacional onde as políticas de exibição de cinema não-comercial se desenvolvam”, disse ontem a ministra da Cultura, apontando a abertura de uma Cinemateca no Porto como prioridade. Em declarações ao PÚBLICO, Gabriela Canavilhas esclareceu que não se tratará de um pólo, mas de uma “Cinemateca do Porto”, o que implicará alterações na actual lei orgânica da instituição, que só contempla a Cinemateca de Lisboa.

Tanto a ministra quanto a nova directora da Cinemateca Portuguesa evocaram João Bénard da Costa nos seus discursos. Maria João Seixas afirmou que pretende “honrar o legado de João Bénard da Costa com uma marca nova — que terá sempre de ser nova”. Na cerimónia, que contou com a presença de vários funcionários da Cinemateca, bem como do subdirector Pedro Mexia, disse estar consciente do “grande legado e desafio enorme de poder seguir os passos que Bénard da Costa tão bem marcou”.

Mas referiu que “é com muito entusiasmo” que entra na Cinemateca.

A assistir estavam também os realizadores Fernando Lopes e José Fonseca e Costa, bem como o anterior ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, que, ao PÚBLICO, disse “confiar muito” em Maria João Seixas, acrescentando que “é uma extraordinária oportunidade para ela e para a Cinemateca”. “É uma pessoa que tem a justa medida de continuidade e de reforma”, justificou. Pinto Ribeiro não quis comentar o facto de não ter nomeado uma nova direcção para a Cinemateca durante a sua tutela, situação que durou cerca de um ano. Gabriela Canavilhas, por seu lado, justificou o impasse com o facto de 2009 ter sido um ano de eleições, e de mudança do Governo. A ministra sublinhou a actuação de Maria João Seixas no domínio da “intervenção cívica” e “defesa da causa pública”, mas também a apontou como “uma mulher do cinema”, afirmando aos jornalistas que ela “poderá ter um cunho muito característico” à frente da Cinemateca. “Só podia ser alguém com um perfil tão forte”, disse, acrescentando ao PÚBLICO que “toda a gente, unanimemente, acha que Maria João Seixas é a melhor escolha”.

No seu discurso, a ministra prometeu também resolver em breve o “impasse” que se verifica no Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), criado durante a tutela de Isabel Pires de Lima, em 2007, e comparticipado pelo Estado, PT Multimédia e pelos três canais de televisão. Reconhecendo que o financiamento do sector está paralisado desde o princípio de 2009 – por falta de liquidez e pela gestão deficiente do fundo – Canavilhas adiantou que os “próximos passos vão ser no sentido de reavaliar a regulamentação aplicável e reapreciar o envolvimento de novos parceiros”. Ou seja, o financiamento do cinema prepara-se, mais uma vez, para mudar de regras.

Os universos de Marguerite Duras encenados por Solveig Nordlund

'La Musica', uma peça feita de silêncios, em que o teatro e o cinema se fundem.

A escritora, que durante anos viveu entre a paixão de uns e o antagonismo de outros, criadora de uma obra em que a literatura, o cinema e o teatro perdem os contornos, se fundem e criam um universo artístico singular, regressa aos palcos pela mão da realizadora e encenadora Solveig Nordlund.

A peça de teatro La Musica, escrita por Duras em 1965, estreia hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e é apenas um dos vários eventos que, nas próximas semanas, vão trazer de volta a multifacetada obra desta autora francesa, falecida em 1996.

O Instituto Franco-Português iniciou no dia 18 um ciclo dedicado aos filmes que foram feitos a partir da obra da escritora e, na Cinemateca,realiza-se, a partir de amanhã, a primeira retrospectiva integral da obra fílmica de Duras, num ciclo que se estende ao longo do mês de Fevereiro.

A escritora, cineasta, encenadora Marguerite Duras viveu e criou sempre de uma forma transgressora, entre o real e o fictício, jogando com as múltiplas máscaras que criou para si mesma e que replicava na sua obra, o que, para a encenadora sueca, explica o" fascínio e as paixões que ela hoje ainda desperta".

"Há um pequeno documentário que fiz sobre ela há 15 anos que está a circular no YouTube e tem centenas de visitas diárias A quantidade de pessoas que vai ver o vídeo e o comenta espantou-me e fez-me pensar de novo na obra dela; daí ter proposto ao CCB a encenação desta peça", explica Nordlund.

La Musica conta-nos a história de um casal que se reencontra depois de anos de separação e inicia um diálogo que é sobretudo uma rememoração do passado, em que ambos tentam compreender as razões da ruptura e os laços que ainda os unem.

Carla Maciel e Manuel Wiborg dão corpo a duas personagens fantasmáticas, das quais se desprendem mais silêncios que palavras. Um piano acompanha a dança lenta e melancólica daquele reencontro.

Trabalhar sobre a escrita elíptica de Duras foi o mais "difícil", afirma Solveig Nordlund e Manuel Wiborg."Chegar à essência do que querem dizer esses silêncios foi o mais difícil, mas é a única forma de nos apropriarmos do texto e o podermos representar", diz o actor.

O modo como Duras funde o texto com o cinema e o teatro está presente na dramaturgia criada por Nordlund. "Fizemos a peça como se fosse um filme, como se fosse uma colagem de frames", explica.

Também a actriz Carla Maciel conta que a sua grande referência para criar a personagem foi o filme de Wong Kar-Wai, Disponível para Amar: "A contenção da mulher no filme, as manifestações silenciosas do seu mundo interior foram a minha principal inspiração."

É impossível entrar no labirinto de Marguerite Duras "sem passar pelo cinema", conclui Solveig Nordlund.

Ministra anuncia nova gestão nos museus

Será criada uma rede integrada de equipamentos culturais no eixo Ajuda/Belém.

Foi apresentado ontem no Museu Nacional de Arte Popular, ainda em processo de obras de melhoramento, o novo Plano Estratégico para os Museus Nacionais, intitulado "Museus Para o Século XXI". A conferência de imprensa foi conduzida pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, pelo secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, e por João Brigola, director do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).

O novo Plano Estratégico tem como objectivo principal a dinamização dos museus nacionais enquanto produtores de cultura e agentes turísticos, tendo em vista a redução da carga admnistrativa e burocrática que recai sobre o IMC.

Entre as medidas que compõem o plano inclui-se o reenquadramento do sistema de gestão dos 28 museus sob a alçada do IMC, que estudará a possibilidade de alienar a tutela de alguns museus locais e regionais para a admnistração pública,segundo um critério rigoroso de avaliação e conservação do património. Este plano estratégico contemplará ainda a criação de uma rede integrada de equipamentos culturais na área de Lisboa, principalmente no eixo Ajuda/Belém.

O Ministério da Cultura, tentará, em concerto com o IMC, honrar compromissos herdados de governos anteriores e concluir os esforços de restauro que estão a ser levados a cabo em museus como o Machado de Castro (Coimbra), em processo de conclusão de obras de melhoramento.

A nova proposta para os museus nacionais apostará também em novos modelos de gestão para os museus e palácios do IMC, tendo em vista a obtenção de soluções para as dificuldades financeiras que muitas destas instituições museológicas atravessam, agravadas pelo minguar do orçamento de estado para a cultura em anos recentes.

O Museu Nacional de Arte Antiga será exemplo principal da inovação de modelos de gestão a adoptar pelo IMC, estando projectada a adopção de um modelo de "gestão bicéfala", a implementar após devido esforço legislativo para adaptar a lei orgânica da gestão das instituições públicas às necessidades do modelo. O MNAA será o barómetro da viabilidade deste modelo de gestão, que será depois estendido a outros museus nacionais.

Gabriela Canavilhas mostrou-se bastante satisfeita com as novas medidas, que tomam já partido do aumento da fatia do Orçamento de Estado dedicada à cultura e também da melhor "relação interministerial" que facilita a obtenção de financiamentos exteriores, cujo montante exacto será divulgado após a apresentação oficial do Orçamento.

António Pimentel é novo director do Museu Nacional de Arte Antiga

in DN 21/01/10

Ex-director do Museu Grão Vasco nomeado director do MNAA após não recondução de Paulo Henriques.

Gabriela Canavilhas aproveitou a apresentação oficial do Plano Estratégico para os Museus Nacionais para anunciar o nome do sucessor de Paulo Henriques para o cargo de director do Museu Nacional de Arte Antiga.

António Filipe Pimentel, doutorado em História de Arte pela Universidade de Coimbra, considerou o trabalho museológico "sedutor" do ponto de vista da conciliação da teoria museológica com as considerações pragmáticas da gestão do museu. Frisou ainda que o museu "é comunicador de narrativas e de riqueza cultural e intelectual para além do plano estritamente teórico", argumento pelo qual tentará pautar a sua direcção.

O antigo pró-reitor da Universidade de Coimbra declarou que "a tradição não é um lastro". A dinamização desta instituição será, portanto, perspectivada pela história do Museu Nacional de Arte Antiga enquanto recipiente de autoridade intelectual e palco de cultura. Acentuou ainda a importância da formação académica e profissional dos funcionários e colaboradores do museu, tendo em vista a criação de "mais-valias" e ganhar margem de manobra para fazer frente aos constrangimentos financeiros que os museus nacionais, e os espaços culturais em geral, atravessam.

Na sua opinião, a "capacidade aglutinadora do museu em termos sociais" torna-os espaços privilegiados de produção de empregabilidade e de coordenação de perícia técnica, denotando o papel de construção e afirmação de uma identidade global destas instituições, que baseia a sua interacção com o meio social circundante.

Recorde-se que, na terça-feira, a ministra da Cultura optou pela não recondução de Paulo Henriques, o director cessante do Museu Nacional de Arte Antiga. A ministra citou, aquando da apresentação do Plano Estratégico, razões de incompatibilidade de perfil administrativo, apontando a abertura de António Pimentel ao meio empresarial como factor decisivo na sua nomeação para o cargo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Teatro Helena Sá e Costa faz dez anos e acolhe cada vez mais projectos alternativos

in Público 19/01/10

Já são quase dez anos, e não há razões para parar. O Teatro Helena Sá e Costa (THSC), no Porto, comemora em Abril o seu 10.º aniversário, apostando numa linha de "continuidade" em relação àquilo que tem sido. Traduzindo: um espaço de função dupla, acolhendo projectos artísticos do estabelecimento de ensino a que pertence, a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto, e (cada vez mais) propostas de companhias teatrais do país.

Luísa Moreira, directora de produção do THSC, sublinha que, nos últimos anos, o palco tem sido cada vez mais ocupado por companhias confrontadas com a falta de alternativas no Porto. "À medida que a cidade vai perdendo palcos onde seja possível apresentar espectáculos, nomeadamente o Rivoli, surgimos como algo mais visível, mais ecléctico. A quantidade de dossiers e de projectos de teatro que temos recebido é bastante grande. Por cada espectáculo que acolhemos, há dois ou três para as mesmas datas que não podemos receber", diz.

A responsável, desde Março de 2009, pela produção artística do THSC, não tem dúvidas sobre a "desproporção entre a quantidade de produção artística profissional e a pouca quantidade de espaços" disponíveis no Porto, e parece encarar esta realidade como uma oportunidade a não perder. Exemplo? A programação para 2010 inclui, em Março, a Semana de Teatro Físico e Novo Circo (de 18 a 27), uma experiência totalmente nova no Helena Sá e Costa. "Durante mui-tos anos, o Rivoli foi mostrando o novo circo com alguma regularidade, e quando isso deixou de ser possível, não existiu, no Porto (até agora), um palco que mostrasse o que se vai fazendo nessa área. Estamos a tentar avançar com este projecto para dar espaço a estes projectos, a nível nacional", explica.

Propriedade do IPP, o Teatro Helena Sá e Costa acolhe as produções artísticas da ESMAE, nas áreas de música, teatro, dança e vídeo, enquanto acolhe, em simultâneo, companhias teatrais de todo o país. Esta diversida-de de programação permite-lhe ter um público heterogéneo - que passa pelo próprio corpo docente e estudantil da ESMAE, mas também pelo resto da população, que, defende Luísa Moreira, "tem normalmente escolhas bem definidas em termos daquilo que quer ver".

Este ano, as celebrações do 10.º ani-versário prolongam-se até Dezembro, mas é em Abril que estarão mais em destaque. O aniversário deverá ser assinalado com a estreia mundial do concerto Tuba"n Saxe"s Company marcada para o dia 19. Três dias depois, a 22, será tempo de nova cele-bração, com o espectáculo Canto deIntervenção, promovido pela Associação José Afonso e inserido nas comemorações dos 80 anos de nascimento do "cantautor".

O THSC foi construído de raiz, entre 1996 e 1999, no local onde estava um pátio da antiga Escola Normal, seguindo um projecto do arquitecto Filipe Oliveira Dias. Apesar da sua vocação como teatro-escola, mantém as portas abertas à participação de artistas externos e foi um dos palcos a receber parte da programação oficial da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.

Lisboa vai candidatar-se a Capital Mundial do Livro 2012

in Público 19/01/10

É capital de Portugal, já foi Capital Europeia da Cultura e, agora, concorre para ser a próxima Capital Mundial do Livro, em 2012. Até 31 de Março, a cidade de Lisboa irá apresentar a sua candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), tendo por base um programa de actividades associadas à promoção do livro e da leitura.

A corrida de Lisboa a Capital Mundial do Livro 2012 foi ontem anunciada por Manuel Maria Carrilho, embaixador português junto da UNESCO, em Paris. De acordo com o antigo ministro da Cultura, citado pela agência Lusa, "o desafio da candidatura foi assumido após a ideia ter sido bem acolhida pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL)". Esta associação será agora a responsável por elaborar o programa.

"Estamos ainda a estudar este dossier e a preparar o programa, que terá de envolver várias entidades patrocinadoras e parceiros", adiantou ao PÚBLICO Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).

"Aura de cidade mágica"

O responsável acredita que Lisboa tem todas as condições para ganhar o título, devido à "aura de cidade mágica" que adquiriu a última década e à sua entrada no imaginário literário internacional.

"Além de um autor lisboeta que tornou a cidade famosa em todo o mundo - Fernando Pessoa -, Lisboa tem sido usada por vários autores estrangeiros nos seus textos", frisa Miguel Freitas da Costa. É o caso do escritor francês Antoine Volodine (que tem um livro intitulado Lisbonne, dernière marge), do suíço Pascal Mercier (autor de Train de nuit pour Lisbonne) e a croata Dubravka Ugresic (autora de Museum of Unconditional Surrender, que tem um episódio passado em Lisboa).

A iniciativa Capital Mundial do Livro foi lançada pela UNESCO em 2001 e escolheu as cidades de Madrid, Alexandria e Nova Deli para as primeiras edições. As próximas capitais do livro serão Ljubljana (já a partir de Abril de 2010) e Buenos Aires (2011).

Arte de intervenção será o ponto alto da programação de Serralves para 2010

in Público 19/01/10

No ano em que se comemora o centenário da República Portuguesa, o Museu de Serralves dedica uma ambiciosa exposição à arte de intervenção cívica e política. “República – Às artes, cidadãos!” – título que joga com o primeiro verso do refrão da Marselhesa, usado como palavra de ordem na Revolução Francesa – pretende constituir-se como um balanço da presença da referência política na arte contemporânea dos últimos 20 ou 30 anos. A exposição abrirá em Novembro e será um dos pontos altos da programação para 2010, agora anunciada.

João Fernandes, director do Museu de Serralves e comissário da exposição, ainda não tem fechada a escolha de autores e obras, mas adianta que esta incluirá suportes documentais que permitirão integrar os trabalhos expostos no contexto da arte do século XX, e no modo como esta se relacionou com as grandes convulsões políticas e sociais, como a revolução soviética, a emergência dos fascismos europeus ou a guerra civil espanhola.

Acompanhada de um ciclo de cinema e de um colóquio, “Às artes, cidadãos!” pretende ser também um exercício crítico, mostrando, por exemplo, sublinha Fernades, como se passou de um contexto em que os artistas trabalhavam quase sempre à margem das várias instituições de poder para o período em que hoje vivemos, no qual “a arte política está integrada nas instituições, e até no mercado”.

O verdadeiro início da nova temporada de Serralves inicia-se em Março, após o encerramento das últimas exposições que ainda transitaram de 2009. A primeira novidade é o regresso de Lourdes Castro, numa exposição antológica que reúne pela primeira vez os trabalhos que esta realizou com o seu companheiro Manuel Zimbro (1944-2003), designadamente o “Teatro de Sombras”, que teve grande notoriedade nos meios artísticos europeus da segunda metade da década de 70. A par das obras de colaboração, serão ainda mostrados vários trabalhos individuais de Zimbro, que se radicou em Paris nos anos 60, como assistente de René Bertholo, e ali conheceu Lourdes Castro e outros artistas do grupo KWY.

Ainda em Março, Serralves mostrará a obra de Dara Birnbaum (EUA, 1946), uma das primeiras artistas plásticas a usar a televisão, muitas vezes numa perspectiva crítica, como no seu pioneiro vídeo-clip “Wonder Woman”, de 1979, uma desconstrução feminista da célebre série televisiva homónima.

Ressalvada a exposição de José Barrias, um artista português radicado em Milão, as principais mostras individuais que Serralves propõe para 2010 são todas de mulheres, uma circunstância que, especialmente por não ter sido deliberada, deixa satisfeito o director do museu. “Só reparámos nisso quando a programação já estava feita, e, se fossem todos homens, se calhar nem sequer tínhamos reparado”, diz Fernandes.

O nome mais forte é provavelmente o da pintora Marlene Dumas, nascida na África do Sul em 1953, mas há muito radicada na Holanda, cuja singularidade no contexto da arte contemporânea passa pelo modo como simultaneamente conserva e trangride os modos de representação clássicos da arte figurativa ocidental. A sua obra, pouco mostrada em Portugal – embora tenha já tido uma exposição na Gulbenkian –, poderá ver-se no Porto a partir de Julho. No mês anterior, Serralves inaugura ainda exposições da inglesa Ceal Floyer (n. 1968) e da video-artista italiana Grazia Toderi (n. 1963).

O habitual ciclo Exposições Na Biblioteca traz este ano mostras do mexicano Ulisses Carrión e do norte-americano James Lee Byars (1923-1997), uma reunião de trabalhos fotográficos de 30 autores realizados para livros de artista, e ainda uma exposição de esculturas de papel, com obras de Lichtenstein, Warhol, Dieter Roth, Damien Hirsch e vários outros.

Como sempre, as iniciativas da Fundação de Serralves alargam-se a outras artes, com ciclos como o Sabor do Cinema, em Março, ou Documente-se! (Abril e Maio), que inclui música, dança, teatro, instalação, cinema, debates e conferências, e que este ano é dedicado ao tema “Sentidos do Reconhecimento”. Em Outubro regressa o Trama – Festival de Artes Performativas, mas, antes disso, Serralves recebe, em Julho, mais um Jazz no Parque, que este ano abre com o trio do pianista Vijay Iver (dia 10), prossegue com o trio de Bernardo Sasseti – transformado em quarteto com a participação especial do saxofonista Perico Sambeat (dia 17) –, e fecha, a 24 de Julho, com um concerto do projecto Contact, que juntará no mesmo palco o saxofonista e flautista Dave Liebman, o guitarrista John Abercombrie, o pianista Marc Copland, o baterista Billy Hart e o contrabaixista Drew Gress.

Paulo Henriques afastado do MNAA

in Público 19/01/10

Paulo Henriques, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNA), foi afastado do cargo após três anos em funções.

Chegado ao MNA num momento conturbado, após a ultra-mediatizada e politizada saída da historiadora Dalila Rodrigues na sequência de um braço-de-ferro público com a então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, Paulo Henriques, então com 50 anos, vinha de um percurso de 10 anos à frente do Museu Nacional do Azulejo e foi uma escolha consensualmente aplaudida pela sua versatilidade, rigor e sentido de ética profissional.

A nova direcção do museu é anunciada amanhã às 16h durante uma conferência de imprensa no Museu de Arte Popular em que será exposto um Plano Estratégico para os Museus do Século XXI que deverá introduzir alterações de fundo na gestão de alguns dos 28 museus e palácios da rede sob tutela do Instituto dos Museus e da Conservação.

No ano passado, Paulo Henriques colaborou com a nova ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, na altura directora regional para a Cultura nos Açores, na organização de uma exposição dedicada ao escultor Ernesto Canto da Maia, proposta do adido cultural na Embaixada de Portugal em Espanha, o escritor João de Melo, e apresentada em Madrid.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Fundação Eugénio de Andrade será extinta

in DN 17/01/10

Dezasseis anos depois de ter sido criada, a Fundação Eugénio de Andrade está em vias de extinção.

Confrontado com uma situação financeira insustentável, o Conselho Directivo da fundação enviou ao Governo, em meados de Dezembro, um pedido de extinção. A questão estará a ser analisada pela Presidência do Conselho de Ministros. De acordo com o jornal Público, a Fundação começou a receber, em 1997, um subsídio do Ministério da Cultura (era ministro Manuel Maria Carrilho) através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca, que terá oscilado entre os 12 mil e 19 mil euros anuais. No entanto, em 2005, quando a ministra Isabel Pires de Lima tomou posse, percebeu que não havia qualquer protocolo assinado e que o subsídio seria, então, ilegal. O cancelamento deste apoio veio contribuir para estrangular ainda mais a situação financeira da fundação que já se encontrava debilitada pela falência sucessiva dos distribuidores e do co-editor das obras do escritor falecido em 2005. A verdade é que a instituição tinha apenas direito a uma pequena percentagem dos direitos de autor e, uma vez que não tem qualquer outra fonte de rendimento para além do apoio da Câmara do Porto, a instituição encontra-se na falência.

Martinho da Arcada com esperança num novo fôlego

in DN 17/01/10

"O Martinho da Arcada não será encerrado", anunciou, esta sexta-feira, Luís Machado, na última sessão do ciclo de tertúlias Rostos da Portugalidade.

O organizador do certame considera que "os objectivos foram totalmente alcançados" e declara a "esperança na requalificação" da Praça do Comércio, que reanimaria o café mais antigo de Lisboa, lamentando o facto do Martinho ter sido tratado como "mais um café".

O ciclo Rostos da Portugalidade foi iniciado em Setembro do ano passado com o intuito de encontrar soluções para os problemas financeiros que o primeiro inquilino da praça atravessa, motivados pela reorganização do tráfego segundo o novo modelo de trânsito imposto pela Câmara Municipal de Lisboa. O corredor de transportes públicos que atravessa a rua onde o café está localizado, e as obras no Terreiro do Paço, que resultaram no sucessivo emparedamento da Praça do Comércio, afastaram a clientela dos cafés e estabelecimentos comerciais da zona.

Este ciclo de tertúlias contou com a participação de referências da cultura e da vida pública portuguesa como Manoel de Oliveira, Eduardo Lourenço, e Mário Soares, procurou destacar o papel deste espaço como prestador de "um serviço de interesse público", nas palavras de Luís Machado, e contribuir para a consciencialização do público quanto à relevância histórica e cultural deste café, que teve como clientes habituais algumas das maiores personalidades da literatura portuguesa. A última sessão deste ciclo de tertúlias concentrou-se na discussão de propostas para uma nova política cultural para Portugal, e contou com a participação de destacadas figuras em campos diversos da cultura portuguesa.

Recorde-se que, em Junho de 2009, foi anunciado em conferência de imprensa o encerramento do espaço para Dezembro do mesmo ano, mas , devido às demonstrações de apoio e solidariedade de figuras ilustres da vida pública portuguesa, o proprietário do café, António de Sousa, decidiu manter o Martinho da Arcada em funcionamento, na esperança de conseguir encetar um diálogo com a Câmara Municipal de Lisboa, tendo em vista a obtenção de subsídios públicos como compensação das perdas incorridas devido às obras realizadas pela autarquia. A CML demonstrou-se, até agora, indis- ponível para negociar com a gerência do café, que procura, com este tipo de iniciativa, demonstrar a valência cultural deste espaço, do qual 25 famílias dependem financeiramente.