sábado, 24 de outubro de 2009

Berardo defende aumento do orçamento na área da Cultura

in Diáro Digital 23/10/09

O coleccionador de arte José Berardo defendeu hoje, a propósito do anúncio, quinta-feira, do novo executivo, que o Governo «deve aumentar o orçamento para a área da Cultura» em 2010.

Em declarações à Agência Lusa sobre a escolha de Gabriela Canavilhas para a pasta da Cultura, o empresário disse não conhecer bem a nova ministra, mas tem «uma boa ideia» do trabalho realizado pela pianista.

«Ouvi dizer que fez um bom trabalho na Orquestra Metropolitana de Lisboa», salientou o empresário, sobre a reestruturação que a pianista liderou na sequência do afastamento polémico do maestro Miguel Graça Moura.

«E é uma pessoa dos Açores, o que é bom», avaliou, sobre o facto da nova ministra da Cultura, nascida em Angola, em 1961, ter crescido no arquipélago, onde se encontrava actualmente como directora Regional da Cultura.

José Berardo, um dos mais importantes coleccionadores de arte do país e presidente da Fundação Colecção Berardo - que gere o museu com o mesmo nome em Belém, no quadro de um acordo assinado com o Governo até 2016 - prefere sublinhar a urgência de mais dinheiro para a pasta da cultura.

«Acho que se este Ministério da Cultura não tiver dinheiro é uma chatice», apontou.

«Se o Governo quiser melhorar o nível de turismo em Portugal tem que investir mais na cultura», defendeu ainda o comendador, sublinhando a importância desta área «como aprendizagem para todos», mas também como «apoio ao turismo».

Joaquim Benite galardoado com Prémio Santareno de Teatro

in Diário Digital 23/10/09
A Câmara Municipal de Santarém e o Instituto Bernardo Santareno distinguiram com o «Prémio Santareno de Teatro – Especial» Joaquim Benite.

O prémio foi entregue ao director do Teatro Municipal de Almada (TMA) e do Festival de Almada na Grande Gala Santareno, no Teatro Sá da Bandeira em Santarém.

A escolha desta personalidade vem «sublinhar o papel de vanguarda ao longo de 26 edições do Festival de Almada dirigido por Joaquim Benite como sendo o festival mais prestigiado do País e com repercussões internacionais», segundo o divulgado em comunicado.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Gabriela Canavilhas, uma pianista na pasta da cultura

in Público 22/10/09

A pianista Gabriela Canavilhas, voz conhecida do público da Antena 2, sai directamente do cargo de Directora Regional da Cultura dos Açores para o Palácio da Ajuda.

Nascida em Sá da Bandeira (hoje Lubango), Angola, em 1961, Gabriela Canavilhas cresceu nos Açores, em São Miguel e nas Flores, ilhas de origem dos pais. Quando já tinha completado o Curso Superior de Piano do Conservatório de Lisboa, licenciou-se em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A ministra anunciada deixou para segundo plano, a partir de 2004, a carreira artística que a levara a actuar nos palcos das principais salas de concerto do país e também no estrangeiro. Dedicou-se principalmente, a partir de então, a funções de direcção e de divulgação. Tem gravados sete cds, entre os quais primeiras gravações de obras de compositores portugueses.

Coube-lhe a tarefa da reestruturação da Orquestra Metropolitana de Lisboa, a que presidiu após o afastamento de Miguel Graça Moura.

Gabriela Canavilhas foi assessora do director Regional da Cultura dos Açores, em 1999/2000, e era até agora directora artística do Festival MusicAtlântico dos Açores desde 1999 e membro do Conselho Directivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) desde 2007. Assumiu a Direcção regional da Cultura dos Açores em 1 de Dezembro de 2008.

Antes de assumir aquele cargo, foi presidente do Conselho Directivo da Academia Nacional Superior de Orquestra e directora pedagógica do Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa e da Escola Profissional Metropolitana.

Apresentou diversos programas na RDP Antena 2 e mantém colaboração regular em iniciativas de diversas instituições culturais portuguesas, como no Instituto Camões, Centro Cultural de Belém e Casa da Música do Porto.

É frequentemente convidada como conferencista, comentadora de concertos ou para colaborações pontuais em publicações sobre temáticas da área cultural e artística.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dez filmes portugueses integram mostra de São Paulo

in Diário Digital 21/10/09

Dez filmes portugueses integram a 33a edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, um dos maiores eventos do género do Brasil, anunciaram os organizadores.
A mostra inclui um total de 423 filmes de 57 países, que serão apresentadas em 23 salas de cinema da maior cidade brasileira, entre os dias 23 de Outubro a 05 de Novembro.
Entre os filmes portugueses estão «Os Sorrisos do Destino», de Fernando Lopes, «Cinerama», de Inês Oliveira, «1A Vez 16MM», de Rui Goulart, «A Religiosa Portuguesa», de Eugène Green, «A Zona», de Sandro Aguilar, e «A Arte de Roubar», de Leonel Vieira.

DocLisboa atinge número recorde de 28.000 espectadores

in Diário Digital 21/10/09

A sétima edição do festival internacional de cinema documental DocLisboa atingiu, ao sétimo dia, um número recorde de cerca de 28.000 espectadores, mais oito mil que em igual período do ano passado, anunciou hoje a organização.
A decorrer até domingo na Culturgest e nos Cinemas Londres e São Jorge, com muitas sessões esgotadas, esta edição do DocLisboa centra-se em temas tão diversos como o amor, o futebol, o Irão ou os Balcãs e a música - da clássica de «Timeless Harvest» ao kuduro angolano de «Luanda, fábrica da música».
A dança ocupa também um lugar especial na programação do festival, com uma a secção de homenagem à coreógrafa alemã Pina Bausch, falecida este ano, no âmbito da qual serão hoje exibidos (pela segunda vez) os filmes «Coffee with Pina» e «Lissabon Wuppertal Lisboa», de Fernando Lopes, às 21:00, no Cinema São Jorge. A sétima edição do festival internacional de cinema documental DocLisboa atingiu, ao sétimo dia, um número recorde de cerca de 28.000 espectadores, mais oito mil que em igual período do ano passado, anunciou hoje a organização.

A decorrer até domingo na Culturgest e nos Cinemas Londres e São Jorge, com muitas sessões esgotadas, esta edição do DocLisboa centra-se em temas tão diversos como o amor, o futebol, o Irão ou os Balcãs e a música - da clássica de «Timeless Harvest» ao kuduro angolano de «Luanda, fábrica da música».

A dança ocupa também um lugar especial na programação do festival, com uma a secção de homenagem à coreógrafa alemã Pina Bausch, falecida este ano, no âmbito da qual serão hoje exibidos (pela segunda vez) os filmes «Coffee with Pina» e «Lissabon Wuppertal Lisboa», de Fernando Lopes, às 21:00, no Cinema São Jorge.

"O Deus da Bíblia é rancoroso, vingativo e má pessoa"

in DN 21/10/09

José Saramago deu hoje uma conferência de imprensa para apresentar o seu novo livro “Caim” onde aproveitou para falar sobre a polémica com a Igreja Católica.
Em relação à polémica provocada pelo seu último livro, “Caim”, José Saramago começou por dizer que “há muitas incompreensões, resistências e ódios velhos”, afirmando ter consciência de que desperta “muitos anticorpos em certas pessoas”.

“Todo este alvoroço não se levantou por causa do livro”, explicou, “mas por causa de palavras que eu disse em Penafiel. Mas a verdade é que na Bíblia há incestos, violência de todo o tipo, carnificinas, etc. É uma verdade inquestionável”.

Abordando a reacção da Igreja Católica ao seu livro, José Saramago afirmou que “a Igreja reagiu de forma algo disparatada. Aquilo que eles querem e não conseguem seria colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que lhes diga que aquilo não é bem assim. O sentido que tem não convém e por isso arranja-se um outro sentido. Mas eu leio apenas aquilo que lá está”.

“Não haveria este romance se o episódio de Caim e Abel não estivesse na Bíblia onde mostra a crueldade de Deus. Um Deus rancoroso, vingativo e má pessoa. Não há que ter confiança no Deus da Bíblia”, concluiu.

Saramago mostrou-se, no entanto, surpreendido com a reacção dos católicos.“Quando escrevi o livro, não sou ingénuo, sabia que ia agitar algumas águas. O que eu não esperava era isto. Não esperava reacção dos católicos porque os católicos não lêem a Bíblia. As próprias sondagens o dizem. Pensava que os católicos deixassem passar, que isto não era com eles. E neste caso isso foi a grande surpresa, em alguns aspectos lamentável mas noutros positiva, porque mostra que Portugal ainda é capaz de se mexer para protestar e criticar e isso é saudável”, disse.

Quando lhe perguntaram se num próximo livro iria falar do Corão, Saramago respondeu que “Não tenho a intenção de abordar o Corão, tenho mais que fazer, estou a escrever outro livro que não será tão polémico como este”.

O lançamento do novo livro de José Saramago, “Caim”, está marcado para o dia 30 de Outubro, na Culturgest.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fazer Arte da Precariedade

in Pisa-Papéis

A formação existe, mas é pontual. Chegados ao mercado, os jovens artistas deparam-se com uma profissão entusiasmante, mas também muito precária. Muitos acabam por traçar o seu caminho, de forma livre e independente. A maioria salta de projecto em projecto. É a arte de sobreviver.
Em Portugal a formação nas artes de palco, da dança ao teatro, passando pelas artes circenses, está ainda longe do desejável. Essa é pelo menos a convicção da maioria dos entrevistados para esta terceira edição da LAB, dedicada à profissionalização das artes de palco. Um défice que, apesar da variedade de oferta – ela existe mas de forma pontual –, não deixa de ser um elemento constrangedor da profissionalização.

Márcia Leal tem 27 anos e é actriz. Trabalha actualmente integrada no elenco da peça Rock’n’Roll, em cena no Teatro Aberto. Estudou no Conservatório de Teatro, e tem também alguma experiência em televisão.“Uma mais-valia”, considera, mas nem sempre suficiente numa profissão cuja própria essência é precária. Neste último trabalho acredita que foi a formação a abrir-lhe as portas. “É essencial para começar a trabalhar”, explica. “Mas o mercado nem sempre valoriza esse factor.”

Seguindo essa normativa, há jovens que se desdobram em diversas formações especializadas, mas que enfrentam sérias dificuldades em integrar o mercado de trabalho. Essas são transversais a praticamente todas as áreas de actividade. E a opinião parece consensual: o início é sempre difícil. Falta um elo de ligação entre a formação e a profissão. “Devia haver um maior acompanhamento por parte das escolas na integração dos seus alunos no mundo do espectáculo. Quando me formei, não se mostrava o nosso trabalho. Era importante que os encenadores pudessem, por exemplo, assistir aos nossos exames finais, tal como acontece com outras profissões, em que as universidades fazem a ponte com as entidades empregadoras”, considera Márcia Leal.

Acresce que nas artes de palco o processo de aprendizagem deve ser dinâmico e constante. Esta é uma área onde a formação contínua é decisiva, o que “torna muito complicado conciliar tudo no dia-a-dia” “Sinto necessidade de ir fazendo pequenas formações, como workshops ou oficinas de teatro. São importantes no nosso crescimento enquanto actores”, revela a actriz contactada pela LAB. “Mas quando trabalho numa peça, essa formação tem necessariamente de ser abandonada”, explica.

A oferta de formação é, no entanto, escassa, pelo menos não acompanha a procura. É o que acontece nas artes circenses, onde comparativamente a França, por exemplo, Portugal está claramente uns furos abaixo. “Não só em relação às condições, como aos apoios do Estado. Em França, a oferta é enorme e o Estado dá de facto apoio às artes circenses. (…) Cá é praticamente nula ao nível da formação, e esta profissão requer uma formação e reciclagem constantes”, diz Mafalda Gouveia, responsável pela direcção de produção da companhia Primeiros Sintomas.

A opinião é partilhada por Cristina Santos, do Fórum Dança, que reconhece a existência de cursos e formação, mas sempre muito pontuais. Um problema também identificado pelo Coordenador do Serviço Educativo da Casa da Música do Porto, Paulo Rodrigues, que considera que “existe um deficit de oferta, sobretudo ao nível de iniciação, e a qualidade do que se faz é muitas vezes reduzida”. E adianta que os serviços educativos podem ser um bom começo, mas não devem substituir a formação. “É muito importante, mas nunca deveria ser entendido como um substituto da formação artística na Escola. A função dos serviços educativos, no que toca ao relacionamento com o público escolar, deveria ser a de causar estímulos na formação artística regular das Escola e a de proporcionar alternativas não-formais que são essenciais na actividade artística e que a Escola muitas vezes não consegue enquadrar”, afirma o coordenador.

Autonomia

Para contornar as dificuldades em ingressar nalgum tipo de produção, há jovens que se tornam autónomos, dedicando-se à criação e concepção. É um fenómeno curioso, mas que tem servido de solução temporária para muitos dos que têm formação superior. A dificuldade em penetrar no mercado de trabalho leva muitos jovens actores a dar vida aos seus próprios projectos, talvez aqueles que estavam guardados mas tiveram de sair da gaveta mais cedo. É o caso da Associação Ar Quente, projecto sedeado em Faro, e que se tem vindo a afirmar no panorama artístico da cidade. Tal como outros espalhados pelo país, este é um projecto que vive da dedicação quase voluntária dos seus elementos. A maior parte trabalha noutras áreas, mas realiza um grande investimento pessoal na associação. Colaboram activamente com o Teatro Municipal da cidade, onde fazem as visitas encenadas, integradas no serviço educativo da estrutura. As novas tecnologias têm também dado um “empurrão” aos jovens que se querem afirmar nos meandros das artes de palco. À escala europeia, há pequenos grupos quase de geração espontânea que reúnem interesses comuns, vão a encontros internacionais e acabam por produzir alguns espectáculos. É a tentativa, muitas vezes com sucesso, de mostrar trabalho. Esse tem sido um caminho muitas vezes traçado, orientado pela ideia de que “é importante mostrar trabalho”, na perspectiva de abertura de novas portas. A opção de muitos jovens portugueses passa também pelo estrangeiro. Sobretudo nas vertentes do espectáculo menos apoiadas em Portugal, como é o caso das artes circenses. “Terminando o 12º ano, ou ingressam num curso superior de teatro ou dança, ou se de facto querem aperfeiçoar uma ou mais técnicas circenses têm de recorrer a escolas fora de Portugal”, admite Mafalda Gouveia.

De projecto em projecto

Embora o trabalho de um actor possa não conhecer grandes períodos de intervalo, a verdade é que, tal como todos os trabalhadores das artes de palco, a actividade que desempenha tem um carácter intermitente. Pelo menos o trabalho que é visível. Atravessa períodos de tempo mais ou menos longos em preparação de novas produções, ensaios, ou simplesmente em reflexão. Se para quem está plenamente integrado o conceito “intermitente” é sinónimo de precariedade, para quem está a iniciar representa dificuldades adicionais avultadas. O ciclo de produção da generalidade das actividades, associado aos períodos de preparação e desenvolvimento artístico determinam que os profissionais destas áreas tenham que suportar períodos de actividade preparatória que não têm qualquer contrapartida em termos de rendimentos. “É um tipo de profissão que não tem protecção socioprofissional”, garante a actriz Carmen Santos, coordenadora da direcção do Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo, considerando ser “trabalho precário” mas que “faz parte da própria profissão e da forma como está estruturada”. “Não existe uma estrutura fixa de companhia, colectivos de produção. Agora são mais os núcleos restritos. A mobilidade é uma exigência deste trabalho”. Por outro lado, afirma, “a legislação não se adequa de todo à realidade do nosso sector. Actualmente já não temos a figura da companhia, mas a nova lei, promulgada este ano, deduz que há grandes colectivos de produção. Existem, isso sim, projectos que angariam individualmente pessoas”, explica. “A lei pressupõe que na relação empregador trabalhador exista um contrato, mas isso não acontece. Não há a mínima protecção, cada um depende exclusivamente de si.”

"Contos em Viagem" estreia no Teatro Meridional

in Diário Digital 16/10/09

«Contos em Viagem» estreia no Teatro Meridional dia 30O Teatro Meridional vai estrear a 30 de Outubro, às 22:00 horas, «Contos em Viagem – Outras Rotas», de Miguel Seabra, peça que se debruça sobre uma viagem pelo Brasil.

A interpretação é de Gina Tocchetto (texto) e António Pedro (Música), segundo o divulgado em comunicado.

«Desenhámos uma rota prévia, escolhendo viajar através de lugares que têm mais perto ou mais longe o Rio S. Francisco ou, como popularmente é chamado, o Velho Chico», aponta a produção.

«Este Rio atravessa cinco Estados – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe – e foi da produção literária dos autores que nasceram nestes lugares, que organizámos a Outra Viagem: a das palavras», continua.

O texto é de Adélia Prado, Affonso Romano de Sant´Anna, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, João Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Ledo Ivo e Mauro Mota.

«(…)O pressuposto é sempre sermos levados pela poética das estórias, da geografia dos lugares, pelas diferentes tipologias da sua gente, por diferentes sensibilidades, permitindo que cada espectador redesenhe a sua própria viagem (…)», aponta o Teatro Meridional.

Trata-se do terceiro momento do projecto «Contos em Viagem», depois de «Brasil» (2006) e «Cabo-Verde» (2007).

O espectáculo vai estar patente de quarta-feira a sábado, às 22:00 horas, e também às 17:00 horas aos sábados, até 19 de Dezembro.

Entretanto, decorrerão apresentações jno Centro de Artes Performativas do Algarve (CAPA), em Faro, dias 23 e 24 de Outubro.

Dirigido a maiores de 12 anos, o espectáculo tem cerca de 70 minutos de duração.