sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Álbum dos Deolinda é 3º melhor disco do ano

‘Canção ao lado’ foi referido como como o terceiro melhor disco do ano da World Music pelo Sunday Times.

O último trabalho dos portugueses Deolinda foi destacado pelo jornal inglês ‘Sunday Times’.

«Ana Bacalhau and her hip young colleagues combine strains of fado with a pop sensibility and an eye for the foibles of the people of Lisbon. The tunes are gorgeous.» in The Sunday Times, December 6, 2009

Casa da Música estreia webtv com transmissão de concerto em directo

in RTP 11/12/09

A Casa da Música (CdM), no Porto, estreia hoje às 21:00 um canal de televisão na Internet, com transmissão gratuita em directo do concerto "A Heróica de Beethoven", pela Orquestra Nacional do Porto.

"A casadamusica.tv - www.casadamusica.tv - é um site, de acesso livre e gratuito, que permite visualizar concertos ao vivo, em qualquer parte do mundo, com imagem e som de qualidade", salienta a CdM, na apresentação do canal.

O site disponibiliza ainda o acesso a outros conteúdos em arquivo relacionados com a actividade da Casa da Música, em registo vídeo, áudio, fotográfico e literário.

Prémio Pessoa atribuído a D. Manuel Clemente

in Público 11/12/09

O vencedor deste ano do Prémio Pessoa é D. Manuel Clemente, bispo do Porto. "Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", considerou o juri do prémio Pessoa.

O vencedor do Prémio Pessoa fala à comunicação social às 13h00 na escola de Santa Maria, em Gaia, indicou ao PÚBLICO o responsável da paróquia local, onde D. Manuel Clemente se deslocou em visita.

Esta é a primeira vez que este prémio, que tem 22 anos, é atribuído a uma pessoa da Igreja.

D. Manuel Clemente, que durante vários anos foi bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado pelo Vaticano novo bispo do Porto em Fevereiro de 2007, substituindo Armindo Coelho na chefia da diocese.

Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, Manuel Clemente, 61 anos, é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Manuel Clemente é igualmente professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e director do Centro de Estudos de História Religiosa na mesma universidade.

"A sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja. Ao mesmo tempo que leva a cabo a sua missão pastoral, D. Manuel Clemente desenvolve uma intensa actividade cultural de estudo e debate público. Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", pode ler-se na acta da reunião do júri.

D. Manuel Clemente é o autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como “Portugal e os Portugueses” e “Um só propósito”, publicados este ano, “Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República” e “Nas Origens do Apostolado Contemporâneo em Portugal- A Sociedade Católica (1843-1853)”, refere a organização do Prémio Pessoa em comunicado enviado às redacções.

O vencedor do galardão com maior valor monetário atribuído em Portugal (60 mil euros) foi anunciado hoje, às 12h00, no Palácio de Seteais, em Sintra.

Promovido pelo jornal “Expresso”, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, o prémio pretende “reconhecer a actividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país”, inspirando-se no nome do português com "maior irradiação cultural neste século, Fernando Pessoa".

Entre as personalidades já distinguidas contam-se o historiador José Mattoso - vencedor da primeira edição (1987) -, a pianista Maria João Pires (1989), o escritor José Cardoso Pires (1997), o arquitecto Souto Moura (1998), o investigador Sobrinho Simões (2002) e o constitucionalista Gomes Canotilho (2003). No ano passado, o prémio foi entregue ao arquitecto Carrilho da Graça.

O júri do Prémio Pessoa 2009 é presidido por Francisco Pinto Balsemão, tendo como vice-presidente Fernando Faria de Oliveira. António Barreto, Clara Ferreira Alves, João José Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Rui Vieira Nery compõem igualmente o corpo do júri.

Canavilhas apoia ‘Postal de Natal Cantado 2009'

in Correio da Manhã 11/12/09

“Especial, diferente e que promove a partilha”. É assim que a actual ministra da Cultura Gabriela Canavilhas vê o ‘Postal de Natal Cantado 2009’, que animará nos dias 18, 19 e 20, a partir das 19 horas, o Palácio Nacional da Ajuda.

Baseada num conto de Margarida Rebelo Pinto, a iniciativa conta com a animação do coro gospel e participação de Eunice Muñoz, Virgílio Castelo e Mónica – jovem autista com grande talento musical.

“Alguns dos nossos alunos têm imenso talento como é o caso da Mónica”, disse Sebastião Albuquerque da Quinta Essência, associação sem fins lucrativos que desenvolve projectos para pessoas com atraso de desenvolvimento intelectual.

“É uma história sobre a diferença que mostra que somos todos iguais. O Natal é de todos e para todos”, explicou Margarida Rebelo Pinto. A escritora, que este ano escreveu uma história sobre três crianças diferentes, defende que “estas iniciativas incentivam a partilha e o que temos de melhor”.

A iniciativa conta ainda com várias actividades como teatro, dança e exposições, que nos dias 19 e 20 decorrerão das 14h00 às 20h00. “Vamos encher o Palácio Nacional da Ajuda e fazer com que as pessoas possam vivenciar o património”, disse Gabriela Canavilhas, actual ministra da Cultura.

Cultrede contempla espectáculos para 18 concelhos

in DN 11/12/09
A Câmara de Leiria apresentou hoje o projecto Cultrede, uma rede que integra 18 concelhos e que pretende aumentar a oferta cultural nestes municípios, abrangendo mais de 816 mil pessoas.

A iniciativa é liderada pelo município de Leiria e embora os espectáculos já se tenham iniciado em Setembro, só agora foi aprovado o financiamento comunitário de 1 milhão e 900 mil euros.

O administrador da Cultideias, Vítor Martelo, entidade que promove o Cultrede, explicou que o município de Leiria foi o escolhido para liderar o projecto por ter sido "o primeiro membro da rede".

O projecto pretende promover o desenvolvimento cultural das comunidades e contribuir para a elevação da qualidade de vida dos cidadãos, através da descentralização, diversificação e qualificação da oferta cultural e artística.

Cada concelho da rede indica cinco projectos para figurarem no catálogo conjunto.

"São obrigatoriamente escolhidos dois, mas há concelhos em que os cinco nomes são aceites", adiantou Vítor Martelo.


O administrador disse ainda que são também aceites projectos artísticos que se auto-candidatam.

"Este ano tivemos mais de 400 propostas", acrescentou, explicando que o objectivo é a "qualidade, diversidade e dar aos concelhos aquilo que não é hábito terem".

Numa primeira fase, o projecto contempla 97 espectáculos e actividades educativas, que estão a decorrer até 31 de Março de 2010. O segundo catálogo será lançado a partir de Abril do próximo ano até Dezembro e já integrará 250 espectáculos. O projecto termina em Agosto de 2011.

O projecto integra os municípios de Alcanena, Alcochete, Alijó, Castelo Branco, Estarreja, Figueira da Foz, Gouveia, Leiria, Nisa, Oeiras, Paredes de Coura, Pombal, Ponte de Lima, Rio Maior, Santarém, Santiago do Cacém, Seia e Sesimbra.

Os concelhos de Paços de Ferreira e Nelas também integram a rede e recebem programação em itinerância, mas com o estatuto de parceiros indirectos.

Manuel João Vieira, um artista português no São Luiz

in DN 11/12/09

"O Artista Português é tão Bom como os Melhores" é o que pretende provar Manuel João Vieira num espectáculo com momentos musicais, diálogos e anúncios que se estreia amanhã no São Luiz, em Lisboa.

O candidato Vieira, o artista contemporâneo Orgasmo Carlos e os cantores Lello Minsk e Elvis Ramalho - vocalistas das bandas Irmãos Catita e Ena Pá 2000 -, alter-egos de Manuel João Vieira, são algumas das muitas personagens a passar pelo palco ao longo do espectáculo com texto da sua autoria, encenação de António Pires e arranjos musicais para cordas e metais de Filipe Melo.

Além da publicidade a produtos como o bagaço e a água da torneira, haverá também mendigagem, uma passagem de modelos, um momento de poesia, a exibição do "trailer" de um filme imaginário intitulado "Nando, Amor de Mãe" e um duelo de guitarristas.

"É um cadáver esquisito (...) há uma narrativa, no sentido em que há uma construção desigual e desarmoniosa, híbrida, de momentos característicos de determinado tipo de espectáculos que se vão atropelando, mas essa narrativa terá de ser feita 'a posteriori' pelo espectador, porque isto está estruturado de uma maneira um pouco invulgar: é um concerto de música que é interrompido sucessivamente", explicou Manuel João Vieira à Lusa.

Sem querer desvendar "a tramóica", o autor disse que haverá "momentos engraçados, momentos divertidos" com a presença de figuras como "o Chiquito, o Rei Bonga, as miúdas do Crazy Horse todas, vindas de Paris, e o próprio Filipe La Féria, que vai apresentar cinco minutos de 'La Cage aux Folles' ('A Gaiola das Loucas', actualmente em cena no Teatro Politeama)", e ainda momentos de "ballet clássico e também de dança contemporânea".

"É uma reflexão acerca das artes", resumiu, com um ar meditativo, indicando que a ideia inicial era fazer um disco "quádruplo" - das quatro bandas: Irmãos Catita, Ena Pá 2000, Corações de Atum e Quarteto 4444 - mas depois, esse projecto ficou "adiado" e este concerto com uma componente cénica autonomizou-se.

Sobre o seu papel neste espectáculo, o músico e compositor Filipe Melo esclareceu, em primeiro lugar, que conhece Manuel João Vieira há 15 anos, que a sua primeira colaboração data da candidatura de Vieira à Presidência da República e que ele foi a primeira pessoa na vida que lhe "pagou para fazer um arranjo".

"E esse tipo de coisa não se esquece", sublinhou.

Depois, Vieira "teve a delicadeza de rapar o cabelo para um filme de zombies" e trabalharam juntos durante um mês na série televisiva "Um Mundo Catita".

"Gerou-se um pacto em que, no fundo, nós odiamos trabalhar um com o outro, mas não podemos dizer que não a nada. Então, tenho a impressão de que é algo que se estenderá pela eternidade e a que não poderemos nunca fugir. É uma inevitabilidade", referiu.

Uma produção do Teatro Municipal São Luiz, "O Artista Português é tão Bom como os Melhores" - um espectáculo para maiores de 16 anos, por causa da linguagem, "que é uma linguagem mais do Porto", explicou Vieira - estará em cena sexta-feira e sábado às 21:00 e domingo às 17:30.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fim-de-semana de filmes alternativos - Medeia celebra 20 anos nos dias 19 e 20

Comemorações com sessões a dois euros. Madrugadas com pornografia de Bruce Labruce e trilogia 'Rocky' com Sylvester Stallone. E algumas antestreias apetecíveis

São já 20 anos de exibição cinematográfica em Portugal e Paulo Branco quis assinalar a data com um fim-de-semana diferente. Nas suas salas independentes que mostram a cinematografia alternativa, aquela que dificilmente seria vista senão em salas à margem das grandes distribuidoras, destaque para uma programação diversificada que inclui desde filmes pornográficos de culto de Bruce Labruce aos 'Rocky' I, II e III de Sylvester Stallone, para reviver nas Noites Brancas de 18, 19 e 20 deste mês.

Quanto a novidades, pela primeira vez em Portugal mostra-se parte da obra de Labruce, “para chamar a atenção de que o cinema é uma arte que é muito mais do que parece”, e ‘Paradise Alley’, realizado pelo protagonista dos 'Rocky', “um grande filme que prova que quando um actor passa para trás das câmaras tem sempre algo a dizer”, como salientou o produtor e distribuidor Paulo Branco.

O proprietário da Medeia destacou ainda da programação do fim-de-semana as antestreias que antecipam as grandes estreias nas salas Medeia dos próximos meses, casos de ‘Um Profeta’ (Jacques Audiard), ‘O Laço Branco’ (Michael Haneke) e ‘Where the Wild Things Are (Spike Jonze), entre outras. O novo cinema português também tem espaço na celebração dos 20 anos da Medeia e cineastas como Rita Azevedo Lopes, José Maria Vaz da Silva e Bruno de Almeida assinam as obras a mostrar mostra neste fim-de-semana, que dá o pontapé de saída para exibições comerciais diárias a partir de Janeiro.

“Há muito” que Branco queria também homenagear Joaquim Pinto, “um dos maiores especialistas de som do Mundo” e produtor de renome, “tantas vezes esquecido, mesmo quando foi ele que, sem financiamento, produziu ‘Recordações da Casa Amarela’, de João César Monteiro”, e agora chegou a hora. Alguns dos seus filmes mais emblemáticos, enquanto realizador ou técnico de som ou produtor, estarão em destaque nos dias 19 e 20 nas salas de Branco,

A dois euros, haverá inúmeras sessões, ao longo do dia e madrugada, para um fim-de-semana de cinema alternativo. A iniciativa decorre sábado e domingo nos cinemas King e Monumental, em Lisboa, e no Campo Alegre e Cinema Cidade do Porto, no Porto.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Assina a petição e recolhe também tu mais assinaturas!

http://www.petitiononline.com/mov_prec/

A petição à Assembleia da República está a reunir milhares de assinaturas para combater as injustiças nas contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores e trabalhadoras a recibo verde. A Segurança Social e os direitos no trabalho têm que ser para todos!

A petição “Antes da Dívida Temos Direitos” está a chegar a muita gente e quer continuar a sua mobilização. Em menos de uma semana, foi ultrapassado o número mínimo legal de 4.000 assinaturas para entrega na Assembleia da República e agendamento obrigatório da sua discussão.

Vê a notícia do Nós por Cá (SIC) onde falámos da campanha e desta enorme adesão.

Mas a recolha de assinaturas continua. Sabemos que há muita gente que se quer juntar a esta petição e ao combate que ela significa. A luta pelos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras a falsos recibos verdes, o acesso a contratos de trabalho e à justiça nas contribuições para a Segurança Social, precisam da contribuição e da energia de toda a gente.

Além da petição online, estamos a recolher assinaturas em papel. O contacto com milhares de pessoas na rua, com os nossos amigos, colegas e familiares, permite-nos chegar a mais gente e mobilizar mais fortemente para a urgência de acabar com as injustiças e ilegalidades a que se têm de sujeitar milhares de trabalhadores e trabalhadoras falsamente considerados “independentes” há décadas.

Por isso apelamos a que assines esta petição e te juntes a esta mobilização. Só assim podemos chegar a mais gente e a um grande número de subscrições. Quanto mais pessoas se juntarem, maior será a nossa força!

http://www.youtube.com/watch?v=f6UiKHB-OQM

A tua contribuição é essencial, por isso pedimos-te:

- Vem recolher assinaturas connosco!

Continuamos a fazer várias bancas de recolha na rua para o efeito: basta enviares um e-mail para te juntares!

- Faz o download da petição e imprime (exactamente como o original – em frente e verso) para recolher junto das pesssoas que conheces. Depois de teres as assinaturas que conseguiste (mesmo que não tenhas completado a folha), envia para o Apartado 7007 4051-901 PORTO.

Esta luta é urgente e vale a pena. De braços cruzados ninguém nos oferecerá os direitos que nos são devidos.

www.antesdadividatemosdireitos.org

antesdadividatemosdireitos@gmail.com

Apartado 7007

4051-901 Porto



APRE! – Activistas Precários

FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes

Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual

Precários Inflexíveis

Continuação de Filipe La Féria no Rivoli em 2010 ainda em fase de negociações

in Público 08/12/09

A poucos dias do final do ano, o produtor e encenador Filipe Lá Féria ainda não garantiu a renovação, para 2010, do contrato de acolhimento que lhe permite utilizar o Teatro Rivoli, no Porto. Segundo o que o PÚBLICO apurou junto da Câmara Municipal do Porto, proprietária do teatro, as negociações em relação ao contrato de acolhimento para 2010 estão ainda a decorrer e, se não houver acordo, tal irá determinar o fim de exibição prematuro das duas peças em cartaz.

Em Março último, Irene Sousa, directora de produção da Todos ao Palco, a companhia de Filipe La Féria que trabalha no Rivoli, disse à agência Lusa que tinham sido assinados contratos de acolhimento que valiam até final deste ano. Irene Sousa explicou que os mesmos não tinham sido celebrados antes porque, em Fevereiro, o Teatro Rivoli esteve ocupado com o Fantasporto.

No entanto, apesar de a Todos ao Palco ter contrato de acolhimento até final deste ano, no site da Câmara do Porto na Internet noticia-se que as novas peças Casa do Lago e Feiticeiro de Oz "estarão em cena até 31 de Janeiro". Confrontado com o facto de as duas peças terem um prazo de exibição que termina um mês depois do fim dos contratos de acolhimento, Rui Colmonero, assessor jurídico de Filipe La Féria, recusou ontem explicar a situação. O assessor de La Féria comentou apenas que "isso tem de ser a Câmara do Porto a explicar", acrescentando ainda: "O que garanto é que o senhor La Féria não está ilegal no Rivoli."

Por seu turno, o gabinete de comunicação da Câmara do Porto esclareceu que "o contrato de acolhimento termina no fim de Dezembro e está em fase de negociação para 2010". Já quanto ao facto de as peças Casa do Lago e Feiticeiro de Oz surgirem anunciadas no site do município como estando em cena até 31 de Janeiro do próximo ano, a autarquia responde que "se não se chegar a acordo [para 2010], as peças têm de terminar quando terminar o contrato".

No âmbito de um concurso público para a concessão do Teatro Rivoli, a Câmara do Porto decidiu entregar, em 2006, a gestão das salas daquela sala de espectáculos ao produtor e encenador Filipe La Féria. Mas a Plateia Associação de Profissionais do Espectáculo interpôs, em tribunal, uma acção cautelar de suspensão da eficácia da concessão do Rivoli a La Féria e o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto confirmou a decisão camarária como ilegal.

No entanto, a autarquia não chegou a assinar qualquer contrato de concessão do Rivoli com La Féria, optando por contratos de acolhimento com o produtor.

Maria João Seixas é a nova directora da Cinemateca Portuguesa

in Público 08/12/09

A jornalista Maria João Seixas, de 64 anos, é a nova directora da Cinemateca Portuguesa, iniciando funções a partir de Janeiro, um ano depois de João Bénard da Costa ter abandonado o cargo por motivos de saúde. O anúncio oficial, por parte da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, está anunciado para o final desta semana.

A escolha de Maria João Seixas vem pôr fim ao vazio criado pelo desaparecimento de Bénard da Costa, em Maio deste ano. O anterior titular da pasta da Cultura, José António Pinto Ribeiro, não nomeou um novo director e deixou a indefinição prolongar-se durante meses, apesar da sua longa ligação à Cinemateca (durante anos, foi jurista daquela instituição).

Pedro Mexia, que ao longo do último ano assumiu a direcção interina da Cinemateca, manter-se-à como subdirector, cargo para o qual foi nomeado por Bénard da Costa, em Abril de 2008.

Nascida em Moçambique, Maria João Seixas é licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa. Foi assessora do primeiro-ministro António Guterres para os assuntos culturais, e mandatária das candidaturas de Jorge Sampaio e de Mário Soares à presidência da República, e de Manuel Maria Carrilho à presidência da Câmara de Lisboa. Entre 1974 e 1976, foi secretária e adjunta do major Vítor Alves nos cargos que este ocupou em diversos governos provisórios no período pós-revolucionário. Mais tarde, foi também assessora de Maria de Lurdes Pintassilgo quando esta presidia a Comissão da Condição Feminina.

Desde a década de 70, trabalhado periodicamente na RTP, como autora e apresentadora em programas de temática cultural. Em 2005, gravou para a televisão pública uma série de conversas com a escritora Agustina Bessa-Luís, Ela Por Ela. No cinema, tem colaborado com o realizador Fernando Lopes, com quem esteve casada – ente outros filmes, foi co-argumentista de O Delfim (2002), adaptação ao cinema da obra homónima de José Cardoso Pires, e co-autora do filme Lissabon, Wuppertal, Lisboa sobre a coreógrafa Pina Bausch. Mais recentemente, colaborou num documentário sobre a cantora lírica Luísa Todi, produzido para a RTP2 pela Midas Filmes. Na imprensa escrita, tem trabalhado sobretudo como entrevistadora – entre 1999 e 2006, fez uma série de entrevistas para a revista Pública intitulada Conversa com Vista para..., que foi depois editada em livro pela Gótica. Faz parte do painel de comentadores do programa da Antena 2 Um Certo Olhar.

Guarda encena Vicente Sanches

in DN 08/12/09

A estrutura de produção teatral do Teatro Municipal da Guarda (TMG), denominada Projéc~ (lê-se Projéctil), estreia amanhã duas peças de Vicente Sanches, interpretadas por Américo Rodrigues, director do TMG.

São Francisco de Assis e Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh são os trabalhos que marcam o regresso de Américo Rodrigues aos palcos, de onde se afastou desde que assumiu as funções de direcção. O espectáculo será representado até sexta-feira, às 21.30, no pequeno auditório do TMG.

Em São Francisco de Assis o actor interpreta "um São Francisco e um cão que quer ser franciscano" e em Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh dá corpo a "um singular conferencista que vê num quadro de Van Gogh o rosto de um grande escritor português".

"O meu principal objectivo é divulgar duas peças de Vicente Sanches, que considero o mais interessante dramaturgo português, que nasceu e vive em Castelo Branco e que considero muito esquecido", explicou.

A oitava produção do Projéc~ tem música original, com interpretação de César Prata.

Coimbra é uma lição de cultura no intercâmbio da lusofonia

in DN 08/12/09

Políticos e agentes culturais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) discutem relançamento do projecto Cena Lusófona

Mais do que uma língua em comum, agora encaixilhada noutro acordo ortográfico, importa dar voz e apoiar projectos que unem culturas diferentes. Porque falta cumprir objectivos ratificados em sucessivas cimeiras de ministros da Cultura da CPLP. Em Coimbra, procura-se, agora, novo fôlego para o projecto Cena Lusófona, uma semente de intercâmbio artístico que germinou em 1996.

"Sem comunidade cultural, a CPLP não terá alma", advoga António Augusto Barros, actual coordenador geral do projecto Cena Lusófona. Idêntica ideia é transmitida pelo secretário de Estado da Cultura da República Democrática de Timor-Leste, Virgílio Simith. Embora ausente, a mensagem do governante timorense foi lida, ontem, na sessão de abertura do Encontro Internacional sobre Políticas de Intercâmbio que decorre, em Coimbra, pela voz do adido cultural da Embaixada timorense, José Amaral: "O teatro pode ser uma das actividades através da qual o ensino da língua portuguesa e o seu correcto e total uso podem ser alcançados." Augusto Barros diz taxativamente: "Expõe-se ao ridículo quem procura estabelecer uma política para a língua, excluindo ou subvalorizando o teatro", uma vez que "o teatro está no centro das artes". Barros não poupou críticas, perante um plateia de responsáveis institucionais e agentes de cultura da CPLP e também da Galiza, ao facto do incumprimento do projecto do "selo cultural" (assunto discutido há três cimeiras dos ministros da Cultura da CPLP) e que facilitaria, por exemplo, "uma rápida viagem de cenários" entre os vários continentes. Um pedido que o actual director-geral das Artes, Jorge Xavier, prometeu desbloquear, mas há mais decisões por cumprir, segundo António Augusto Barros: "O fantasma do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, a Bienal dos Criadores." Defensor do nosso idioma no vasto território da lusofonia, Barros lança um apelo para a defesa de dialectos, evitando-se um "extermínio cultural".

Com a falta de apoios para implementar a diáspora cultural com a chancela da Cena Lu- sófona, Coimbra, surge, através deste simpósio, como um novo alento. "Este encontro internacional está a começar de novo uma aventura", assumiu António Pe-dro Pita, delegado regional da cultura do Centro, em representa- ção da ministra portuguesa. Pe-dro Pita destacou o centro de documentação "ímpar" em Portu- gal, criado a partir deste projecto.

A Cena Lusófona tem promo-vido a dramaturgia nos territó- rios de língua portuguesa e aju-dado à criação de espaços cénicos, designadamente em África. Timor-Leste quer reunir meios financeiros para, em 2010, "iniciar uma formação artística em teatro e música". Até amanhã, em Coimbra, serão discutidas estratégias para relançar pontes nas fronteiras artísticas e territoriais do português. Há alento para maior intervenção estética nesta língua comum.