terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Viva la muerte"

in DN, 23/02/10, por Manuel António Pina

Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".

O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...

Projecto do PS dá às profissões artísticas taxa geral de descontos para a Segurança Social

O projecto de lei que reconhece um novo regime de regulação das profissões artísticas, no qual se encontra um sistema próprio de Segurança Social, da autoria da deputada independente Inês de Medeiros e de outros deputados do PS, é hoje entregue na Mesa da Assembleia da República.

Foi, aliás, por causa de o diploma só entrar hoje na Mesa da AR que Inês de Medeiros recusou o convite que lhe foi dirigido por Nuno Carinhas, director do Teatro de São João, para participar ontem num debate no Porto, onde deveria apresentar o projecto de lei. Inês de Medeiros explicou ao PÚBLICO que, como é da praxe parlamentar, "não podia ir apresentar fora um projecto que ainda não tinha sido entregue no Parlamento". No debate esteve presente a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Inês de Medeiros confirmou que o projecto de lei, da sua responsabilidade, fixa um novo sistema que permite aos criadores, mas também aos profissionais do sector das artes e espectáculos, descontar para a Segurança Social. Esta alteração ao Estatuto dos Artistas permite responder à especificidade profissional de "cerca de 15 mil pessoas que estão a recibo verde" e ao mesmo tempo fixar um número mais exacto dos profissionais do sector.

As alterações à lei introduzem um novo tipo de contrato, específico para o sector das artes, que é aplicável a técnicos e a criadores, incluindo actores, autores, músicos ou artistas plásticos. O contrato permite a actividade múltipla e não exclusiva, explica Inês de Medeiros. Assim, um actor pode ter um contrato com uma companhia e um outro para fazer locução de filmes, como um artista plástico pode ter um contrato com uma galeria, mas também, por exemplo, um outro com um editor para quem faz ilustração de livros.

A deputada salienta ainda que a existência deste tipo de contrato tem como objectivo responder às especificidades do sector e também à sua diversidade, garantindo assim a expressão da existência do vínculo laboral típico do sector. Mas não exclui que os criadores assinem também contratos autorais.

Com estes novos contratos, "que podem ser por duas horas ou três meses", num limite máximo de 8 anos, após os quais há que celebrar um contrato sem termo, os trabalhadores do sector, sejam artistas ou técnicos, podem inscrever-se na Segurança Social depois ter terem atingido "um mínimo de 450 dias durante um máximo de 36 meses", como acontece no regime geral. Assim, "acaba-se com a obrigatoriedade de pagamento do actual recibo verde", os trabalhadores pagarão Segurança Social, à taxa normal de 11 por cento, exclusivamente quando trabalharem. E terão direitos idênticos aos do regime geral como subsídio de desemprego, licença e subsídios de maternidade, baixa médica, prestações por de velhice e prestação por morte, explicou ainda a deputada.

Aos empregadores caberá pagar 24 por cento de contribuição para a Segurança Social, segundo a nova lei. Só que tendo em conta que isto pode criar dificuldades num sector que já é financeiramente penalizado, Inês de Medeiros explica que houve a preocupação de salvaguardar a posição dos empregadores. Assim, "esta taxa começa por ser mais baixa e será progressiva, como no desporto". Além disso, está previsto que o Ministério da Cultura passe a assumir, na sua política de subsídios para o sector, que estes contemplam o pagamento de 85 por cento da Segurança Social.

Ou seja, explica Inês de Medeiros, "um produtor que apresenta as contas de um espectáculo para justificar um subsídio tem que apresentar as provas de que 85 por cento dos trabalhadores a que recorreu foi mediante contrato". E frisa: "É uma forma de fomentar o recurso aos contratos."

Cinquenta anos de devoção ao teatro evocados através de medalha

in JN 23/02/10

O actor Júlio Cardoso, que comemorou, no ano passado 50 anos de carreira, foi, ontem, condecorado com a medalha de mérito distrital, no Governo Civil do Porto, com o galardão a ser entregue pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

O juiz conselheiro Octávio Ferreira foi o primeiro a discursar e relembrou o "forte passado de intervenção cívica" do actor. Fez uma breve retrospectiva da sua carreira, relembrou o seu começo no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, mencionou o papel importante que Júlio Cardoso teve quando o Coliseu correu o risco de ser comprado por um grupo religioso e acabou a intervenção relembrando que a carreira do actor traduz-se em "50 anos de entrega total ao teatro. "Sinto-me como uma particulazinha pequenina neste vasto universo de pessoas que fazem da cultura e criatividade o seu principal nutriente". Foi assim que Júlio Cardoso iniciou o seu discurso. "Por que é que o Porto tem de conjugar os verbos no passado?", perguntou. " Jamais devemos esquecer a história, contudo, deve servir para seguirmos em frente". O actor demonstrou o seu desalento pelo facto de a cidade não saber aproveitar ao máximo a riqueza cultural que tem. Chegou mesmo a acrescentar que "poucas cidades da Europa têm esta riqueza cultural". Relembrou, ainda, a discussão sobre a legislação das televisões portuguesas e referiu o facto de Portugal ser o único país com todas as cadeias de televisão sediadas em Lisboa. "O que fizeram à NTV?", perguntou. Relembrou também o actual estado decadente da Orquestra Sinfónica do Porto, entre muitos outros problemas. Porém, o actor relembrou que a cidade "tem um acervo único, singular e raro". A cerimónia terminou com o discurso da ministra, que relembrou "a fonte de inspiração que Júlio Cardoso representa".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AR: Diploma de regime laboral de artistas é entregue amanhã

in Diário Digital 22/02/10

O PS vai entregar na terça-feira, dia 23 de Fevereiro, na Assembleia da República (AR), um diploma sobre o regime laboral nas artes e espetáculos, que propõe contratos de trabalho mais flexíveis, para reduzir a existência de recibos verdes.
O diploma dos socialistas, que, genericamente, define o Estatuto do Artista, prevê que os apoios do Estado estejam «condicionados a que haja 85% de contratos», para que se diminua o recurso aos recibos verdes, explicou a deputada socialista independente Inês de Medeiros.

O documento do PS vem complementar a legislação de 2008 (a Lei 4/2008 aprovada na anterior legislatura), que diz respeito ao «regime dos contratos de trabalho dos profissionais de espetáculos», regulamentando questões como a segurança social e a certificação profissional.

Canavilhas debate estatuto do artista

in DN 22/02/10

A ministra da Cultura estará hoje presente num encontro informal no Porto, que junta várias instituições culturais portuguesas e que visa debater o estatuto do artista. Em cima da mesa estarão também as formas de contratação dos trabalhadores das artes no âmbito do novo código de contratação pública.

A apresentação de propostas para a alteração legislativa do estatuto do artista é, no entanto, o principal objectivo deste encontro, promovido pelo Teatro Nacional de São João (TNSJ) e no qual estarão presentes a Fundação Casa da Música, Centro Cultural de Belém, o teatro Dona Maria II, entre outros.

Em declarações à Lusa, Francisca Carneiro Fernandes, presidente do conselho de administração do TNSJ, considera que "a presença de Gabriela Canavilhas dá a nota de que há receptividade e interesse em recolher o ponto de vista dos agentes que estão a sentir os problemas no terreno".

Esta agente cultural disse ainda "ter esperança de conseguir propor soluções", uma vez que o Governo tem dito que está a querer mudar a lei".

Pré-Fantasporto abre com efeitos especiais

in JN 22/02/10

Festival de cinema dá particular destaque à robótica

Efeitos especiais e robótica são os temas em destaque entre hoje e quinta-feira, no teatro Rivoli, nas primeiras projecções associadas ao Festival Internacional de Cinema do Porto. A abertura oficial está marcada para sexta-feira, com o filme "Solomon Kane".

O pré-Fantas abre mais logo com "Re-animator", uma adaptação para cinema que Stuart Gordon fez do clássico "Herbert West-Reanimator", escrito por H. P. Lovecraft nos anos 20. O filme data de 1985 e conta a história de um estudante de Medicina que se envolve em estranhas experiências de reanimação de tecidos.

"Re-animator" passa no grande auditório do Rivoli às 21.30 horas, em versão original inglesa. Mas a sessão é dupla, por isso segue-se "Braindead", de Peter Jackson, filme premiado no Fantasporto em 1993 e um dos filmes mais marcantes do cinema de terror. Os efeitos especiais voltam ao festival através de dois workshops: na quarta-feira com Colin Arthur e na quinta com David Martí.

Mas é na robótica que a organização do Fantasporto - este ano a celebrar a 30.ª edição - mais aposta a nível de programação paralela, através de demonstrações (inclusivamente na rua e também na sessão oficial de abertura), conferências e filmes, como "Robocop" (hoje, no pequeno auditório, às 21.45) ou "Tetsuo 2" (a exibir amanhã, às 21.30, no grande auditório). Peter Corke e Aníbal Ollero são os convidados das conferências sobre robótica que se realizam, respectivamente, quinta e sexta-feira. De hoje até domingo, haverá demonstrações no terceiro piso do Rivoli.

O edifício do teatro municipal estará este ano completamente ocupado com as actividades do Fantas, visto que não foi possível garantir a tenda gigante que habitualmente era instalada na vizinha Praça D. João I. Na noite de sexta-feira, o movimento irá intensificar-se por ocasião da abertura do festival, às 20.30 horas. Será projectado o filme "Solomon Kane", com realização de Michael J. Bassett e produção de Samuel Hadida, dois dos convidados deste ano.

Da 30.ª edição do Fantasporto destacam-se ainda a homenagem ao cineasta Luís Galvão Teles e a retrospectiva do cinema francês. O festival termina a 7 de Março.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Estreia da Peça "Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico"


in Literatura Very Light por Nuno Gervásio

Foi ontem a antestreia da peça “Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico” no Instituto Franco-Português. Só hoje respiro mais fundo. Só agora, depois do stress e da adrenalina consigo dizer umas palavras sobre esta peça e o meu papel nela.

Tudo partiu de um honroso convite da nova companhia Royal Teatro Livre por iniciativa da minha querida amiga e actriz Maria Eduarda Dias, que acreditou que eu seria capaz de pegar no texto do autor francês Philippe Minyana e escrever esta peça. Uma peça de um puzzle de duas peças que se entrelaçam e completam. O desafio foi criar as pontes entre a personagem da mãe (Debora) que existia apenas na voz da filha (Elizabeth) e dar-lhe o corpo, a existência que faltava. São os sonhos e ambições (falhadas) na vida na mãe e os sonhos e ambições da filha o que as une. É o desejo se ser algo mais do que aquilo que se é, é a liberdade e necessidade de evasão que atravessa as suas vidas, que se cruzam anseios e frustrações, e que no fundo acabam por ser o espelho uma da outra. E foram estas hiperligações de sentimentos e esperanças que me pediram que encaixasse, que desse coesão na linguagem e na abordagem e que no final o ciclo se completasse. Não sei se o consegui na plenitude, espero que tenham a curiosidade de assistir à peça e a ousadia de me transmitirem a vosso percepção. Seja ela qual for.

Esta foi a minha primeira experiência de escrita mais densa e mais a sério para teatro. Fiquei com o bichinho da escrita para palco e com vontade de voltar a ele rapidamente. O teatro tem uma amplitude mágica que não tem equivalente em mais nenhuma arte. Se pensarmos bem aquilo que agora se começa fazer em cinema, a grande moda dos filmes em 3D, não é mais do que aquilo que no teatro já se faz há centenas e centenas de anos. Ah, pois é.

Para terminar, tenho de deixar aqui os meus parabéns e agradecimentos à encenadora Luísa Ortigoso que fez um trabalho maravilhoso e que ajudou a Maria a encontrar a voz da Debora dentro de si.

E claro, louvar a Maria Eduarda Dias pelo seu magnífico trabalho, pelo(s) desempenho(s) brilhante(s), pela forma como valorizou, acrescentou e deu vida às palavras que apenas pus no papel. E sobretudo acarinhá-la pela coragem e pela força para carregar com estas duas mulheres às costas nos últimos tempos. A avaliar pela monumental transfiguração da Maria (que até levou algumas pessoas a pensar que era outra actriz), carregar com o peso da Débora não pode ser tarefa fácil.


Elizabeth e As Águas Verdes do Pacífico

De 9 a 21 de Fevereiro / 4ª a sábado / 21h30 / Instituto Franco-Português


Ficha Artística:

Encenação: Luísa Ortigoso
Interpretação: Maria Eduarda Dias
Tradução e adaptação: Maria Eduarda Dias
Autores: Philippe Minyana e Nuno Gervásio
Desenho de Luz: Vasco Letria
Figurinos: Ana Brum
Produção: Royal Teatro Livre

Dia 11 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro
Dia 13 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Associação Amigas do Peito
Dia 20 de Fevereiro, 10% das receitas revertem a favor da Aministia Internacional - Direitos das Mulheres.