sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ministra insatisfeita com "discrepância" nos apoios às artes para Alentejo promete "alterar" situação

in Destak/Lusa 22/01/10

A ministra da Cultura afirmou-se hoje insatisfeita com a "discrepância" existente entre os apoios anuais às artes para o Alentejo e os previstos para outras regiões, garantindo que vai "alterar" a situação, contestada por agentes culturais alentejanos.

"Não gosto. Não fico nada satisfeita por saber que há uma região do país que, à partida, é condicionada do ponto de vista dos apoios. É uma situação que eu irei alterar", afirmou Gabriela Canavilhas.

Durante uma deslocação a Évora, em que visitou a Biblioteca Pública e o Museu da cidade, assim como a Sé e o Museu de Arte Sacra, a ministra foi questionada sobre críticas de agentes culturais alentejanos aos apoios anuais, para a região, concedidos pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes).

O grupo Teatro Fórum de Moura, do distrito de Beja, enviou mesmo uma carta aberta à ministra da Cultura, que inclui um apelo para o aumento do financiamento destinado ao Alentejo, a região "mais prejudicada" no concurso deste ano, segundo alega.

Outros agentes culturais da região, contactados pela Lusa, mostraram-se solidários com a posição desta companhia teatral e está até marcada para a próxima quarta-feira, em Moura, uma conferência de imprensa, que vai juntar três companhias.

O Teatro Fórum de Moura, a companhia Lendias d'Encantar (Beja) e a associação 3 em Pipa (Odemira) vão divulgar uma posição conjunta sobre a "discriminação" do Alentejo na distribuição das verbas.

A ministra da Cultura referiu hoje que é a DGArtes que se encarrega destes apoios e que o titular da pasta da Cultura não pode estar "constantemente a sobrepor-se e a intervir" nas "competências de cada um dos serviços".

Gabriela Canavilhas prometeu que esta situação "irá ser resolvida de outra forma", procurando "encontrar outras parcerias, junto dos agentes culturais" da região, que "permitam outras produções e que minimizem esta aparente discriminação" do Alentejo.

"Que não é [discriminação]. Vem na sequência de práticas passadas, mas tudo faremos para minimizar essa discrepância", afiançou.

A visita de hoje da ministra a Évora incluiu ainda encontros com agentes culturais locais e uma reunião de trabalho com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e a Universidade e Município de Évora, assim como uma recepção, em Crato, Portalegre, com os 47 autarcas da região.

Gabriela Canavilhas considerou esta "política de proximidade" como sendo “fundamental” para "conhecer o terreno" e ter em consideração "as opiniões e as reflexões daqueles a quem as decisões se destinam".