quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Canavilhas escolhe dez personalidades para o Conselho Nacional de Cultura

in Público 03/02/10

O ensaísta Eduardo Lourenço, o arquitecto Siza Vieira, o encenador Ricardo Pais e o economista Augusto Mateus são algumas das dez personalidades escolhidas pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, para integrar o Conselho Nacional de Cultura (CNC), um órgão que será agora activado.

O Ministério da Cultura anunciou ontem em comunicado a activação do CNC, órgão consultivo do ministério e dos seus organismos e serviços. Criado inicialmente em 1996 quando Manuel Maria Carrilho foi ministro da Cultura (e já nessa altura integrava Eduardo Lourenço), o CNC surgiu novamente numa versão mais alargada em 2006, mas nesse modelo permaneceu até agora sem ser activado. O conselho integra “um vasto leque de figuras de várias associações e instituições”, para além das dez personalidades “designadas por nomeação e escolha pessoal da ministra”. Para além das já citadas, este grupo inclui o musicólogo Rui Vieira Nery, o programador Jorge Salavisa, a escritora Inês Pedrosa, a jornalista Paula Moura Pinheiro, o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro e o crítico de cinema João Lopes. No âmbito do CNA serão criadas duas novas secções especializadas: artes e tauromaquia.

Ricardo Pais disse ao PÚBLICO que julga que a ministra “pretende utilizar as dez personalidades como um órgão consultivo mais personalizado, ao qual pode recorrer de forma mais formal ou mais informal”. O encenador diz não ter dúvidas que “juntas [as dez personalidades] poderão discutir algumas coisas com muita maturidade” e, além disso, “ser ouvidas individualmente em relação a questões específicas das suas áreas”. Tenciona “ter uma participação muito crítica, até porque tenho uma enorme experiência como director de instituições públicas durante muitos anos”.

Inês Pedrosa também considera a activação do CNC uma medida importante, que, aliás, defendera no manifesto Por Uma Cultura para o Século XXI, que assinou, ao lado de muitas outras figuras da cultura, no ano passado. “Aceitei porque acho que é sempre melhor ouvir as pessoas do que não as ouvir, e tenho toda a boa vontade em contribuir para isso”.

Para além das dez personalidades, o CNC é composto pelos membros do Governo com competências na área, os presidentes das secções especializadas, um representante do Centro Português de Fundações, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, do Conselho Nacional de Reitores das Universidades Portuguesas, do Conselho Nacional de Consumo e da Conferência Episcopal Portuguesa. Pode reunir em plenário ou em secções especializadas.

Um exemplo muito concreto das funções do CNC: o órgão deve dar pareceres sobre as candidaturas de museus à Rede Nacional de Museus. Pertencer a esta rede é uma condição essencial para um museu poder, por exemplo, candidatar-se a fundos europeus. Sem o parecer – situação que existia até agora – os museus ficavam impedidos de recorrer a esse tipo de financiamento.

Rembrandt e Goya na Gulbenkian

in DN 03/02/10

Obras raras de Rembrandt e de Goya vão estar entre as 71 pinturas dos séculos XVII e XVIII da exposição A Natureza Morta na Pintura Europeia, que inaugura no dia 12 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A primeira mostra internacional dedicada a este tema em Portugal será apresentada em duas partes: a primeira até 2 de Maio e a segunda, com a produção dos séculos XIX e XX, entre 21 de Outubro e 8 de Janeiro de 2012.

Na primeira exposição, intitulada A Perspectiva das Coisas: a Natureza Morta na Europa, séculos XVII a XX, serão também exibidas obras de Chardin, Fede Galizia, Juan Fernandéz, El Labrador, Paolo Porpora, Juan de Zurbarán e Juan Sánchez Cotán. As obras, segundo a Fundação, "de invulgar qualidade", provêm de colecções privadas e museus, como a National Gallery (de Washington), o Metropolitan Museum (Nova Iorque), o Louvre (Paris), o Prado (Madrid), o Rijksmuseum (Amesterdão), o Mauritshuis (Haia), a National Gallery (Londres). A exposição é comissariada por Peter Cherry, especialista em natureza morta espanhola e italiana.

Almada abre os palcos às artes teatrais

in DN 03/02/10

Este mês, teatro muda-se para o outro lado do Tejo, onde 19 peças sobem à cena.

A partir de sexta-feira e até dia 27, a margem sul do Tejo abre palcos nas ruas, nos auditórios e nas salas de espectáculos para a 14.ª Mostra de Teatro de Almada. Entre companhias profissionais e amadoras, há 19 peças, entre elas dez estreias absolutas.

O evento abre, na sexta-feira, com os espectáculos Peça para Dois, de Tennessee Williams, encenada pela Barraca, e Thetron , pela Artelier, uma companhia de teatro de rua cujo trabalho se enraíza na pesquisa etnográfica.

A mostra, organizada pela Câmara Municipal de Almada, aposta este ano num programa que põe em cena várias criações originais, bem como obras de autores clássicos e contemporâneos, como Adília Lopes, Clarice Lispector, Jean-Luc Lagarce, Manuel António Pina, Fausto Paravidino, Gil Vicente, Molière e Federico García Lorca.

As novas abordagens teatrais, o cruzamento com outras linguagens artísticas é outro dos focos desta mostra, na qual se podem ver os trabalhos Son(h)o, e Vende--se País Solarengo com Vista para o Mar, pelo Ninho de Víboras, ou Avesso, criada pelo colectivo Menina dos Meus Olhos, que cruza a dança com teatro.

A par com os projectos mais vanguardistas surgem repertórios mais clássicos como o caso da Companhia de Teatro de Almada onde Teresa Gafeira encena O Barbeiro de Sevilha, a partir da obra de Rossini.

Já o grupo O Grito coloca em cena A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, enquanto o Teatro da Academia dá voz a Gil Vicente e ao seu Auto da Barca do Inferno.

Esta parceria entre a autarquia de Almada e os grupos teatrais do concelho tem como objectivo promover e divulgar a diversificada produção teatral realizada em Almada. Os espectáculos realizar--se-ão nos seguintes espaços: Teatro Municipal de Almada, Auditório Municipal Fernando Lopes- -Graça, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas, FCT - UNL e Auditório da Pluricoop.

Também na sexta-feira, o Teatro Municipal de Almada dá início ao ciclo comemorativo do bicentenário do nascimento de Chopin e Schumann, com uma récita do pianista António Maria Cartaxo, que inclui obras de Beethoven, Chopin, Scriabin e Schumann. O programa do ciclo, que se estende até Junho, inclui um concerto de Schumann pela Orquestra Divino Sospiro, um recital de piano de Jorge Moyano e um concerto do Quarteto com Piano de Moscovo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

«Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico» estreia dia 9

in Diário Digital 02/02/10

«Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico», de Philippe Minyana e Nuno Gervásio, vai estrear no próximo dia 9, pelas 21:30, no Instituto Franco-Português, em Lisboa. A peça ficará em cena até dia 21, de quarta a sábado, sempre no mesmo horário.

A obra, uma junção de dois monólogos, conta a história de duas mulheres, «tipicamente portuguesas, nascidas sob o fatalismo que assombra esta cultura», que lutam contra o conformismo, confundindo, «sem se questionar, o que elas são e o que as rodeia», avança a produção.

A Mãe, que em tempos sonhou, mas perdeu a capacidade de sonhar, tem uma vida oca, «longe de se parecer com os artidos das revistas cor-de-rosa que ela lê e analisa». E Elizabeth, que sonha com a coroa de Miss, arquitecta planos no seu quarto para poder evadir-se. «Enquanto a Mãe já não espera que nada mude, Elizabeth traz em si um laivo de frescura que nos faz desejar que todos os seus projectos se croncretizem», continua o comunicado.

«É a palavra em fusão, um emaranhado de questões existenciais subtis, escondidas na futilidade das histórias contadas, numa urgência extremamente forte, quase vital. (…) Duas histórias humanas, reais, que se completam. Um retrato fiel de uma sociedade, de duas gerações. Uma luta contra o deixe-se estar, a outra é uma ode aos sonhos e à esperança», ressalva a produção, da Royal Teatro Live.

Com encenação de Luísa Ortigoso, a peça «é sobre a vida humana como matéria-prima do teatro». Protagonizada por Maria Eduarda Dias, também responsável pela tradução e adaptação, «Elizabeth e as Águas Verdes do Pacífico» pretende levar o público a criar opiniões e consciência, assim como a reconhecer-se no que se passa em cena. «Estas duas personagens são parte de nós, são família, são vizinhas», diz a sinopse.

Com o apoio do Instituto Franco-Português e do Centro Nacional de Cultura, a peça conta ainda com figurinos de Ana Brum, sendo que o desenho de luz é da responsabilidade de Vasco Letria.

Sócrates lançou obra do Museu dos Coches, "sinal claro de investimento na Cultura"

in Público 02/02/10

Não se tratou exactamente do lançamento de uma pedra, mas antes do revelar de um tijolo - mas isso não impediu que a cerimónia anunciada como o lançamento da primeira pedra do novo Museu dos Coches, ontem, na Avenida da Índia, em Belém, fosse transformada pelo Governo num acontecimento no qual o primeiro-ministro, José Sócrates, fez questão de estar presente.

Depois de um atraso de vários meses - devido à dificuldade na transferência de serviços ligados ao ex-Instituto Português de Arqueologia que funcionavam no local, as antigas Oficinas Gerais de Material do Exército (OGME) - o projecto do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha deverá finalmente arrancar.

Quando a obra estiver concluída, o que, segundo a directora do Museu dos Coches, Silvana Bessone, deverá acontecer no final de 2011, o museu mais visitado do país passará a ter dois pólos em Belém: nas instalações históricas, o antigo picadeiro, ficará um núcleo de oito coches do século XVIII; no novo edifício projectado por Mendes da Rocha ficarão perto de 80 coches. Em Vila Viçosa continuará a existir um terceiro pólo, com 44 veículos "mais ligados ao meio rural".

O programa museológico prevê ainda que o novo edifício inclua oficinas para a conservação e restauro de veículos hipomóveis. A ideia, explicou a directora, é que o museu seja "gerador de desenvolvimento económico", e possa assegurar a manutenção tanto dos próprios coches como de veículos de outros países. "Tendo nós a colecção de coches mais importante do mundo, somos muitas vezes contactados para saber se podemos fazer restauro, mas até agora nunca tivemos oficinas". Para os visitantes, haverá dois percursos de visita de diferente duração "para melhor responder às necessidades manifestadas pelos operadores turísticos".

Tirando estes esclarecimentos, a cerimónia de ontem num dos vários edifícios ainda em pé nas antigas OGME, não trouxe mais novidades sobre o projecto arquitectónico ou o conteúdo do novo museu. Coincidindo com os 100 dias do Governo Sócrates, serviu sobretudo para lançar uma obra que, disse o primeiro-ministro, é um "sinal claro de investimento numa área cultural e museológica", um "investimento na arquitectura" ("sempre tive a mania de que percebia alguma coisa de arquitectura", confessou) e um sinal de que "Lisboa não desiste da sua ambição cosmopolita e universal".

Mendes da Rocha, também presente, reforçou a ideia de que o museu será elevado do chão, criando por baixo um espaço de passagem, para "não ser um transtorno no passeio a pé". António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa - que se tinha oposto a um silo automóvel junto ao rio, previsto no projecto inicial e do qual Mendes da Rocha acabou por abdicar - não poupou elogios ao arquitecto brasileiro. E sublinhou que este projecto faz parte do objectivo de ter obras de arquitectos dos cinco continentes na zona ribeirinha. "Falta-nos a Oceânia", disse. "Arranjaremos um projecto para convidar um arquitecto da Oceânia", prometeu-lhe Sócrates de seguida.

A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, aproveitaram a ocasião para sublinhar "a lógica de cumplicidade" entre o Turismo e a Cultura - uma lógica que passa por um forte apoio financeiro do Turismo a projectos culturais, entre os quais o Museu dos Coches (financiado com 31 milhões de euros provenientes da concessão do Casino). "A Cultura deve muito ao Turismo", reconheceu Canavilhas. "Mas é um empréstimo", acrescentou, dando a entender que este é um investimento que trará também benefícios ao sector turístico.

Sócrates: Revisão do estatuto do artista vai avançar em breve

in Diário Digital 02/02/10

O primeiro-ministro afirmou hoje que o PS apresentará brevemente um projecto de revisão do estatuto do artista, com incidência na proteção social, e reconheceu «deficiências» do seu primeiro Governo na execução dos fundos comunitários da agricultura.

As posições de José Sócrates foram assumidas num encontro com cem jovens de diversas áreas da sociedade portuguesa, no Parque das Nações - iniciativa integrada no programa que assinala cem dias de executivo minoritário socialista.

Durante a sessão, que durou quase duas horas, uma das poucas queixas partiu de um jovem escritor, que lamentou os mecanismos de proteção social aplicados aos artistas, o que levou o primeiro-ministro a responder que a deputada socialista independente Inês Medeiros, também vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, está já a preparar um projecto de lei sobre esse tema.