quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dez espectáculos para 2010

in Time Out 30/12/09

Olga Roriz numa mega produção da Sagração da Primavera, uma nova peça de Tim Crouch e até uma revista que passa em revista... 2009. Ana Dias Ferreira apresenta uma selecção de espectáculos a não perder em 2010.

12 a 20 de Janeiro: Maria Mata-os no Teatro Maria Matos
É uma revista à portuguesa, com certeza. Passa em revista 2009, tem música e crítica, mas as semelhanças com o que estamos habituados a ver dentro do género acabam aí. Maria Mata-os é uma criação da companhia Primeiros Sintomas e promete estar recheada de irreverência, chegando mesmo a partir do pressuposto de que o Parque Mayer está a arder. O texto é de Miguel Castro Caldas e os encenadores/ensaiadores são Bruno Bravo e Gonçalo Amorim.

14 de Janeiro a 14 de Fevereiro: A Cidade no Teatro São Luiz
Luis Miguel Cintra pegou em vários textos de Aristófanes para pensar a questão do que é a vida democrática numa cidade, hoje. A Cidade é uma peça que junta erudição, crítica e também humor. A prová-lo está o facto de a equipa habitual do Teatro da Cornucópia – onde se incluem Cintra, Márcia Breia, Rita Durão e Nuno Lopes – ter aqui a companhia de nomes como Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e Maria Rueff.

22 e 23 Janeiro: Sutra no CCB
Ninguém imaginava que isto fosse possível, mas as estrelas deste espectáculo de dança são 17 monges do Templo Shaolin. A proposta é do coreógrafo Sidi Larbi Cherkaoui, que regressa assim ao CCB depois de zero degrees.

18 de Fevereiro a 28 de Março: Rei Édipo no Teatro D. Maria II
Jorge Silva Melo estreia, com os seus Artistas Unidos, a versão que construiu da tragédia escrita por Sófocles, uma das peças mais interpretadas em todo o mundo. O desafio foi lançado por Diogo Infante, que interpreta o papel principal, o Rei Édipo.

11 de Março a 18 de Abril: On an Average Day no D. Maria II
O realizador Marco Martins regressa ao teatro na companhia de Nuno Lopes e Gonçalo Waddington para encenar um drama psicológico escrito pelo dramaturgo americano John Kolvenbach.

Abril e Maio: Agora a Sério no Teatro Aberto
Depois do espectáculo construído com Ricardo Araújo Pereira a partir da Teoria dos Actos de Fala de John Austin, Pedro Mexia estreia-se, Agora a Sério, na encenação de uma peça de teatro. O texto é de um dos seus dramaturgos preferidos, Tom Stoppard, cuja peça, Rock 'n' Roll, esteve também no Teatro Aberto.

15 de Abril a 13 de Junho: Quixote no Teatro da Trindade
João Brites constrói, com O Bando, uma peça sobre um dos heróis mais famosos da literatura. A peça, que na verdade é uma “ópera desdentada” (ainda não sabemos mais do que isto) é construída a partir de Vida do Grande D. Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança de António, de José da Silva.

29 de Maio a 3 de Junho: A Sagração da Primavera no CCB
É um dos momentos do ano: Olga Roriz coreografa a mítica obra de Igor Stravinsky com a participação da Orquestra Metropolitana de Lisboa e uma grande produção que envolve 22 bailarinos e promete encher o Grande Auditório do CCB. Sobre o projecto, a coreógrafa diz: “A Sagração é um desafio, um risco, um precipício no abismo.” Um desafio, acrescenta Roriz, ao qual “chegou o louco momento de me atirar com toda a minha paixão”.

Julho: Sonho de Uma Noite de Verão no CCB
A companhia Teatro Praga pega na peça Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, e junta-lhe a ópera de Henry Purcell, The Fairy Queen, para um espectáculo comemoração que fala à nossa época. E se a companhia encabeçada por Pedro Penim já é conhecida pelas festas que faz em palco, imagine-se o que acontecerá aqui, numa mega produção à escala do Grande Auditório do CCB.

23 a 25 de Novembro: O Autor na Culturgest
É o mais recente texto/espectáculo de Tim Crouch, um nome que nos foi apresentado por três vezes na Culturgest e que, graças à mesma sala, continuaremos a seguir no novo ano. O Autor estreou-se no Royal Court Theatre de Londres (o que por si só já vale como garantia de qualidade) e é uma peça sobre a violência, a figura do autor e o próprio público de teatro, que aqui se senta num frente a frente.