quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2009 foi um ano muito proveitoso para as curtas portuguesas

in Destak 31/12/09

A Agência da Curta Metragem assinalou em 2009 uma década de actividade e Miguel Dias, um dos directores da estrutura, defende que esse foi “um ano muito proveitoso” para a produção nacional de filmes com duração até 60 minutos.

Em 2008, a Agência teve em circulação 107 curtas-metragens recentes de produção ou co-produção portuguesa, entre as quais se incluíram documentários, filmes animados e obras de ficção e experimentais. Essas curtas foram depois seleccionadas para 544 exibições em festivais ou mostras de cinemas no Portugal e no estrangeiro.

Quanto a 2009, Miguel Dias só tem dados até 31 de Agosto, mas garante: só na primeira metade do ano, o catálogo da Agência já apresentava 120 filmes. No mesmo período, as curtas portuguesas também registaram um aumento ao nível da selecção para difusão pública, acumulando 318 exibições quando, entre Janeiro e Agosto de 2008, se ficavam pelas 289.

Para o mesmo responsável, esses números significam que “a Agência soube acompanhar o crescimento da produção nacional ao nível da quantidade e da qualidade”, e “é graças a isso que, hoje em dia, os filmes portugueses são vistos em centenas de festivais pelo mundo fora”.

Miguel Dias reconhece, contudo, que 37 por cento dessa participação em eventos de cinema cabe a apenas 10 filmes, sete dos quais de animação. Entre essas 10 obras destaca duas curtas animadas – “Passeio de domingo”, de José Miguel Ribeiro, e “Guisado de galinha”, de Joana Toste – e dois filmes de ficção – “3 x 3”, de Nuno Rocha, e “Corrente”, de Rodrigo Areias.

Consolidada a aceitação das obras portuguesas no estrangeiro, a Agência da Curta Metragem concentra agora as suas atenções na audiência nacional. Miguel Dias anuncia: “A nossa preocupação, até 2011, é tentar colocar os filmes da Agência em circuitos de distribuição alternativos em Portugal”.

“Aqui ainda não existe a tradição de apresentar programas de curtas-metragens em espaços públicos”, observa esse responsável. “Fora dos circuitos comerciais, não há muitos espaços onde isso se possa fazer e essa é a dificuldade que temos que contornar, procurando envolver teatros municipais, cineclubes e associações”.

Em 2010, a Agência propõe-se também “reforçar a organização de programas de curtas orientados para públicos específicos”. Miguel Dias refere-se sobretudo aos “espectadores mais jovens” e justifica: “As crianças são sempre um bom público e, quanto mais cedo forem iniciadas no cinema, melhor vão desenvolver a sua sensibilidade para essa área”.