sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Serralves ambiciona educação artística

in JN 20/11/09

A Fundação de Serralves quer que a educação artística nas escolas seja assegurada por instituições na área da cultura. A proposta já foi feita ao Ministério da Educação e aguarda apenas resposta para ser implementada já neste ano lectivo.

Detentora do maior serviço educativo português na área da cultura e com uma centena de milhar de visitantes anuais em idade escolar, Serralves pretende reforçar ainda mais as ligações ao ensino.

Se a proposta apresentada ao ministério agora liderado por Isabel Alçada for por diante, os alunos poderão cumprir parte substancial do programa artístico curricular directamente em museus, teatros ou salas de espectáculos.

"Em vez de o Estado criar em cada escola sistemas muito complexos, o essencial da educação e da sensibilização artísticas seria feito nas instituições", revelou ao JN o presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, Gomes de Pinho.

Para o responsável, "faria muito mais sentido" se as escolas se libertassem dessa função, além de que "seria uma forma estimulante de dar uma nova componente artística ao sistema de ensino, reconhecidamente uma das suas maiores lacunas".

O primeiro passo para a implementação do projecto é uma experiência-piloto no domínio das artes plásticas circunscrita para já às escolas com as quais Serralves tem trabalhado.

Em caso de resposta favorável, o projecto poderá avançar de imediato, primeiro a uma escala reduzida e a médio prazo chegando a todo o país.

"Grande parte dos jovens que venham a ser abrangidos por esse projecto já visitam Serralves e participam em actividades regulares. No entanto, o impacto seria outro se os alunos soubessem que a visita está integrada no seu currículo académico", afirma.

O presidente da Fundação de Serralves diz ainda encontrar um aliado forte na implementação deste projecto na existência de uma rede de infra-estruturas culturais que já cobre parte substancial do país.

"A ideia é generalizar, transformar isto num plano nacional e integrar tudo nos currículos", sintetiza Gomes de Pinho.

A favor deste projecto encontram-se "os custos reduzidos" a ele associados e a larga experiência nesta área de Serralves. Com cinco formadores fixos e uma equipa de monitores em regime de "outsourcing" que envolve meia centena de elementos, a instituição mentora desta ideia não dedica o seu serviço educativo apenas aos alunos do primeiro e segundo ciclos.

Prova disso mesmo são os protocolos com estabelecimentos do ensino superior, como a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, mediante os quais "os alunos, ao frequentarem determinados ciclos de conferências, podem realizar créditos", concretiza Gomes de Pinho.

Embora mais vocacionado para a educação em torno das artes, o leque de propostas abrange também áreas científicas e ambientais. Do rol de actividades habitualmente promovidas pelo serviço educativo de Serralves fazem parte projectos como as férias escolares, oficinas temáticas, aprender on-line, visitas orientadas e Festa do Ambiente.