quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Esta mulher é um 'Vulcão'

in DN 26/11/09
A actriz Custódia Gallego interpreta o monólogo 'Vulcão', de Abel Neves, na sala-estúdio do Teatro D. Maria II, em Lisboa

Em Vulcão, de Abel Neves, uma mulher revive a sua história infeliz com um marido monstruoso, a quem aprendeu a dizer sempre "sim, para não o contrariar". Sozinha em palco, a actriz Custódia Gallego dá vida a esta personagem, Valdete, que desfia as suas memórias de dor, numa encenação de João Grosso que se estreia hoje no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

"Agora, vou ser feliz", diz ela no início do monólogo, antes de iniciar a sua viagem ao passado e recordar como, quando casou, sonhava com um amor luminoso que, depois do nascimento de um filho cego, se transformou num pesadelo. Prisioneira na sua própria casa, algemada, Valdete resiste ao martírio, à violação e, sempre na esperança de poder saber onde está o seu querido filho, aceita continuar a vida junto do homem que odeia. Até que ele, alcoolizado, sofre um ataque...

O espectáculo "nasceu" de uma conversa entre Abel Neves e Custódia Gallego, há já alguns anos. "Valdete, a personagem que acabou por revelar-se nos primeiros passos de Vulcão, não tem uma vida feliz mas, apesar da infelicidade, está determinada a conquistar um apaziguamento que lhe permita reconquistar o seu supremo bem: um filho perdido", escreveu Abel Neves. "Não é que o teatro faça milagres, porque não os faz", avisa o autor. "Mas ajuda a pensar outras vidas, possíveis e melhores, e a clarear horizontes."

Um dia depois da comemoração do Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres (oficialmente decretado pela ONU em 1999) estreia-se na sala-estúdio do Teatro D. Maria II, este espectáculo. Vulcão fica em cena até 20 de Dezembro. De quarta a sábado às 21.45 e aos domingos às 16.00.