terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Continuação de Filipe La Féria no Rivoli em 2010 ainda em fase de negociações

in Público 08/12/09

A poucos dias do final do ano, o produtor e encenador Filipe Lá Féria ainda não garantiu a renovação, para 2010, do contrato de acolhimento que lhe permite utilizar o Teatro Rivoli, no Porto. Segundo o que o PÚBLICO apurou junto da Câmara Municipal do Porto, proprietária do teatro, as negociações em relação ao contrato de acolhimento para 2010 estão ainda a decorrer e, se não houver acordo, tal irá determinar o fim de exibição prematuro das duas peças em cartaz.

Em Março último, Irene Sousa, directora de produção da Todos ao Palco, a companhia de Filipe La Féria que trabalha no Rivoli, disse à agência Lusa que tinham sido assinados contratos de acolhimento que valiam até final deste ano. Irene Sousa explicou que os mesmos não tinham sido celebrados antes porque, em Fevereiro, o Teatro Rivoli esteve ocupado com o Fantasporto.

No entanto, apesar de a Todos ao Palco ter contrato de acolhimento até final deste ano, no site da Câmara do Porto na Internet noticia-se que as novas peças Casa do Lago e Feiticeiro de Oz "estarão em cena até 31 de Janeiro". Confrontado com o facto de as duas peças terem um prazo de exibição que termina um mês depois do fim dos contratos de acolhimento, Rui Colmonero, assessor jurídico de Filipe La Féria, recusou ontem explicar a situação. O assessor de La Féria comentou apenas que "isso tem de ser a Câmara do Porto a explicar", acrescentando ainda: "O que garanto é que o senhor La Féria não está ilegal no Rivoli."

Por seu turno, o gabinete de comunicação da Câmara do Porto esclareceu que "o contrato de acolhimento termina no fim de Dezembro e está em fase de negociação para 2010". Já quanto ao facto de as peças Casa do Lago e Feiticeiro de Oz surgirem anunciadas no site do município como estando em cena até 31 de Janeiro do próximo ano, a autarquia responde que "se não se chegar a acordo [para 2010], as peças têm de terminar quando terminar o contrato".

No âmbito de um concurso público para a concessão do Teatro Rivoli, a Câmara do Porto decidiu entregar, em 2006, a gestão das salas daquela sala de espectáculos ao produtor e encenador Filipe La Féria. Mas a Plateia Associação de Profissionais do Espectáculo interpôs, em tribunal, uma acção cautelar de suspensão da eficácia da concessão do Rivoli a La Féria e o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto confirmou a decisão camarária como ilegal.

No entanto, a autarquia não chegou a assinar qualquer contrato de concessão do Rivoli com La Féria, optando por contratos de acolhimento com o produtor.