domingo, 20 de dezembro de 2009

Falta de verba pára filme português

in Correio da Manhã 20/12/09

Cinema: Produtora sem dinheiro para colaboradores

Tudo seguia bem com a finalização de ‘Quero ser uma Estrela’ mas a produtora Marginal Filmes, que é propriedade do realizador do filme, José Carlos de Oliveira, decidiu parar os trabalhos de pós-produção. O motivo, segundo o cineasta, deve-se ao atraso no pagamento de apoios devidos pelo Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA).

O CM soube que o cineasta enviou um comunicado aos parceiros do filme – incluindo a co-produtora TVI e a distribuidora Zon Lusomundo (com conhecimento da ministra da Cultura) –, dando conta do que levou à suspensão.

Contactado pelo CM, Oliveira confirmou. "Estamos bloqueados porque, no plano financeiro, falhou a entrega dos valores que competem ao FICA", explicou.

Segundo o realizador, a Marginal Filmes deveria ter recebido, há mais de um mês, 40 mil euros. Mas a exigência de vários esclarecimentos adicionais, para além da documentação acordada – na atribuição de 200 mil euros por parte do FICA –, tem atrasado a entrega deste valor, comprometendo a boa gestão do projecto.

Oliveira diz ainda ter entregado, "nos prazos estipulados, toda a documentação legal", mas as exigências suplementares têm comprometido todos os prazos. Já o FICA, dirigido por Teresa Félix, abstém--se, para já, de comentar o referido comunicado. "Confirmo que o recebi, já que me foi endereçado", consentiu apenas Teresa Félix.

Os pagamentos pendentes originam ainda, naturalmente, falta de verbas para pagar aos colaboradores de ‘Quero ser uma Estrela’, em que Dalila Carmo e Filipe Vargas lideram o elenco de um filme que denuncia o tráfico de mulheres de Moçambique para a África do Sul.

DETALHES

ELENCO E ORÇAMENTO

‘Quero Ser Uma Estrela’ conta a história de uma portuguesa (Dalila Carmo) que resgata uma adolescente de uma rede de prostituição. Um milhão de euros é o orçamento do filme apoiado pelo ‘CM’.

RODAGEM EM MAPUTO

Maputo, capital de Moçambique, foi o local da rodagem. O elenco, português e moçambicano, filmou durante os meses do Verão.

EFEITO BOLA DE NEVE

A suspensão do filme impede a Marginal de receber a última tranche devida pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (100 mil euros de um total de 450 mil), valor pago na contra-entrega do plano de promoção e de uma cópia da fita.