
por Maria João Caetano in DN 17/10/2009
O teatro lisboeta esteve fechado para obras durante quatro meses. Abre hoje, com três espectáculos que são a aposta da nova directora, a actriz e encenadora Cucha Carvalheiro.
Cuidado com os atrasos: Máquina de Somar, o espectáculo musical que Fernanda Lapa encena na reabertura do Teatro da Trindade, em Lisboa, tem estreia marcada para esta noite, quando forem 20.30. Cuidado com os atrasos. Em Lisboa, como em Londres, em Nova Iorque ou noutras cidades, já é possível ver teatro antes das nove da noite. Esta foi a primeira decisão da nova directora do teatro, Cucha Carvalheiro: "Há muito tempo que percebo, quer como actriz quer como público, que os horários do teatro em Lisboa não se coadunam com a vida que temos." Com a maioria das pessoas a morar fora da cidade e a perder tempo em transportes, "vir ao teatro às 21.30 ou às 22.00 implica perder muito tempo e ter uma grande despesa. É um acontecimento, não pode nunca ser um hábito."
Encerrado desde Maio, o Trindade esteve durante os últimos meses em requalificação. "O edifício ameaçava ruir se não houvesse uma intervenção no telhado e em todo o madeiramento", explica Cucha Carvalheiro. Para o público, o mais visível serão, além da limpeza geral que recuperou o brilho da talha dourada, a remodelação da fachada e das instalações sanitárias. O bar continuará fechado para obras até Janeiro, enquanto a renovação da plateia e do palco, apesar de necessária, terá de ficar para mais tarde.
Durante este período, Cucha Carvalheiro trabalhou intensamente com a sua equipa para pôr de pé uma programação que se quer "popular de qualidade". "Não quero ter aqui não é um teatro popularucho mas de referência para o grande público. Quero espectáculos que sejam relevantes, com temas que estejam na ordem do dia, com actores conhecidos e desconhecidos mas de qualidade."
Se a sala principal irá procurar ter esse teatro popular de qualidade de preferência com produções próprias em sessões em horário familiar, a sala estúdio continuará disponível para as vanguardas: serão espectáculos quase sempre em acolhimento ou co-produção, de criadores mais jovens e em horário tardio (21.45 ou mais). "Mas não irei fazer concessões", garante Cucha Carvalheiro.
Apesar de ter a programação do próximo ano já praticamente fechada, a directora prefere anunciar apenas o que irá acontecer até ao Natal: exposições na galeria Round the Corner; um ciclo de música ao fim da tarde em Novembro (com Aldina Duarte, Fernando Tordo e Vitorino); uma série de tertúlias também no mesmo mês; espectáculos e oficinas para os mais novos; um olhar para a lusofonia que começa já em Novembro com o espectáculo Solo Brasil, sobre a história da música popular brasileira; uma atenção maior aos autores portugueses - depois de Pessoa, haverá Gil Vicente e António José da Silva, revela Cucha Carvalheiro, levantando um pouco o véu sobre a programação de 2010.
"Sinto-me muito grata por o presidente do Inatel, Vítor Ramalho, não ter seguido o caminho mais fácil e ter convidado uma mulher para o cargo", diz Cucha Carvalheiro. "As mulheres têm sempre que trabalhar mais do que os homens para mostrar o seu valor." No Teatro da Trindade, os últimos dias têm sido de azáfama total para que hoje as portas se abram à hora certa. Pintar, limpar, arranjar. A directora não esconde a ansiedade. "Estou muito entusiasmada, só ficarei satisfeita quando daqui a uns tempos fizer o balanço."
O teatro lisboeta esteve fechado para obras durante quatro meses. Abre hoje, com três espectáculos que são a aposta da nova directora, a actriz e encenadora Cucha Carvalheiro.
Cuidado com os atrasos: Máquina de Somar, o espectáculo musical que Fernanda Lapa encena na reabertura do Teatro da Trindade, em Lisboa, tem estreia marcada para esta noite, quando forem 20.30. Cuidado com os atrasos. Em Lisboa, como em Londres, em Nova Iorque ou noutras cidades, já é possível ver teatro antes das nove da noite. Esta foi a primeira decisão da nova directora do teatro, Cucha Carvalheiro: "Há muito tempo que percebo, quer como actriz quer como público, que os horários do teatro em Lisboa não se coadunam com a vida que temos." Com a maioria das pessoas a morar fora da cidade e a perder tempo em transportes, "vir ao teatro às 21.30 ou às 22.00 implica perder muito tempo e ter uma grande despesa. É um acontecimento, não pode nunca ser um hábito."
Encerrado desde Maio, o Trindade esteve durante os últimos meses em requalificação. "O edifício ameaçava ruir se não houvesse uma intervenção no telhado e em todo o madeiramento", explica Cucha Carvalheiro. Para o público, o mais visível serão, além da limpeza geral que recuperou o brilho da talha dourada, a remodelação da fachada e das instalações sanitárias. O bar continuará fechado para obras até Janeiro, enquanto a renovação da plateia e do palco, apesar de necessária, terá de ficar para mais tarde.
Durante este período, Cucha Carvalheiro trabalhou intensamente com a sua equipa para pôr de pé uma programação que se quer "popular de qualidade". "Não quero ter aqui não é um teatro popularucho mas de referência para o grande público. Quero espectáculos que sejam relevantes, com temas que estejam na ordem do dia, com actores conhecidos e desconhecidos mas de qualidade."
Se a sala principal irá procurar ter esse teatro popular de qualidade de preferência com produções próprias em sessões em horário familiar, a sala estúdio continuará disponível para as vanguardas: serão espectáculos quase sempre em acolhimento ou co-produção, de criadores mais jovens e em horário tardio (21.45 ou mais). "Mas não irei fazer concessões", garante Cucha Carvalheiro.
Apesar de ter a programação do próximo ano já praticamente fechada, a directora prefere anunciar apenas o que irá acontecer até ao Natal: exposições na galeria Round the Corner; um ciclo de música ao fim da tarde em Novembro (com Aldina Duarte, Fernando Tordo e Vitorino); uma série de tertúlias também no mesmo mês; espectáculos e oficinas para os mais novos; um olhar para a lusofonia que começa já em Novembro com o espectáculo Solo Brasil, sobre a história da música popular brasileira; uma atenção maior aos autores portugueses - depois de Pessoa, haverá Gil Vicente e António José da Silva, revela Cucha Carvalheiro, levantando um pouco o véu sobre a programação de 2010.
"Sinto-me muito grata por o presidente do Inatel, Vítor Ramalho, não ter seguido o caminho mais fácil e ter convidado uma mulher para o cargo", diz Cucha Carvalheiro. "As mulheres têm sempre que trabalhar mais do que os homens para mostrar o seu valor." No Teatro da Trindade, os últimos dias têm sido de azáfama total para que hoje as portas se abram à hora certa. Pintar, limpar, arranjar. A directora não esconde a ansiedade. "Estou muito entusiasmada, só ficarei satisfeita quando daqui a uns tempos fizer o balanço."